O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez uma enfática manifestação de apoio público ao ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos, acusado de envolvimento direto com o PCC e condenado por roubo.
No vídeo divulgado pelo próprio Ney Santos na última sexta-feira (17), o governador elogia a trajetória administrativa do aliado, atribui a ele parte de sua inserção política na Região Metropolitana de São Paulo e sinaliza apoio a uma futura candidatura de Santos. Tarcísio ainda diz que só conseguiu conhecer São Paulo com a ajuda de Ney Santos.
A manifestação ocorre apesar do histórico de investigações envolvendo Ney Santos. Ao longo dos últimos anos, o ex-prefeito teve seu nome citado em inquéritos conduzidos pelo Ministério Público e pela Polícia Civil que apuram supostas ligações com esquemas de lavagem de dinheiro, postos de combustíveis e organizações criminosas. Ney Santos sempre negou qualquer envolvimento ilícito.
No vídeo, Tarcísio afirma que a gestão de Ney Santos mudou a realidade de Embu das Artes.
“O Ney é um grande cara, uma grande liderança, foi um grande prefeito em Embu das Artes. Tem uma Embu antes e uma depois. Fez muita coisa lá, deixou muita coisa encaminhada, levou a régua para cima.” – disse Tarcísio de Freitas
O governador também elogiou a administração do atual prefeito Hugo Prado, aliado político de Ney Santos.
“Quem assumiu a prefeitura foi o Hugo Prado, que é do grupo do Ney, e está fazendo um grande trabalho também — na habitação, na drenagem, na questão urbana, no hospital. É um elenco de realizações muito grande.”
Apoio político explícito
Durante a gravação, Tarcísio afirmou que Ney Santos teve papel decisivo em sua entrada na política paulista, quando ainda era candidato ao Governo de São Paulo.
“É uma pessoa que me abraçou desde o primeiro momento, quando cheguei a São Paulo. Eu era desconhecido, não tinha entrada nenhuma na região metropolitana. Ele foi um embaixador, levando meu nome — e me tirou do zero.”
Na sequência, o governador foi além e fez um aceno direto ao futuro político do aliado.
“Roda o estado todo, gastando sola de sapato. É um tremendo líder e vai representar muito bem o Estado de São Paulo.”
Ao mencionar uma eventual candidatura de Ney Santos e de sua irmã para a Assembleia Legislativa, Tarcísio concluiu:
“Não tenho a menor dúvida.”
Tarcísio ainda diz que só conseguiu conhecer São Paulo com a ajuda de Ney Santos
A manifestação ocorre apesar do histórico de investigações envolvendo Ney Santos. Ao longo dos últimos anos, o ex-prefeito teve seu nome citado em inquéritos conduzidos pelo Ministério Público e pela Polícia Civil que apuram supostas ligações com esquemas de lavagem de dinheiro, postos de combustíveis e organizações criminosas. Ney Santos sempre negou qualquer envolvimento ilícito.
Declarações ocorrem em meio a histórico de investigações
Os elogios públicos chamam atenção porque Ney Santos acumula um histórico de investigações envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e supostos vínculos com integrantes do crime organizado. Em diferentes fases dessas apurações, o nome do ex-prefeito foi citado em investigações relacionadas a empresas de combustíveis e movimentações financeiras analisadas por autoridades. O político nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política.
Nos últimos meses, as investigações sobre a infiltração do crime organizado em setores estratégicos da economia paulista, especialmente transporte coletivo e distribuição de combustíveis, ganharam novo impulso com operações do Ministério Público e da Polícia Civil. As autoridades sustentam que organizações criminosas utilizaram empresas desses segmentos para lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Embora Ney Santos não seja alvo das operações mais recentes sobre empresas de ônibus investigadas por ligação com o PCC, seu histórico judicial e policial volta ao debate após o apoio explícito do governador.
