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Flávio Bolsonaro questiona voto feminino, associa esquerda às drogas e ignora investimentos federais em São Paulo

Brasil

O Radar Brasileiro vai mostrar na reportagem as mentiras ditas pelo Senador Flávio Bolsonaro.

No Café com Vereadores de SP, André do Prado, Ricardo Nunes, Tarcísio de Freitas e Derrite não esboçam reação as falas de Flávio e acenam concordando com tudo. O pré-candidato à Presidência afirma não compreender por que mulheres votam na esquerda, vincula o eleitorado feminino ao debate sobre drogas e acusa o governo Lula de perseguir São Paulo. Dados oficiais, porém, mostram aumento de investimentos federais no estado nos últimos anos e não comprovam as acusações de retaliação política.

Em uma declaração que provocou milhares de críticas nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou não compreender por que as mulheres estariam votando mais na esquerda e relacionou esse comportamento a temas como drogas e segurança pública. Ao defender que “as pautas das mulheres” seriam as defendidas pela direita, o parlamentar perguntou:

“Qual mulher que concorda com que o filho sair do colégio e ser assediado pra fumar um crack na porta do colégio? Como é que tá votando na esquerda?”

Antes disso, Flávio também afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria utilizando a máquina pública para perseguir adversários políticos e “se vingar” do estado de São Paulo por divergências com o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes.

“É um presidente que se vinga de São Paulo por causa do prefeito. É um presidente que se vinga do estado de São Paulo por causa do governador.”

A acusação, no entanto, não foi acompanhada de provas ou exemplos concretos que demonstrassem uma suposta política deliberada de retaliação institucional contra o estado. Pelo contrário, Flávio Bolsonaro não conseguiu em sua explicação apresentar nenhum número ou provas das acusações feitas.

Na mesma fala, o senador também atribuiu ao campo da esquerda a defesa da liberação das drogas.

“É a direita ou a esquerda que é contra as drogas? A esquerda faz programa de liberação de droga.”

Questionamento ao voto feminino gera reação

Ao afirmar que não consegue entender por que mulheres estariam votando mais na esquerda, Flávio Bolsonaro desloca o debate político para uma associação direta entre o voto feminino e temas como drogas e segurança, sugerindo que mulheres estariam escolhendo candidatos contrários aos próprios interesses.

A declaração foi interpretada por críticos como uma tentativa de desqualificar as escolhas políticas do eleitorado feminino ao reduzir sua decisão eleitoral a um único tema, ignorando fatores como renda, saúde, educação, emprego, inflação, violência doméstica, creches, igualdade salarial e políticas sociais, frequentemente apontados por pesquisas como prioridades entre as eleitoras brasileiras.

Dados do eleitorado contradizem generalização sobre o voto das mulheres

O Radar Brasileiro vai mostrar como Flávio Bolsonaro errou feio ao criticar o voto das mulheres. A declaração do senador Flávio Bolsonaro de que não consegue compreender por que mulheres estariam votando na esquerda ao associar esse comportamento a temas como drogas e segurança não encontra respaldo em dados sobre o perfil do eleitorado brasileiro.

As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas correspondem a 52,8% dos eleitores aptos a votar, o equivalente a cerca de 84 milhões de eleitoras, sendo o maior segmento do eleitorado nacional.

Pesquisa Datafolha divulgada em julho de 2026 indicou que, em um cenário de segundo turno, 50% das mulheres declaravam intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva, contra 40% em Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário era diferente, demonstrando que o gênero é apenas uma das variáveis que influenciam a decisão do eleitor.

Investimentos federais contradizem discurso de abandono

A narrativa de que o governo federal estaria punindo São Paulo também encontra contrapontos em dados oficiais.

Desde o início do terceiro mandato de Lula, São Paulo concentra parte significativa dos investimentos federais por meio do Novo PAC, de obras de mobilidade urbana, habitação, saúde, educação, infraestrutura logística, saneamento e financiamentos concedidos por bancos públicos.

Além das obras estruturantes, programas como o Minha Casa, Minha Vida, investimentos em universidades e institutos federais, recursos para hospitais, municípios e projetos de infraestrutura reforçam a participação da União no estado.

O volume de investimentos anunciado para São Paulo nos últimos três anos está entre os maiores destinados a uma unidade da Federação, refletindo tanto o peso econômico quanto a dimensão populacional do estado.

