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Flávio Bolsonaro escolhe advogado que escancarou crise no governo Bolsonaro para ser coordenador de campanha

Brasil

Escolha gera desconforto nos bastidores do PL e acende alerta entre aliados, que temem que o histórico do advogado se transforme em um fator de desgaste para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A escolha do advogado Vicente Santini para integrar a coordenação da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reacendeu debates sobre sua trajetória no poder público, marcada por cargos estratégicos nos governos do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de episódios que geraram questionamentos sobre conduta administrativa e relações institucionais.

Santini ganhou projeção durante o governo Bolsonaro ao ocupar funções de confiança no Palácio do Planalto. Entre os cargos exercidos estão a Secretaria-Executiva da Casa Civil, a Secretaria Nacional de Justiça e posições de assessoramento direto na Presidência da República.
Um dos episódios mais controversos de sua passagem pelo governo federal ocorreu em janeiro de 2020, quando utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) durante uma viagem oficial que incluiu deslocamentos entre Davos, na Suíça, e Nova Délhi, na Índia.

A viagem provocou repercussão política porque Santini estava acompanhado de apenas duas assessoras, enquanto outros integrantes do primeiro escalão do governo, como os então ministros Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), optaram por voos comerciais para cumprir agendas internacionais no mesmo período. Até hoje, os nomes das duas mulheres são mantidos sob sigilo.

O custo estimado do deslocamento foi calculado em aproximadamente R$ 700 mil. O episódio levou o então presidente Jair Bolsonaro a determinar a exoneração de Santini da Secretaria-Executiva da Casa Civil. Pouco tempo depois, porém, ele voltou a ocupar funções no governo federal.

O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O subprocurador-geral Lucas Furtado apresentou representação para que a Corte analisasse a utilização da aeronave, classificando o episódio como um possível “ato flagrantemente imoral e antieconômico”. A apuração discutiu a possibilidade de ressarcimento aos cofres públicos, mas o processo não resultou, até o momento, em uma condenação definitiva que obrigasse Santini a devolver os valores.

Após a passagem pelo governo Bolsonaro, Santini voltou a atuar no setor público durante a gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Ele assumiu a chefia da representação do Estado em Brasília, cargo responsável pela articulação institucional entre o governo paulista, órgãos federais e o Congresso Nacional.

Paralelamente à atuação pública, o advogado também manteve atividades na iniciativa privada. Nos últimos meses, prestou serviços jurídicos ligados ao grupo J&F, conglomerado controlador da JBS, empresa dos empresários Joesley e Wesley Batista. A relação profissional ganhou repercussão pelo histórico do grupo empresarial, que esteve envolvido em uma das maiores crises políticas do país após os acordos de colaboração firmados no âmbito da Operação Lava Jato.

A atuação de Santini voltou ao centro do debate após sua participação em um encontro realizado em Washington, nos Estados Unidos, que reuniu empresários brasileiros, autoridades norte-americanas e representantes do setor privado, incluindo Joesley Batista.
A presença do advogado chamou atenção por ocorrer no momento em que ele passou a integrar a equipe responsável pela articulação política da pré-campanha de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República em 2026.

Questionado sobre o encontro, Santini afirmou que sua participação ocorreu por motivos profissionais e que não tinha relação com sua atuação política na campanha. Pessoas próximas ao advogado também afirmaram que sua atividade jurídica é independente das funções desempenhadas na área eleitoral.

A escolha de Santini para a coordenação da campanha passou a ser explorada por adversários políticos e gerou questionamentos entre setores ligados ao bolsonarismo, principalmente pela aproximação profissional com integrantes do grupo J&F, que esteve no centro de embates públicos com Jair Bolsonaro após as delações de Joesley Batista.

Apesar das críticas políticas, não há, até o momento, decisão judicial que aponte irregularidade na atuação profissional de Vicente Santini ou que estabeleça incompatibilidade legal entre sua trajetória no serviço público e sua atividade privada na advocacia.

O episódio coloca novamente em discussão a circulação de agentes públicos entre diferentes governos, empresas privadas e estruturas partidárias, além dos desafios relacionados à transparência, conflitos de imagem e percepção pública em períodos eleitorais.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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