O novo episódio da série jornalística Revelando, apresentado por Fábio Porchat e publicado nesta terça-feira (20), apresenta um organograma de relações empresariais e financeiras que coloca o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em destaque. Intitulado “República dos Laranjas”, o vídeo amplia as conexões investigadas pela produção entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o advogado Willer Tomaz e diferentes personagens do meio político e empresarial.
A reportagem parte de uma questão central: quem aparece formalmente como proprietário de empresas, contas e imóveis corresponde necessariamente a quem controla esses bens e operações?
É a partir dessa diferença que Porchat constrói a narrativa sobre possíveis interpostas pessoas, sociedades empresariais e estruturas financeiras que, segundo o programa, precisam ser examinadas em conjunto.
FLÁVIO BOLSONARO E O DINHEIRO SUJO
O episódio retoma as relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e acrescenta novos elementos envolvendo Willer Tomaz, advogado que mantém relação de proximidade com o senador. A produção também aborda estruturas empresariais, contas no exterior, viagens e propriedades que, segundo o apresentador, conectam pessoas que não necessariamente aparecem juntas nos registros formais dos negócios.
Um dos pontos destacados é a empresa offshore Alcazar Holding. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 19 de outubro, a Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e Flávio.
A apuração aponta que o senador tinha acesso operacional relevante, como usuário master, a uma conta bancária pertencente à empresa. A defesa de Tomaz afirma que suas participações empresariais são lícitas e nega a existência de sócios ocultos ou patrimônio escondido. (Folha de S.Paulo)
O vínculo é relevante para a investigação jornalística porque coloca sob análise a relação entre acesso a contas, titularidade empresarial e movimentações financeiras. Esses elementos, porém, precisam ser avaliados à luz dos documentos e das conclusões das autoridades, sem confundir suspeitas com comprovação de crime.
Empresas, jatinho e mansão em Angra dos Reis
Outro eixo do vídeo envolve a Prime You, empresa mencionada na reportagem em conexão com despesas de viagens e hospedagens. Segundo o relato apresentado por Porchat, passagens e acomodações de mulheres levadas a festas de empresários e autoridades teriam sido faturadas para a companhia.
A produção também relaciona a estrutura empresarial à mansão em Angra dos Reis (RJ), onde Flávio Bolsonaro realizou uma festa para a filha. O programa questiona como diferentes empresas, propriedades e pessoas se conectariam e quem seriam os beneficiários efetivos dessas operações.
O vídeo vai além das relações bancárias e empresariais ao apresentar alegações sobre festas privadas nas quais mulheres seriam recrutadas e remuneradas para atender convidados. Porchat sugere possíveis conexões indiretas com prostituição e tráfico de mulheres. Trata-se de uma acusação grave apresentada pelo programa, que deve ser distinguida de uma conclusão judicial sobre a participação de cada pessoa citada.
A existência de uma relação comercial ou societária, isoladamente, não comprova envolvimento em tráfico humano, prostituição forçada ou qualquer outra prática criminosa.
Willer Tomaz e a investigação da Polícia Federal
O advogado Willer Tomaz ocupa posição importante na rede descrita pelo episódio. Além da relação com Flávio Bolsonaro, ele aparece em uma investigação da Polícia Federal sobre movimentações suspeitas relacionadas ao setor de apostas.
Reportagem da Folha informa que a apuração também examina possíveis irregularidades ligadas à licitação da Loterj vencida pela Pixs Cobrança, atual RioPag, e investiga pagamentos que teriam como beneficiário final o ex-deputado Alexandre Ramagem.
O caso também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Os citados têm direito à presunção de inocência, e as suspeitas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
A defesa de Tomaz sustenta que suas relações com Flávio decorrem de amizade entre as famílias e que as empresas e participações do advogado são lícitas. A campanha do senador, em manifestação anterior citada pela Folha, também afirmou que a relação entre ambos é exclusivamente de amizade.
O que o organograma coloca em discussão
A principal contribuição do episódio é reunir visualmente relações que, vistas de forma isolada, poderiam parecer desconectadas: sociedades empresariais, contas no exterior, despesas de viagens, imóveis, festas privadas e vínculos pessoais com integrantes do poder.
O organograma apresentado pelo Revelando funciona como uma representação das conexões que a produção considera relevantes para a investigação jornalística. Ele não deve ser confundido com um organograma oficial de uma organização criminosa reconhecida judicialmente, nem significa que todos os nomes citados tenham cometido crimes.
A questão que permanece é se as relações financeiras e empresariais descritas poderão ser esclarecidas integralmente pelas autoridades, com a identificação dos responsáveis pelas operações, dos beneficiários efetivos e da origem e destinação dos recursos.
Em um momento de disputa presidencial, as respostas exigem transparência, acesso aos elementos da investigação e apuração rigorosa. As acusações contra Flávio Bolsonaro e os demais citados precisam ser examinadas com base em provas, manifestações das defesas e decisões das autoridades competentes.
Assista ao episódio: Revelando: República dos Laranjas com Fábio Porchat — episódio 7, no YouTube.