Somente por meio do Novo PAC, o estado concentra mais de R$ 211 bilhões em investimentos, distribuídos em mais de 3 mil empreendimentos nas áreas de saúde, educação, habitação, mobilidade urbana, saneamento, infraestrutura logística e prevenção de desastres.

Na área habitacional, o Minha Casa, Minha Vida contratou 584 mil moradias em São Paulo, com investimentos de aproximadamente R$ 145,9 bilhões, beneficiando centenas de milhares de famílias paulistas.

A mobilidade urbana também recebeu forte apoio federal. Em 2023, o BNDES aprovou R$ 10 bilhões em financiamentos para projetos estratégicos do estado, sendo R$ 6,4 bilhões destinados ao Trem Intercidades (São Paulo–Campinas) e R$ 3,6 bilhões para a aquisição de 44 novos trens da expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo.

Em âmbito nacional, o Novo PAC prevê R$ 1,8 trilhão em investimentos, dos quais R$ 1,3 trilhão serão executados até 2026. Dentro desse conjunto, São Paulo aparece como o principal destino de recursos em razão de sua população, importância econômica e concentração de grandes obras de infraestrutura.

Governo Federal contra o narcotráfico

As afirmações de Flávio Bolsonaro são mentirosas e o Radar Brasileiro mostra a checagem das informações. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ampliado investimentos e ações voltadas ao fortalecimento da segurança pública e ao combate às organizações criminosas. Desde 2023, o governo reforçou a atuação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, ampliou operações de inteligência contra facções criminosas e intensificou o combate ao tráfico internacional de drogas, armas e munições nas fronteiras brasileiras.

A afirmação simplifica um debate complexo e não corresponde, por si só, às políticas oficiais do governo federal. A legislação brasileira continua proibindo o tráfico de drogas, e o governo Lula mantém ações de combate ao crime organizado, ao tráfico internacional e ao consumo de entorpecentes, ao mesmo tempo em que políticas públicas voltadas ao tratamento de dependentes químicos seguem previstas no Sistema Único de Saúde.

Somente em 2024, o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) destinou cerca de R$ 2,5 bilhões para ações de segurança em todo o país. Desse total, R$ 1,124 bilhão foi transferido diretamente aos estados e ao Distrito Federal, enquanto R$ 1,428 bilhão financiou operações de combate ao crime organizado, lavagem de dinheiro, fortalecimento da inteligência policial, aquisição de equipamentos, viaturas e tecnologia para as forças de segurança.

Em 2023, o governo federal já havia destinado R$ 807,7 milhões aos fundos estaduais de segurança para ações de redução da criminalidade violenta, além de R$ 101 milhões voltados à valorização dos profissionais de segurança pública e R$ 19 milhões especificamente para ações de combate à criminalidade nos estados.

Os resultados também aparecem nas operações policiais. Em 2024, a Polícia Federal informou que as ações contra facções criminosas provocaram um prejuízo estimado em R$ 5,6 bilhões às organizações criminosas, um aumento de 70% em relação ao ano anterior.

Análise da notícia – Crítica política exige base factual

A oposição ao governo federal é parte legítima da disputa democrática. Entretanto, acusações de perseguição institucional ou de retaliação administrativa feitas por Flávio Bolsonaro precisam ser acompanhadas de evidências que demonstrem tratamento desigual ou bloqueio deliberado de recursos públicos.

Da mesma forma, acusações sobre o comportamento eleitoral das mulheres tendem a reduzir um eleitorado diverso a estereótipos políticos, sem considerar a pluralidade de fatores que influenciam o voto.

No debate público, críticas ganham força quando são sustentadas por fatos verificáveis. Sem essa base, declarações sobre perseguição política, abandono de estados ou associações simplificadas entre eleitoras e determinadas pautas permanecem no campo da retórica política, e não da comprovação objetiva.

No cenário atual, em que a desinformação se espalha com rapidez pelas redes sociais, o Radar Brasileiro está no ar para separar fatos de versões sem comprovação. Nosso compromisso é verificar informações, confrontar declarações com dados oficiais e apresentar ao leitor conteúdo baseado em documentos públicos, estatísticas e fontes confiáveis. Aqui, notícias falsas, boatos e informações distorcidas são analisados com rigor jornalístico, para que a verdade prevaleça sobre a desinformação.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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