Repercussão política
A manifestação de Tarcísio reforça a aliança construída entre os dois desde a campanha eleitoral de 2022 e ocorre em um momento em que o governador busca ampliar sua base política para as eleições de 2026.
Ao elogiar publicamente Ney Santos e projetar seu futuro político, Tarcísio associa sua imagem a uma das principais lideranças da Grande São Paulo, mesmo diante das controvérsias envolvendo o ex-prefeito e das investigações que marcaram sua trajetória pública. Até o momento, o Palácio dos Bandeirantes não comentou o histórico das apurações ao defender o aliado.
Suspeita de ligação direta com o PCC
Em 2010, quando disputava uma vaga de deputado federal, Ney Santos tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeita de manter vínculos diretos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a investigação, ele seria responsável por movimentar um patrimônio incompatível com a renda declarada e utilizaria empresas para ocultar recursos. A polícia também investigava uma suposta estratégia de aproximação com familiares de presos ligados à facção.
Lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis
Essa foi uma das principais linhas de investigação. A Polícia Civil sustentava que uma rede de aproximadamente 15 postos de combustíveis, além de uma factoring e uma ONG, poderia estar sendo utilizada para lavagem de dinheiro.
Na ocasião, a Justiça autorizou buscas e apreensões e bloqueio de bens durante a investigação. Os investigadores estimavam que o grupo movimentava milhões de reais por mês.
Enriquecimento patrimonial
Durante as investigações de 2010, a polícia afirmou que Ney Santos teria acumulado patrimônio superior a R$ 100 milhões poucos anos após deixar a prisão. Essa evolução patrimonial passou a integrar a investigação sobre possível lavagem de dinheiro.
Uso de “laranjas”
Os investigadores apontavam que parentes e ex-funcionários apareceriam como proprietários formais de empresas e bens ligados ao grupo econômico investigado. Essa hipótese fazia parte da apuração sobre ocultação patrimonial.
Prisão anterior por roubo
Antes de ingressar na política, Ney Santos cumpriu pena por roubo. Esse fato é público e consta dos registros utilizados nas reportagens e investigações posteriores. Ex-detento que ficou preso entre 2003 e 2005 por roubo, Claudinei Alves dos Santos, 30, o Ney Santos, é acusado pela polícia de usar seus postos, uma ONG e uma factoring na lavagem de dinheiro e de ter elo com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Desde quando saiu da prisão, Santos juntou, segundo a polícia, patrimônio de mais de R$ 100 milhões.
Ações eleitorais
Ao longo da carreira política, Ney Santos também respondeu a ações na Justiça Eleitoral relacionadas à elegibilidade e à candidatura. Em diferentes momentos, decisões judiciais discutiram sua situação eleitoral, embora isso seja distinto das investigações criminais.
O que há sobre a “Máfia do Transporte” e outros crimes
Até o momento, Ney Santos não se tornou réu nas recentes operações do Gaeco sobre empresas de ônibus ligadas ao PCC, como as investigações envolvendo concessionárias e empresas do setor de transporte coletivo. Essas operações atingiram outros empresários e organizações.
Ney Santos também foi denunciado no âmbito da Operação Prato Feito, do Ministério Público, que investigou supostas fraudes em licitações e corrupção envolvendo contratos de merenda e uniformes escolares em diversos municípios paulistas. As acusações incluíam crimes como organização criminosa, corrupção e fraude em licitação.
Em outro caso, Ney Santos foi denunciado pelo Ministério Público por fatos relacionados ao transporte e à posse de arma de fogo e munições de uso restrito. Em 2025, a Justiça de São Paulo o condenou em primeira instância a três anos e nove meses de prisão em regime semiaberto, assegurando-lhe o direito de recorrer em liberdade.
Em dezembro de 2016, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra Ney Santos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Promotoria sustentava que ele integraria um esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de recursos, investigado pelo DEIC, e chegou a pedir sua prisão preventiva. Na época, também havia a suspeita de vínculos com integrantes do PCC, hipótese que Ney Santos sempre negou.