“Toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest.
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. O petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do parlamentar, abrindo uma diferença de oito pontos percentuais. Outros 14% afirmaram que votariam em branco, nulo ou não compareceriam às urnas, enquanto 4% ainda se declaram indecisos.
“Em um eventual cenário de 2º turno, a vantagem de Lula para Flávio seria de 8 pontos percentuais, oscilou 2 pontos positivamente no último mês”, diz o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
O levantamento revela uma mudança gradual no cenário eleitoral observada ao longo dos últimos meses. Em abril, Flávio Bolsonaro chegou a aparecer numericamente à frente de Lula. Em maio, os dois estavam tecnicamente empatados. Desde então, porém, o presidente passou a recuperar terreno, consolidando uma vantagem que aumentou na rodada mais recente da pesquisa. Segundo a avaliação do cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, o crescimento da distância entre os dois candidatos indica um movimento favorável ao atual presidente na reta que antecede a campanha eleitoral.
“Essa fragilidade da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores. O mais expressivo deles foi o conflito com Michelle Bolsonaro, que ficou conhecido por apenas metade dos brasileiros. Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo.”
Outro dado considerado relevante é que, entre todos os cenários de segundo turno testados pelo instituto, Lula venceria todos os adversários apresentados. O confronto contra Flávio Bolsonaro continua sendo o mais competitivo para o presidente, embora a diferença tenha aumentado em relação às pesquisas anteriores. Para os analistas da Quaest, nenhum outro nome da direita demonstra, neste momento, maior capacidade de enfrentar Lula em um eventual segundo turno.
Lula x Flávio Bolsonaro
- Lula (PT): 45% – eram 44% em junho e 42% em maio
- Flávio Bolsonaro (PL): 37% – eram 38% em junho e 41% em maio
- Branco/nulo/não iria votar: 14% – eram 14% em junho e maio
- Indecisos: 4% eram 4% em junho e 3% em maio
- Fonte: Genial/Quaest
A pesquisa também foi realizada em meio a um ambiente político marcado por episódios recentes que movimentaram o debate nacional, incluindo investigações envolvendo aliados do governo federal, disputas internas no campo bolsonarista e a repercussão das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Apesar desse contexto, o levantamento indica que esses acontecimentos não impediram Lula de ampliar sua vantagem eleitoral.
Lula x Ronaldo Caiado
- Lula (PT): 45% – eram 45% em junho e 44% em maio
- Ronaldo Caiado (PSD): 36% – eram 35% em junho e maio
- Branco/nulo/não iria votar: 15% – eram 16% em junho e 17% em maio
- Indecisos: 4% – eram 4% em junho e maio
- Fonte: Genial/Quaest
Outro indicador destacado pela Quaest reforça esse cenário. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo Lula superou numericamente a desaprovação. Segundo o instituto, 48% dos entrevistados aprovam a gestão do presidente, enquanto 47% desaprovam. A inversão é vista como um fator que pode ajudar a explicar a melhora do desempenho eleitoral do petista nas simulações de segundo turno.
Lula x Romeu Zema
- Lula (PT): 45% – eram 45% em junho e 44% em maio
- Romeu Zema (Novo): 35% – eram 35% em junho e 37% em maio
- Branco/nulo/não iria votar: 16% – eram 17% em junho e 15% em maio
- Indecisos: 4% – eram 3% em junho e 4% em maio
- Fonte: Genial/Quaest
Do lado da oposição, a pesquisa evidencia desafios para Flávio Bolsonaro ampliar sua competitividade. A avaliação dos pesquisadores é que desgastes recentes dentro do próprio campo bolsonarista podem ter reduzido seu potencial de crescimento entre eleitores de direita. Ainda assim, ele permanece como o nome mais competitivo do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral.
Lula x Renan Santos
- Lula (PT): 45% – eram 45% em junho e maio
- Renan Santos (Missão): 33% – eram 31% em junho e 28% em maio
- Branco/nulo/não iria votar: 18% – eram 20% em junho e 22% em maio
- Indecisos: 4% – eram 4% em junho e 5% em maio
- Fonte: Genial/Quaest
O levantamento também aponta um cenário de relativa estabilidade do eleitorado. Cerca de 65% dos entrevistados afirmaram que já definiram definitivamente seu voto para a eleição presidencial, enquanto 35% disseram que ainda podem mudar de posição até a votação. Esse índice sugere que a disputa tende a ocorrer em um ambiente de elevada consolidação das preferências eleitorais, tornando mais difícil mudanças bruscas nas intenções de voto ao longo da campanha.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais domiciliares, realizadas entre 10 e 13 de julho de 2026. O levantamento tem de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.