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Zema deixa Minas Gerais endividada e patrimônio pessoal dispara em 86%

Brasil

Patrimônio declarado do ex-governador saltou de R$ 69,7 milhões para R$ 129,8 milhões durante o período em que comandou Minas; enquanto isso, Estado encerrou ciclo com dívida superior a R$ 200 bilhões.

O Partido Novo oficializou, segunda-feira (27), a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República. A deliberação ocorreu durante a convenção nacional da legenda, realizada em Brasília.

Depois de 7 anos e 2 meses à frente do Governo de Minas Gerais, Romeu Zema deixa o Estado com uma dívida bilionária. Enquanto construiu nacionalmente a imagem de gestor austero e defensor do equilíbrio das contas públicas, sua administração terminou cercada por questionamentos sobre incentivos fiscais, favorecimento a grupos empresariais, investigações, articulações políticas e a baixa efetividade das medidas adotadas para sanear as finanças do Estado.

  • Dívida consolidada total do Estado: cerca de R$ 205 bilhões no início de 2026, segundo o Boletim da Dívida Pública da Secretaria de Estado da Fazenda.
  • Dívida com a União: aproximadamente R$ 179,3 bilhões, valor refinanciado com a adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), com data-base de 1º de dezembro de 2025.

Dívida de Minas Gerais antes da Gestão Zema

  • Dívida Consolidada Líquida (indicador fiscal oficial): R$ 106,5 bilhões ao final de 2018, segundo o Relatório de Gestão Fiscal do Estado.
  • Dívida bruta (estoque total dos débitos): cerca de R$ 114,7 bilhões em janeiro de 2019. Esse é o indicador mais utilizado nas comparações ao longo da gestão Zema.

Ao longo dos dois mandatos de Romeu Zema, a dívida bruta de Minas Gerais aumentou em aproximadamente R$ 86,4 bilhões, passando de R$ 114,7 bilhões, em janeiro de 2019, para R$ 201,09 bilhões ao fim de 2025 — um crescimento nominal de 75,3%, segundo dados da Secretaria de Estado de Fazenda.

Benefícios concedidos à própria família

Um dos principais pontos de desgaste envolve a política de benefícios tributários concedidos durante sua gestão. O caso que mais repercutiu foi a autorização de incentivos à Eletrozema, empresa pertencente ao grupo fundado pela família do então governador.

Empresa da família Zema recebeu R$ 2,28 milhões em benefício fiscal durante governo do ex-governador.

A informação veio à tona após a divulgação da relação de empresas beneficiadas por incentivos fiscais, determinada pela Justiça depois de uma disputa sobre a transparência desses dados. A publicação revelou que mais de quatro mil empresas receberam regimes especiais de tributação, entre elas a Eletrozema.

Segundo registros da Receita Federal, a Eletrozema continua ligada ao núcleo familiar do ex-governador. A empresa tem Romero Zema, irmão de Romeu Zema, como presidente, enquanto Ricardo Zema Neto, sobrinho do ex-governador, ocupa cargo de direção. Romeu Zema permanece como sócio do grupo empresarial.

Zema abandonou aliados para beneficiar amigos

Na Assembleia Legislativa, a oposição também passou a questionar a ampliação da base política do governador. Parlamentares afirmam que, ao longo do segundo mandato, Zema abandonou parte do discurso de renovação que marcou sua primeira eleição e intensificou negociações para acomodar partidos e lideranças em cargos estratégicos da administração estadual, consolidando uma base de sustentação para aprovar projetos considerados prioritários pelo Palácio Tiradentes.

Zema durante Live tentando se defender das acusações

Na área fiscal, embora o governo tenha defendido avanços na contenção de despesas e nas negociações com a União para reestruturar a dívida mineira, Minas Gerais encerra o ciclo administrativo ainda convivendo com um dos maiores passivos financeiros do país.

A dívida do Estado com a União permanece na casa de centenas de bilhões de reais, enquanto projeções orçamentárias elaboradas pela própria administração indicavam déficit nas contas públicas e necessidade de manutenção de medidas de ajuste fiscal nos anos seguintes.

Zema ficou mais rico depois que virou governador

O patrimônio declarado de Romeu Zema aumentou durante o período em que ele era governador, segundo as declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A situação financeira contrasta com o discurso adotado por Zema desde 2019, quando assumiu o governo prometendo recuperar as contas do Estado, modernizar a administração pública e eliminar privilégios.

Apesar de avanços apontados pelo governo em áreas como atração de investimentos privados e equilíbrio entre receitas e despesas correntes, especialistas ressaltam que a recuperação estrutural das finanças mineiras permaneceu incompleta e dependente da renegociação da dívida com a União.

Outro tema que gerou críticas foi a política de incentivos fiscais adotada para grandes empresas. Entidades ligadas ao funcionalismo e parlamentares da oposição argumentam que o Estado abriu mão de arrecadação bilionária ao mesmo tempo em que mantinha restrições orçamentárias para investimentos e reajustes salariais de servidores.

O governo sempre rebateu essas críticas afirmando que os benefícios tributários são instrumentos de desenvolvimento econômico, preservação de empregos e atração de novos empreendimentos.

Com a entrada definitiva de Romeu Zema no cenário nacional e sua movimentação como um dos nomes da direita para a disputa presidencial, o legado de sua administração em Minas Gerais tende a ganhar protagonismo no debate eleitoral. De um lado, aliados destacam indicadores de investimentos privados, simplificação administrativa e reformas estruturais.

De outro, adversários prometem explorar o passivo fiscal, os incentivos tributários concedidos durante sua gestão e os episódios que levantaram questionamentos sobre conflitos de interesse envolvendo empresas ligadas à família do ex-governador.

Procurado em diferentes ocasiões para comentar as críticas relacionadas aos incentivos fiscais e à condução das contas públicas, o aumento patrimonial, o governo de Romeu Zema afirmou que todas as medidas seguiram a legislação vigente, foram embasadas por pareceres técnicos e tiveram como objetivo fortalecer a economia mineira, preservar empregos e garantir a sustentabilidade fiscal do Estado.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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