O mercado financeiro brasileiro voltou a refletir negativamente nesta sexta-feira (17) os efeitos do novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em um pregão marcado por forte volatilidade, o Ibovespa fechou em queda de 0,06%, aos 173.714 pontos, com investidores reduzindo posições diante das incertezas sobre os impactos econômicos da medida e da deterioração das relações comerciais entre Brasília e Washington.
Apesar da perda modesta no fechamento, o índice passou boa parte do dia operando em território negativo. O desempenho foi parcialmente amenizado pela valorização das ações da Petrobras, impulsionadas pela alta internacional do petróleo, mas não foi suficiente para eliminar o clima de aversão ao risco que predominou na B3.
O principal fator de preocupação continua sendo o chamado “tarifaço” imposto pelo governo do presidente Donald Trump. O mercado avalia que o aumento das tarifas tende a reduzir a competitividade de diversos produtos brasileiros nos Estados Unidos, pressionando empresas exportadoras e afetando as perspectivas de crescimento de setores relevantes da economia nacional.
Analistas apontam que as maiores pressões recaem sobre segmentos como siderurgia, metalurgia, máquinas e bens industriais, que possuem maior dependência das vendas ao mercado norte-americano. Embora o governo dos Estados Unidos tenha ampliado a lista de exceções, preservando centenas de produtos, investidores seguem cautelosos quanto aos efeitos indiretos da medida sobre investimentos, produção e geração de empregos.
Além das preocupações domésticas, o pregão também foi influenciado pelo cenário externo. Bolsas internacionais registraram forte volatilidade após a realização de lucros em ações de tecnologia e o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fatores que elevaram a busca global por ativos considerados mais seguros.
Na avaliação de especialistas, o tarifaço amplia a percepção de risco sobre o Brasil, reduz o interesse do investidor estrangeiro pela renda variável e fortalece a expectativa de desaceleração econômica. Esse cenário pode, inclusive, aumentar as apostas de cortes futuros na taxa básica de juros caso a atividade econômica perca força nos próximos meses.
Enquanto o governo brasileiro afirma que buscará uma solução diplomática para o impasse comercial, o mercado continuará atento aos próximos desdobramentos das negociações entre os dois países. Até que haja maior clareza sobre o alcance das tarifas e possíveis medidas de compensação, a tendência é que a Bolsa brasileira permaneça sensível a qualquer nova informação relacionada à disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.