Pesquisa eleitoral não ouve o eleitorado inteiro: ouve uma amostra e projeta o resultado para o todo. A margem de erro é o tamanho da imprecisão que esse método admite, quase sempre expressa em pontos percentuais para mais ou para menos.
Como ler
Se um instituto informa margem de 2 pontos e o candidato aparece com 40%, a leitura correta é: o resultado provável está entre 38% e 42%. O número exibido é o centro de uma faixa, não um valor cravado.
A margem vem acompanhada de um nível de confiança, normalmente 95%. Isso significa que, repetida a pesquisa cem vezes com o mesmo método, em cerca de 95 delas o resultado cairia dentro da faixa. Não é uma garantia — é uma probabilidade.
Empate técnico
É o termo mais maltratado da cobertura eleitoral. Quando a distância entre dois candidatos é menor que a margem, a pesquisa não autoriza dizer quem está na frente. Publicar “fulano lidera com 41% contra 39%” numa pesquisa de margem 2 é apresentar como fato algo que o próprio levantamento não sustenta.
A recíproca também vale, e costuma ser esquecida: quando a diferença é claramente maior que a margem, chamar de empate técnico é igualmente errado.
O que a margem não cobre
Este é o ponto menos compreendido. A margem de erro mede apenas o efeito de se trabalhar com amostra. Ela não mede erro de recorte da amostra, pergunta mal formulada, entrevistado que não diz a verdade, nem mudança de opinião depois do campo. Uma pesquisa pode estar dentro da margem e ainda assim errar — por razões que a margem nem tenta capturar.
No noticiário do Radar
Aparece em toda cobertura de pesquisa, como em Genial/Quaest: Lula amplia vantagem e abre oito pontos sobre Flávio Bolsonaro para 2026.