Anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) chega à disputa eleitoral em meio a investigações graves que tramitam em diferentes frentes. O parlamentar nega todas as acusações e afirma ser alvo de perseguição política.
Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e relator da CPMI das fraudes no INSS, Gaspar foi escolhido por Flávio Bolsonaro após dificuldades do PL para formar alianças e encontrar um nome de outro partido para compor a chapa.
PF pediu abertura de inquérito ao STF
Segundo a denúncia encaminhada às autoridades, documentos e áudios apontariam que Alfredo Gaspar teria mantido uma relação com uma adolescente de 13 anos, da qual teria resultado uma gravidez.
Em abril deste ano, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito com base em representações apresentadas pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS).
Os autores da representação também sustentam que houve supostas tentativas de pagamento para que a família da adolescente permanecesse em silêncio.
O procedimento aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir sobre o prosseguimento das investigações. Até o momento, não há denúncia criminal apresentada nem condenação judicial relacionada ao caso.
Deputado nega acusações

Alfredo Gaspar rejeita integralmente as acusações.
O parlamentar afirma que está sendo alvo de uma perseguição política em razão da atuação como relator da CPMI do INSS, comissão que propôs o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Como parte de sua defesa, Gaspar declarou que realizou exame de DNA para demonstrar que não possui vínculo biológico com a criança mencionada na denúncia.
R$6 milhões: Emendas parlamentares também são alvo de apuração
Além da investigação relacionada às acusações pessoais, Alfredo Gaspar também é alvo de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) envolvendo a destinação de emendas parlamentares.
A apuração concentra-se em aproximadamente R$ 6 milhões enviados ao município de São José da Laje, em Alagoas, por meio das chamadas “emendas Pix”. Técnicos do tribunal solicitaram documentação sobre licitações, contratos, pagamentos, notas fiscais, extratos bancários e a execução dos recursos para verificar a regularidade da aplicação do dinheiro público.
A investigação do TCU não representa conclusão de irregularidade, mas busca esclarecer se houve cumprimento das normas na utilização das verbas federais.
Flávio Bolsonaro destacou atuação na CPMI do INSS
Ao anunciar Alfredo Gaspar como companheiro de chapa, Flávio Bolsonaro ressaltou principalmente sua atuação à frente da CPMI do INSS.
Durante o anúncio, o senador afirmou que escolheu um nome identificado com o combate à corrupção e destacou o relatório elaborado por Gaspar, que pediu o indiciamento de diversas pessoas, incluindo Lulinha.
Gaspar ganhou projeção nacional justamente pela condução do relatório final da comissão, que acabou rejeitado pela maioria dos integrantes da CPMI.
Sem condenações
Apesar das investigações em andamento, não há, até o momento, condenações criminais ou por improbidade administrativa contra Alfredo Gaspar.
Os procedimentos seguem em fases preliminares de apuração, e o deputado nega todas as acusações, sustentando que as representações possuem motivação política.