Em sua primeira participação no podcast Inteligência Ltda., apresentado por Rogério Vilela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) percorreu sua trajetória pessoal e política, fez críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou a defender empresas estatais, comentou a sucessão dentro do Partido dos Trabalhadores e afirmou ver risco de influência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026.
Durante mais de duas horas de conversa, Lula relembrou sua infância em Pernambuco, a mudança para São Paulo, o período como metalúrgico e líder sindical e os primeiros anos de sua carreira política.
O presidente também reconheceu que não estava preparado para governar quando disputou a Presidência pela primeira vez, em 1989, e atribuiu a derrota de 1994 ao impacto do Plano Real. Segundo ele, a estratégia conhecida como “Lulinha Paz e Amor” foi decisiva para ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade e conquistar a eleição de 2002.
Ao comentar a política econômica do governo, o presidente voltou a criticar as propostas de ajuste fiscal e defendeu a ampliação da circulação de renda na economia. Para Lula, a concentração de recursos prejudica o desenvolvimento do país.
“Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos e muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos”, afirmou.
Lula não vai a debate no Primeiro Turno
Lula afirmou que, se for candidato à reeleição em 2026, não pretende participar de debates no primeiro turno, argumentando que esse formato tem sido usado para ataques pessoais e não para discutir propostas. Ele disse que só considera participar de um eventual debate no segundo turno.
Eu estou vendo o quadro eleitoral, não sei quantos candidatos vão ter ainda. Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. Eu quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou responder sacanagem? Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém? – declarou Lula.
Críticas a Bolsonaro
Questionado sobre a pandemia de Covid-19, Lula voltou a criticar a condução do governo Bolsonaro. O presidente defendeu que um chefe de Estado deve ouvir especialistas e basear suas decisões em evidências técnicas, especialmente em situações de emergência sanitária.
Privatizações e papel do Estado
Outro tema recorrente da entrevista foi a atuação do Estado na economia. Lula voltou a criticar processos de privatização realizados nos últimos anos, citando empresas como Sabesp e Eletrobras. Segundo o presidente, setores considerados estratégicos devem permanecer sob controle público para garantir investimentos e prestação de serviços à população.

Sucessão no PT
Ao abordar o futuro do Partido dos Trabalhadores, Lula afirmou que trabalhou para formar novas lideranças ao longo de sua trajetória política e mencionou nomes como Dilma Rousseff e Fernando Haddad. O presidente voltou a defender a renovação partidária, mas ressaltou a importância da experiência acumulada por lideranças históricas da legenda.
Eleições de 2026
Na reta final da entrevista, Lula comentou o cenário eleitoral e afirmou acreditar que haverá tentativas de interferência internacional no processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, agentes políticos dos Estados Unidos poderão atuar para favorecer adversários do governo brasileiro.
Lula diz que não vai usar o cargo para defender o filho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que não pretende usar o cargo para beneficiar seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, caso ele venha a responder a investigações.
Se ele tiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer a coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver na televisão chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava-Jato. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia e eu acredito nele – disse, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Público jovem
A participação no podcast também foi interpretada como um movimento para ampliar o diálogo com o público mais jovem e usuários de plataformas digitais. Ao longo da conversa, Lula dedicou parte significativa do tempo para contar episódios de sua história pessoal e explicar momentos marcantes de sua trajetória política, buscando contextualizar sua carreira para uma geração que não acompanhou seus primeiros mandatos.
A entrevista marcou a estreia de Lula no Inteligência Ltda., um dos principais podcasts do país, em um momento em que o presidente intensifica sua presença em diferentes formatos de comunicação de olho no debate público e no cenário eleitoral de 2026.