Durante o debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado em 18 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre temas relacionados à sua trajetória política e às posições que adotou ao longo da carreira.
Entre os assuntos que voltaram à discussão está o voto contrário à ampliação da licença-maternidade, registrado pelo então deputado estadual em 2009, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Naquele ano, a Assembleia analisou uma proposta de emenda constitucional apresentada pelo então deputado Marcelo Freixo, que pretendia ampliar de quatro para seis meses a licença-maternidade das servidoras públicas estaduais.
Segundo o relato recuperado pelo podcast citado na reportagem, a proposta foi aprovada por 54 votos favoráveis e apenas um contrário: o de Flávio Bolsonaro.
A justificativa atribuída ao parlamentar chamou atenção por abordar a questão sob a perspectiva dos empregadores. Na ocasião, Flávio teria argumentado que a ampliação do período de licença poderia pesar na decisão de contratação de mulheres jovens.
“Você acha que ele, no caso o empresário, vai preferir contratar uma mulher da faixa etária de 18 a 25 anos ou então alguém do sexo masculino?”, teria afirmado o então deputado, conforme o trecho reproduzido pelo podcast.
A declaração coloca em evidência uma posição política que afeta diretamente o debate sobre igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.
Em vez de tratar a ampliação da licença como uma medida de proteção à maternidade e à saúde da mulher e do bebê, o argumento atribuído a Flávio priorizava a possível reação dos empresários diante da contratação de trabalhadoras em idade reprodutiva.
FLÁVIO É CONTRA O TRABALHADOR
O episódio ganha relevância no contexto das discussões sobre as propostas econômicas e trabalhistas defendidas por Flávio Bolsonaro. A posição adotada em 2009 permite questionar como o candidato pretende conciliar os interesses empresariais com a proteção dos direitos sociais e trabalhistas.
A licença-maternidade é uma garantia prevista na legislação brasileira e está relacionada à recuperação da mãe, à saúde do bebê e à convivência familiar nos primeiros meses de vida. A ampliação desse período para seis meses também é defendida como uma forma de favorecer a amamentação e o desenvolvimento infantil.
O voto de Flávio não é apenas um registro de sua passagem pela Alerj: é um dado de sua trajetória parlamentar que pode ser confrontado com suas atuais propostas para o país.
A questão central permanece: por que Flávio Bolsonaro votou contra a ampliação da licença-maternidade e sustentou seu argumento com a possibilidade de empresários preferirem contratar homens em vez de mulheres jovens?
Ouça o trecho que resgata o episódio: Podcast resgata que Flávio votou contra licença-maternidade