Um dos principais nomes da nova geração do futebol mundial, Lamine Yamal tem apenas 19 anos, mas já acumula títulos, recordes e protagonismo com a camisa da seleção espanhola e do Barcelona. Por trás da ascensão meteórica do atacante, porém, está uma história marcada por dificuldades, imigração e forte apoio familiar.
Filho de Mounir Nasraoui, marroquino, e Sheila Ebana, nascida na Guiné Equatorial, Yamal cresceu no bairro de Rocafonda, em Mataró, na região de Barcelona. O jogador costuma recordar as origens humildes e atribui aos sacrifícios dos pais parte essencial de sua formação dentro e fora dos gramados.
Em entrevista recente, o atacante relembrou a história da avó paterna, que trabalhou em jornadas exaustivas para reunir dinheiro e levar o pai à Espanha ainda criança.
“Ela começou a trabalhar em três turnos para que meu pai pudesse vir, já que ele ficou em Marrocos. Quando minha avó juntou algum dinheiro, pagou uma mulher para trazer meu pai e sua irmã, que vieram quando tinham 3 anos.”
Já estabelecido na Espanha, Mounir trabalhou como pintor para sustentar a família. Mesmo após a separação de Sheila, quando Yamal ainda tinha três anos, permaneceu próximo do filho e incentivou sua carreira no futebol. O pai nunca escondeu o orgulho pelo sucesso do atacante.
“Você não imagina o quanto estou orgulhoso do meu filho. Eu sempre soube que ele alcançaria o que alcançou. E tenho fé de que ele pode ir ainda mais longe e ser maior que Messi.”
Durante a Copa do Mundo, Mounir não acompanhou a seleção espanhola nos Estados Unidos. Segundo ele, a decisão foi motivada por questões de saúde.
“Sou uma pessoa epiléptica. Preciso tomar muitos medicamentos todos os dias e pode acontecer de eu ter uma crise.”
Além disso, o pai de Yamal também enfrentou um episódio dramático em 2024, quando foi esfaqueado durante uma briga na cidade de Mataró. Ele foi hospitalizado, recebeu tratamento e se recuperou.
Mãe enfrentou maternidade ainda na adolescência
A mãe do jogador, Sheila Ebana, também chegou ainda criança à Espanha. Ela engravidou de Yamal aos 16 anos e trabalhou em uma rede de fast food para ajudar no sustento da família.
O próprio atacante costuma citar a trajetória da mãe para relativizar a pressão que enfrenta no futebol.
“Minha mãe me teve aos 16 anos, isso sim é pressão de verdade. Depois, meu pai teve que se virar, sair e catar coisas na rua para poder trazer comida para casa. Isso sim é pressão de verdade. Tudo o que eu tenho que fazer é jogar e fazer o povo espanhol feliz.”
Foi justamente por meio do trabalho de Sheila que surgiu um dos primeiros contatos decisivos para a carreira do filho. Ela conheceu Inocente Díez, coordenador do CF La Torreta, clube onde Yamal iniciou sua formação antes de ser levado para as categorias de base do Barcelona.
Das origens humildes ao estrelato
Após se destacar no CF La Torreta, Yamal foi incorporado à tradicional La Masia, centro de formação do Barcelona, onde rapidamente passou a ser apontado como uma das maiores promessas do futebol europeu. Em pouco tempo, estreou na equipe principal, conquistou títulos nacionais e se transformou em referência da seleção espanhola.
Mesmo vivendo o auge da carreira, o atacante faz questão de manter vivas as ligações com o bairro onde cresceu. Nas comemorações de seus gols, frequentemente forma com as mãos o número 304, referência aos três últimos dígitos do CEP de Rocafonda.
Outro personagem constante em suas celebrações é o irmão caçula, Keyne, que ganhou destaque durante a Copa do Mundo ao aparecer comemorando os jogos da Espanha nas arquibancadas.
Após uma das vitórias da seleção, Yamal resumiu o que considera sua maior conquista:
“Fico emocionado ao ver meu irmão feliz, ao ver minha mãe vivendo a vida com que sempre sonhou e ao ver meus amigos felizes. No fim das contas, é isso que eu quero.”