Depois de muita pressão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais para rebater reportagens que o vinculam à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. A empresa é apontada pelas investigações como uma firma de fachada utilizada pelo empresário Daniel Vorcaro para a movimentação de R$ 58 milhões do Banco Master. A Notícia publicada primeiramente pelo portal Metrópoles e confirmada pelo Radar Brasileiro repercutiu em todo país.
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o parlamentar negou ter prestado serviços à consultoria.
No entanto, o senador não esclareceu o motivo pelo qual seu escritório de advocacia chegou a emitir notas fiscais em nome da Copenhagen para um contrato que, segundo sua própria versão, não chegou a ser aceito.
“Fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada”, declarou o senador. Sobre a relação com a Copenhagen, afirmou: “Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa […]. Eu não quis trabalhar para essa empresa, [então] cancelei duas notas fiscais.”
Transações paralelas e rede de contatos
Apesar do cancelamento das duas notas direcionadas à Copenhagen, registros indicam que, em 9 de abril — dois dias após a primeira emissão —, o escritório do parlamentar faturou uma terceira nota fiscal, também no valor de R$ 500 mil, em favor da Contábil Correa. Não consta no sistema nenhum pedido de cancelamento para este terceiro documento.

A Contábil Correa tem como sócio-administrador o contador Rogério Lourenço Novo. Ele figura na Receita Federal como o único diretor responsável pela Copenhagen e atua como membro efetivo do da Ambipar, companhia também associada aos negócios de Daniel Vorcaro.
Estrutura sob investigação da Polícia Federal
As apurações indicam um estreitamento das conexões financeiras sob escrutínio no caso. Anteriormente, o conhecimento público sobre a relação entre o senador e a instituição financeira limitava-se à captação de recursos com o proprietário do Banco Master para o financiamento do documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Copenhagen, constituída em novembro de 2024 com um capital social declarado de R$ 40, tornou-se uma das dez principais destinatárias de recursos do Banco Master. Formalmente, a empresa pertence ao fundo de investimentos Estônia, sob administração da Trustee DTVM. A gestora atua no centro de um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura esquemas de movimentação e ocultação patrimonial atribuídos ao grupo de Vorcaro.