“A Apex, o BNDE, a ABDI vão fazer um empenho redobrado pra gente abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior. Mas, destacando que o ano passado foi o recorde de exportação e este ano, no primeiro semestre também recorde de exportação”, complementou Geraldo Alckmin.
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (16) um conjunto de medidas emergenciais para reduzir os impactos do novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. O pacote busca preservar a competitividade das empresas exportadoras, evitar demissões e garantir capital de giro para os setores mais atingidos pela decisão norte-americana.
“O presidente, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro. Quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Então o governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, disse Alckmin.
A resposta do Palácio do Planalto foi articulada pelos ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); das Relações Exteriores; e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), após reuniões com representantes da indústria e do agronegócio.
Entre as principais medidas anunciadas estão:

Crédito para manter empresas em operação
Segundo integrantes da equipe econômica, o foco inicial é garantir liquidez às empresas exportadoras que poderão sofrer queda nas vendas para os Estados Unidos. A intenção é evitar interrupções na produção e preservar empregos enquanto o governo busca uma solução diplomática para o impasse comercial.
“Destacar que nós temos uma lei que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo no momento adequado, saberá como implementá-la”, afirmou. “A lei não é retaliatória. Não há retaliação. O que existe uma lei que defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira”, complementou o vice.
O governo também pretende acelerar a análise de financiamentos já solicitados por empresas exportadoras e ampliar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas que dependem do mercado norte-americano.
“É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa”, afirmou Alckmin.
Seguro para reduzir riscos das exportações
Outra frente considerada estratégica é o fortalecimento do Seguro de Crédito à Exportação. O instrumento permite que empresas mantenham contratos internacionais mesmo diante do aumento da insegurança comercial, protegendo operações contra inadimplência e riscos políticos.
A medida busca impedir o cancelamento de contratos e preservar a confiança dos compradores internacionais. O ministro da Fazenda ainda afirmou que alguns setores podem sofrer muito com o tarifaço.
“Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Diversificação de mercados
Além das medidas financeiras, o governo pretende ampliar a atuação da ApexBrasil na abertura de novos mercados para produtos brasileiros.
A estratégia é acelerar negociações comerciais com países da Ásia, Oriente Médio, Europa e América Latina para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
A equipe econômica avalia que essa diversificação poderá reduzir parte dos prejuízos provocados pelas tarifas norte-americanas.
Governo mantém negociação diplomática
Apesar do anúncio das medidas de apoio, o governo brasileiro afirma que a prioridade continua sendo uma solução negociada.
O Palácio do Planalto informou que seguirá utilizando os canais diplomáticos e comerciais para tentar reverter a decisão da Casa Branca, ao mesmo tempo em que prepara eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Comercial caso as negociações não avancem.
Tarifa afeta milhares de produtos
Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. Embora diversos produtos tenham sido excluídos da medida, milhares de itens industriais permanecem sujeitos à nova taxação, incluindo máquinas, equipamentos, produtos farmacêuticos, veículos, componentes industriais, papel, aço e açúcar.
A expectativa do governo brasileiro é que o pacote de apoio minimize os efeitos imediatos sobre a indústria nacional enquanto prosseguem as negociações diplomáticas entre os dois países.