Uma lágrima diante das câmeras pode produzir uma imagem muito mais poderosa e compartilhável do que dezenas de minutos de discurso. Tarcísio usou essa tática para comover eleitores na largada para a campanha oficial da tentativa de reeleição.
A campanha de Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo começou com uma cena que rapidamente ganhou espaço na cobertura política: o governador se emocionou e chorou durante a convenção do Republicanos, realizada no Ginásio do Ibirapuera.
O episódio ocorreu durante um momento de louvor, ao som da música Escape, apresentada pelo Renascer Praise.
O choro, porém, não deve ser analisado apenas como uma manifestação de emoção. Em uma campanha eleitoral, cenas de forte carga emocional também funcionam como comunicação política: geram imagens, ampliam a repercussão nos veículos de imprensa e ajudam a humanizar o candidato diante do eleitor.
A estratégia remete ao modo como Jair Bolsonaro construiu parte de sua comunicação eleitoral. Ao longo de sua trajetória política, Bolsonaro e seus aliados exploraram momentos pessoais, familiares e religiosos para produzir identificação emocional com o eleitorado e gerar forte repercussão pública. Tarcísio, por sua vez, construiu sua trajetória política justamente sob o apadrinhamento de Bolsonaro. Em 2022, sua campanha adotou deliberadamente a estratégia de aproximar sua imagem da do então presidente para conquistar o eleitorado bolsonarista.
Não é a primeira vez que Tarcísio recorre às lágrimas em momentos politicamente relevantes. Em janeiro de 2023, durante um pronunciamento, ele chorou ao agradecer à família e também ao homenagear Bolsonaro, que havia lançado sua candidatura ao governo paulista.
A questão, portanto, não é afirmar que o choro tenha sido necessariamente encenado — não há evidência para sustentar essa conclusão. O ponto é outro: na política, emoção também é ferramenta de comunicação e comove alguns eleitores.
Uma lágrima diante das câmeras pode produzir uma imagem muito mais poderosa e compartilhável do que dezenas de minutos de discurso.
Na largada de 2026, Tarcísio parece compreender bem essa lógica. Sua campanha começa apostando em símbolos, alianças e forte presença territorial. Neste domingo, 16 de agosto, o governador iniciou oficialmente a campanha em Osasco, onde também participou de uma agenda voltada ao eleitorado feminino.
Em uma eleição marcada pela disputa pela atenção do eleitor, cada gesto conta. E, quando uma campanha transforma um momento de emoção em uma imagem que circula pelos jornais, televisão e redes sociais, o candidato consegue algo precioso: mais alguns minutos de exposição gratuita e, sobretudo, a permanência de seu nome no centro do debate público.
Marqueteiro manda Tarcísio dizer que acertou e errou para passar imagem de gestor humilde
Um dos movimentos mais calculados do discurso de Tarcísio foi admitir que, durante o mandato, acertou e errou. A escolha não parece casual. A orientação de reconhecer publicamente erros busca responder a uma cobrança que ganhou força nos debates eleitorais, especialmente após os ataques de Fernando Haddad à gestão do governador.
A estratégia é conhecida no marketing político: em vez de tentar sustentar a imagem de um governo sem falhas, o candidato admite que cometeu erros para transmitir humildade e, ao mesmo tempo, assumir o controle da narrativa. Depois de ser pressionado por Haddad, Tarcísio passou a incorporar essa fórmula ao discurso: reconhecer que errou, destacar os acertos e tentar transformar as críticas em demonstração de maturidade política.
A mensagem por trás da estratégia é simples: “sim, houve erros, mas os acertos foram maiores”. É uma tentativa de impedir que a oposição seja a única responsável por definir o balanço do governo e de apresentar Tarcísio ao eleitor como alguém capaz de reconhecer falhas sem abrir mão de defender sua administração.