O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, contratou um empréstimo de R$ 5,5 milhões junto ao Banco Master em novembro de 2020 para financiar a compra de um apartamento duplex em São Paulo. A operação veio à tona após documentos apresentados pelo liquidante judicial da instituição financeira em um processo que investiga operações de crédito realizadas pelo banco.
Segundo os registros, o financiamento foi concedido quando Sidney já ocupava a presidência da Febraban, cargo assumido em março daquele ano. O imóvel adquirido tem cerca de 410 metros quadrados e foi dado como garantia da operação por meio de alienação fiduciária, modalidade em que a propriedade permanece vinculada ao credor até a quitação integral da dívida.
O contrato previa um ano de carência para o início do pagamento e amortização em 48 parcelas mensais, com vencimento final em novembro de 2025. Entretanto, a dívida foi liquidada antecipadamente. Posteriormente, o crédito foi transferido pelo Banco Master para a Urbaniza Empreendimentos e Participações, empresa citada na documentação do processo.
Embora o nome de Isaac Sidney apareça na lista de créditos analisados pela massa liquidanda, ele não é investigado na ação judicial. O foco do processo é apurar se parte da carteira de crédito do Banco Master foi cedida a empresas e fundos ligados aos controladores da instituição, em operações que teriam provocado prejuízos bilionários ao patrimônio do banco.
Em manifestação ao Valor Econômico, reproduzida por outros veículos, Sidney afirmou que a contratação seguiu todos os procedimentos exigidos pelo mercado financeiro e apresentou documentos relativos à análise de crédito, às garantias e à quitação do financiamento.
“Não há irregularidades na operação e a divulgação dessa informação é uma retaliação”, declarou o presidente da Febraban.
Antes de assumir a presidência da Febraban, Isaac Sidney também prestou assessoria jurídica a Daniel Vorcaro, controlador do então Banco Máxima — posteriormente rebatizado de Banco Master — durante o processo de autorização da aquisição da instituição junto ao Banco Central, entre o fim de 2018 e o início de 2019.
A divulgação do financiamento ocorre em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master e seus antigos administradores. A massa liquidanda busca rastrear operações de crédito e cessões de ativos para verificar se houve transferência irregular de recursos para empresas ligadas aos controladores da instituição. Até o momento, não há indicação de irregularidade na operação firmada por Isaac Sidney, que sustenta ter contratado o empréstimo dentro das condições usuais de mercado.