A queda de 10 pontos percentuais na aprovação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre as mulheres deixou de ser apenas um dado estatístico para se transformar em um dos maiores sinais de desgaste político de sua gestão. Segundo pesquisa Genial/Quaest, a aprovação do governador nesse segmento caiu de 57% para 47% entre agosto de 2025 e julho de 2026, enquanto entre os homens a avaliação permaneceu praticamente estável.
A perda de apoio entre o eleitorado feminino tornou-se um dos principais sinais de alerta para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana mostra que a aprovação do governo estadual entre as mulheres caiu 10 pontos percentuais em 11 meses, passando de 57% em agosto de 2025 para 47% em julho de 2026. Trata-se do pior desempenho do governador nesse segmento desde o início da série histórica, em abril de 2024.
O movimento contrasta com o desempenho entre os homens. No mesmo período, a aprovação permaneceu praticamente estável, variando de 63% para 62%, o que indica que a perda de popularidade está concentrada no eleitorado feminino.
Embora o índice geral de aprovação do governo ainda seja majoritário, a queda entre as mulheres é considerada politicamente relevante porque esse grupo representa mais da metade do eleitorado paulista e costuma exercer influência decisiva em disputas majoritárias. A própria pesquisa mostra que, no consolidado, a aprovação do governo Tarcísio recuou cinco pontos em relação ao ano anterior.
Distanciamento do eleitorado feminino
Especialistas ouvidos pelo UOL apontam que a redução da aprovação está relacionada a um conjunto de fatores políticos acumulados nos últimos meses. Entre eles, destacam-se o aumento da exposição nacional de Tarcísio como presidenciável, o endurecimento do discurso político durante o período pré-eleitoral e a associação frequente do governador com setores da direita que protagonizaram declarações consideradas ofensivas às mulheres.
Analistas também observam que parte do eleitorado feminino tende a reagir negativamente quando candidatos são percebidos como tolerantes ou silenciosos diante de manifestações misóginas, ataques pessoais e discursos preconceituosos difundidos por aliados políticos.
Nos últimos meses, o ambiente político nacional foi marcado por episódios de forte polarização, com declarações ofensivas dirigidas a adversárias, jornalistas e mulheres na vida pública. Embora essas manifestações tenham partido de diferentes atores políticos, especialistas destacam que a forma como lideranças respondem — seja condenando, relativizando ou permanecendo em silêncio — influencia a percepção do eleitorado feminino.
Eleitorado feminino é decisivo
Pesquisas eleitorais mostram que mulheres frequentemente apresentam comportamento eleitoral distinto do masculino, especialmente em temas ligados à segurança, educação, saúde, políticas sociais e respeito aos direitos das mulheres.
Para cientistas políticos, a perda de dez pontos em um único segmento representa um desafio estratégico para qualquer campanha. Isso porque recuperar a confiança de um eleitor que deixou de aprovar um governo costuma ser mais difícil do que manter sua base original de apoio.
Além disso, o desgaste ocorre justamente no momento em que Tarcísio amplia sua participação no debate nacional e busca consolidar sua imagem para a disputa eleitoral de 2026.
Desafio para a campanha
A tendência identificada pela Quaest não significa, por si só, uma definição do resultado eleitoral. Pesquisas de aprovação medem a avaliação da administração pública e não necessariamente a intenção de voto. Ainda assim, estrategistas costumam acompanhar esses indicadores como um dos principais termômetros da competitividade de um candidato.
Caso a tendência de queda entre as mulheres persista nos próximos levantamentos, a campanha do governador poderá enfrentar maior dificuldade para ampliar sua vantagem em um dos segmentos mais relevantes do eleitorado paulista.
Os próximos meses deverão indicar se a redução observada representa um episódio pontual ou o início de uma mudança mais duradoura na percepção das mulheres sobre a gestão estadual.