A Polícia Federal indiciou o ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, sob suspeita de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a investigação, Oliveira teria recebido cerca de R$ 550 mil em propina para favorecer uma entidade investigada por fraudes contra beneficiários da Previdência.
De acordo com a PF, os pagamentos teriam sido realizados por meio de operadores ligados à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade apontada pelos investigadores como uma das organizações envolvidas em descontos associativos considerados irregulares em benefícios do INSS.
A investigação afirma que José Carlos Oliveira teria usado sua posição institucional para evitar medidas contra a atuação da entidade. Os investigadores apontam que, durante sua gestão, foram autorizados procedimentos que permitiram descontos que chegaram a R$ 15,3 milhões relacionados à Conafer.
Além do ex-ministro, a PF também indiciou outros nomes ligados ao caso, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e integrantes da estrutura apontada como responsável pelo esquema. As acusações incluem crimes como corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo os investigadores, o suposto esquema teria funcionado por meio de uma rede de pagamentos e intermediários financeiros. A PF afirma que valores destinados ao ex-ministro teriam passado por triangulações bancárias e operações simuladas para ocultar a origem dos recursos.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, que atingiram milhares de beneficiários do INSS. A Polícia Federal apura a participação de agentes públicos, dirigentes de entidades e operadores financeiros na estrutura que teria permitido as fraudes.
José Carlos Oliveira ainda não foi condenado e tem direito à defesa e à presunção de inocência. A defesa dos investigados pode contestar as conclusões da Polícia Federal durante o andamento do processo.
O avanço das investigações amplia a pressão sobre a estrutura de fiscalização do INSS e coloca sob questionamento a atuação de integrantes que ocuparam cargos estratégicos na administração da Previdência durante o governo Bolsonaro.