Desde que assumiu a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite acumulou uma série de controvérsias que extrapolaram o debate sobre os índices de criminalidade e passaram a atingir a própria estrutura das forças de segurança do Estado. Sua gestão tem sido marcada por críticas de entidades de direitos humanos, embates com o Ministério Público, questionamentos sobre a condução de operações policiais e sucessivos episódios de desgaste interno nas corporações. E, Tarcísio de Freitas concordou com tudo. Inclusive, fez elogios a Derrite pela forma de comandar a SSP-SP.
Entre os momentos de maior tensão está a substituição do comando-geral da Polícia Militar, decisão que provocou forte reação entre oficiais e integrantes da corporação, gerando críticas à condução política da secretaria e à instabilidade no alto escalão da PM.
Paralelamente, a Polícia Civil também passou a manifestar insatisfação com a gestão, apontando deficiências estruturais, escassez de investimentos, dificuldades na reposição de efetivo e reivindicações salariais não atendidas, fatores que alimentaram o descontentamento entre delegados, investigadores, escrivães e demais servidores.
Derrite também direcionou críticas a entidades da sociedade civil dedicadas à defesa dos direitos humanos e à imprensa. Durante o discurso, minimizou as oito denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra 16 policiais militares envolvidos em ocorrências que resultaram em sete mortes e um ferido durante as Operações Escudo e Verão.
Análise Comparativa dos Índices Criminais (2022 vs. 2024)
Este panorama mostra o contraste entre o aumento da força letal e a redução dos crimes contra o patrimônio durante o período da gestão:
- Letalidade Policial: Crescimento expressivo de 93,1% (saltou de 421 mortes em 2022 para 813 em 2024).
- Crimes Violentos Letais: 11,4% (soma de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte).
- Crimes Violentos: Alta de 15,9% em lesões corporais dolosas, 10,1% em estupros e 2,1% nas tentativas de homicídio.
- Estelionatos: Disparada de 31,1%, impulsionada pela profusão de golpes digitais.
- Crimes Contra o Patrimônio: Estagnado 20,8% nos roubos e de 1,4% nos furtos.
- Prisional: Aumento de 13,7% no volume de prisões (saltando de 146 mil para 166 mil).
Detalhamento alguns de casos
O Caso Ryan (5 de novembro de 2024): Foco na investigação balística (espingarda Benelli M3 calibre 12) e na contestação da Defensoria Pública sobre a versão de troca de tiros.
A Execução de Vinicius Gritzbach (8 de novembro de 2024): Foco na infiltração do crime organizado na PM, na lavagem de dinheiro com criptomoedas e na falha de segurança em pleno Aeroporto de Guarulhos.
A Execução de Ruy Ferraz Fontes (Setembro de 2025): Foco nas ameaças prévias do PCC contra a cúpula da Polícia Civil e na dinâmica da emboscada em Praia Grande.
Padronização do Uso da Força: Relatórios da Defensoria apontaram indícios de execuções disfarçadas de confrontos. O órgão denunciou que abordagens letais eram justificadas por motivos vagos, como “atitude suspeita” ou “volume na cintura”, resultando em um número excessivo de disparos por vítima.
Veja o documento oficial em que Derrite é desmentido:
https://www.defensoria.sp.def.br/documents/20122/8779cfb6-2022-17dc-295e-a2aefd9a1908
Dizer que Derrite afirmou que as denúncias eram mentirosas — isso é um fato documentado.
Afirmar que as denúncias realmente eram mentirosas — isso não está comprovado. Existem denúncias formalizadas pelo Ministério Público, algumas ações penais em andamento e outras investigações arquivadas. A veracidade de cada caso depende da análise judicial, da produção de provas e do trânsito em julgado.
Em outubro de 2025, durante o Congresso de Operações Policiais, o então secretário da Segurança Pública afirmou que as denúncias contra policiais militares envolvidos nas Operações Escudo e Verão eram “denúncias mentirosas” e “infundadas”.
Na ocasião, ele declarou:
“Denúncias infundadas. Vou repetir para vocês: denúncias mentirosas, infundadas, versus violência real.”
É verdadeiro que Derrite fez essa declaração. Entretanto, não é possível afirmar como fato que as denúncias eram mentirosas, porque elas estavam e continuam submetidas à apuração da Justiça.
O que isso significa na prática?
A declaração dele não é sustentada pelos fatos conhecidos. Do ponto de vista jornalístico e de checagem de fatos:
Derrite afirmou que as denúncias eram “mentirosas” e “infundadas”.
No entanto, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncias criminais contra policiais militares envolvidos nas operações após investigações próprias. Em alguns casos, a Justiça recebeu as denúncias, o que significa que encontrou elementos mínimos para a abertura de ação penal.
Isso não equivale a condenação, mas também contradiz a ideia de que todas as acusações seriam inventadas. Além disso, houve investigações conduzidas por órgãos de controle, como a Defensoria Pública e a Ouvidoria das Polícias, apontando indícios de irregularidades.
A afirmação de Derrite é ou sem comprovação, porque trata como falsas todas as denúncias, embora investigações oficiais tenham encontrado elementos suficientes para denunciar policiais à Justiça.