Enganoso é um dos cinco selos de veracidade do Radar Brasileiro. Ele marca o conteúdo em que os dados são verdadeiros, mas o uso que se faz deles não é: o número existe, a citação existe, a imagem existe — e ainda assim a conclusão que se pretende tirar não se sustenta.
Por que existe um selo só para isso
A desinformação mais eficiente raramente é uma mentira inventada do zero. Mentira escancarada é fácil de derrubar. O que circula de verdade é o dado real recortado: o gráfico sem o eixo, o trecho de fala sem a pergunta que o motivou, a estatística de um ano usada como se fosse de outro, o vídeo real de um evento antigo apresentado como recente.
Chamar isso de “falso” seria impreciso, porque o dado de origem confere. Chamar de “verdadeiro” seria pior ainda. O selo Enganoso existe para nomear exatamente esse meio-termo.
A escala completa do Radar
São cinco níveis: Verdadeiro (confere integralmente com as evidências), Parcialmente verdadeiro (mistura acertos com trechos imprecisos ou não comprovados), Enganoso (dados reais fora de contexto), Tendencioso (seleção de fatos que favorece um lado e omite contexto relevante) e Falso (comprovadamente inverídico, sem evidência que o sustente).
Uma mesma matéria pode receber mais de um selo, quando verifica afirmações diferentes.
O que costuma ser entendido errado
Enganoso não é sinônimo de mentira, e o selo não faz juízo sobre a intenção de quem publicou. A checagem avalia o conteúdo e o contexto que foi omitido — não se houve má-fé, que é algo que a verificação não tem como medir.
No noticiário do Radar
O selo foi aplicado, por exemplo, na checagem Guilherme Derrite: checamos o quê é FAKE e o quê é Dado Enganoso.