A pressão de moradores de São Bernardo do Campo levou o governo de Tarcísio de Freitas a rever a implantação do sistema de pedágio eletrônico (free flow) no Sistema Anchieta-Imigrantes.
A gestão estadual anunciou o reposicionamento do pórtico de cobrança da Rodovia dos Imigrantes, que deixará de ser instalado no km 29 e passará para o km 38. Com a mudança, o início da cobrança, previsto para começar em 1º de agosto, foi adiado e ainda não há uma nova data definida.
A decisão representa um recuo do governo após uma série de manifestações de moradores, lideranças comunitárias e representantes políticos da região do Grande ABC.
Os protestos apontavam que a localização original do equipamento penalizaria principalmente quem utiliza a rodovia para deslocamentos curtos entre bairros de São Bernardo do Campo, impondo um custo adicional a milhares de motoristas que não realizam viagens de longa distância.
Segundo o governo paulista, a alteração faz parte de um processo de aperfeiçoamento do projeto para minimizar impactos sobre o tráfego local. O novo posicionamento do pórtico, no km 38 da Imigrantes, busca reduzir a incidência da cobrança sobre deslocamentos urbanos, preservando a proposta de modernização do sistema de pedágio.
O modelo free flow elimina as tradicionais praças de pedágio e realiza a cobrança automaticamente por meio de pórticos equipados com câmeras e sensores, capazes de identificar placas e etiquetas eletrônicas dos veículos. A promessa é de maior fluidez no trânsito, redução de congestionamentos e diminuição do tempo de viagem.
No entanto, a tecnologia também tem gerado resistência em diferentes regiões do Estado, especialmente quando a localização dos equipamentos pode ampliar o custo para moradores que utilizam as rodovias diariamente.
Em São Bernardo, a instalação do pórtico no km 29 era alvo de críticas por atingir motoristas que fazem percursos locais, sem utilizar integralmente o Sistema Anchieta-Imigrantes. Durante os protestos, moradores defenderam que a medida criaria um “pedágio urbano” e aumentaria o custo de deslocamento de trabalhadores, estudantes e comerciantes.
Com o anúncio do reposicionamento, o governo reconhece, na prática, a necessidade de rever o projeto diante das reclamações da população. Apesar da mudança, a gestão estadual ainda não informou quando o novo equipamento será instalado nem quando o sistema de cobrança eletrônica começará a operar no trecho.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos e a concessionária responsável pela operação deverão divulgar, nos próximos dias, um novo cronograma para a implantação do free flow. Até lá, o sistema permanece sem previsão oficial de entrada em funcionamento no Sistema Anchieta-Imigrantes.