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O Destempero do Governador de SP

Política

Tarcísio: a face dura por trás do discurso técnico. Ele até tenta se afastar de aliados no momento da crise, mas fotos e alianças do passado cobram seu preço. Aliás, um preço caro que ele tenta esconder, mas todo mundo sabe como acontece os encontros sigilosos com quem tá na mira da Polícia Federal.

A política tem uma memória inconveniente: as fotografias permanecem quando os discursos mudam. Nos momentos de prestígio, alianças são exibidas, encontros são celebrados e apoiadores aparecem lado a lado nos registros oficiais. Mas, quando surgem crises e cobranças públicas, muitos políticos tentam reescrever a própria história e reduzir vínculos que, até pouco tempo atrás, eram apresentados como estratégicos.

É nesse cenário que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, passa a ser cobrado pela relação construída ao longo dos últimos anos com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o fujão, Eduardo Bolsonaro. A aproximação foi pública, com agendas, declarações de apoio e registros fotográficos que ajudaram a construir a imagem de uma aliança sólida.

Nos bastidores da política paulista, o estilo de comando de Tarcísio de Freitas também é alvo de críticas. É só fazer uma perguntinha mais ácida pra ele mostrar o nervosismo e a arrogância de sempre nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes. Só quem convive com ele sabe, o temperamento arredio e autoritário dominam o ambiente.

Interlocutores relatam que o governador adota uma postura considerada dura demais nas reuniões, com cobranças diretas e, em algumas situações, uma forma de comunicação vista por integrantes da própria equipe como ríspida e pouco aberta ao diálogo.

Conversei com dois assessores do Palácio dos Bandeirantes que relataram o destempero e despreparo quando vem matérias críticas ao governo dele. O Homem fica bravo e sai distribuindo patadas para todos os lados.

“Tem sido assim toda semana. Até mesmo antes da campanha, o temperamento dele (Tarcísio) é horrível. A gente tem que engolir calado”, confidenciou uma fonte do Palácio dos Bandeirantes que prefere o anonimato. 

É nesse ambiente que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenta administrar o desgaste provocado por relações construídas ao longo de sua trajetória política.

Agora, diante do desgaste provocado por novas polêmicas envolvendo aliados e figuras próximas ao grupo, Tarcísio busca preservar sua imagem e se afastar de associações que antes eram politicamente convenientes. O movimento, porém, levanta uma pergunta inevitável: alianças políticas podem ser descartadas apenas quando deixam de ser vantajosas?

Exemplo claro, Daniel Vorcaro. O banqueiro que financiou a campanha de Tarcísio. O governador que adorava se encontrar nos bastidores, né? Depois da crise, Tarcísio sumiu. Nem toca no assunto. Finge de defunto. A crítica que cresce nos bastidores é justamente essa: quando há capital político, apoio financeiro e estrutura eleitoral em jogo, a proximidade costuma ser apresentada como parceria; quando aparecem problemas, a tendência é transferir responsabilidades e agir como se os vínculos nunca tivessem existido.

“… todo dia tem uma novidade nada boa. Os nervos ficam a ‘flor da pele. No dia que você for ao Palácio fazer cobertura, pergunta pra algum funcionário se eles gostam do Tarcísio? A resposta vai ser cara feia. Ele passa uma imagem de tranquilo, mas de tranquilo não tem nada. Pergunta pra assessora dele direta, que praticamente foi descartada, como é a relação?’, disse uma outra fonte da comunicação do palácio do governo que também será preservada. 

Além das alianças, o governador também enfrenta cobranças sobre promessas feitas durante a campanha e o governo. Projetos anunciados como prioridades ainda são alvo de críticas por setores da sociedade que apontam dificuldades na entrega de resultados concretos em áreas como serviços públicos, educação, segurança e gestão do Estado.

O episódio reforça um dilema comum na política: a distância entre a imagem construída em campanhas e a realidade das relações mantidas nos bastidores. Fotografias, apoios e alianças feitas em períodos de conveniência acabam se tornando parte do histórico público de qualquer governante.

No fim, a crise revela uma velha regra da política: os aliados escolhidos nos momentos de vitória são esquecidos nos momentos de dificuldade. A tentativa de apagar antigas proximidades costuma enfrentar um obstáculo simples — os registros permanecem.

E no final, a pergunta: e o destempero do governador? Basta só ver a resposta dele quando algum jornalista faz uma pergunta sobre o passado de quem caminhou com ele. Afinal, a resposta está estampada no cara de todo mundo.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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