O Partido dos Trabalhadores (PT) caminha para encerrar uma das principais indefinições eleitorais em Minas Gerais. O deputado federal Patrus Ananias deve ser o candidato da legenda ao governo do estado nas eleições de 2026, após costura política que reuniu as direções estadual e nacional da sigla em torno de seu nome. A formalização, no entanto, ainda depende de uma conversa entre o parlamentar e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos bastidores, dirigentes petistas tratam a escolha como praticamente definida. A avaliação é de que Patrus reúne condições para reduzir as disputas internas e liderar a construção de uma frente de apoio ao projeto de reeleição de Lula em um dos maiores colégios eleitorais do país.
A definição ocorre após semanas de negociações e sucessivas mudanças de cenário. O partido apostou inicialmente na possibilidade de uma candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que acabou desistindo da disputa. Em seguida, a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), também foi considerada para encabeçar a chapa, mas optou por manter sua pré-candidatura ao Senado, obrigando a legenda a retomar as discussões sobre um nome próprio.
Curiosamente, Patrus havia sinalizado no início do mês que seu foco seria buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Com a dificuldade do partido em consolidar outro candidato competitivo, porém, seu nome voltou ao centro das articulações e ganhou força até se transformar no principal consenso interno.
Embora o coordenador nacional do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, Jilmar Tatto, considere a questão praticamente resolvida, a assessoria de Patrus evita confirmar oficialmente a candidatura. A expectativa é que o deputado converse com Lula para definir não apenas sua participação na disputa, mas também as estratégias para a formação da chapa e das alianças que sustentarão a campanha em Minas Gerais.
Caso aceite disputar o Palácio Tiradentes, Patrus terá pela frente o desafio de ampliar a base de apoio do PT em um estado considerado estratégico para a eleição presidencial. A legenda ainda precisará definir o candidato a vice-governador e negociar a composição da chapa para o Senado, além de buscar alianças com partidos do campo de centro-esquerda.
Aos 74 anos, Patrus Ananias é um dos quadros mais tradicionais do PT. Foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, ministro do Desenvolvimento Social nos governos Lula — período em que participou da implantação do Bolsa Família — e também comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário durante a gestão Dilma Rousseff. Atualmente exerce mandato de deputado federal por Minas Gerais.
Apesar do encaminhamento político, a candidatura somente será oficializada durante as convenções partidárias, previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, o partido trabalha para transformar o consenso interno em uma chapa capaz de enfrentar uma disputa que promete ser uma das mais competitivas do país em 2026.