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EXCLUSIVO: POLÍCIA FEDERAL AVANÇA NA RELAÇÃO CRIMINOSA DE WILLER E FLÁVIO BOLSONARO

Política

Depósitos de R$ 258 milhões, apostas que chegaram a R$ 5 bilhões, empresas na Ilha da Madeira e viagens internacionais pagas por companhia ligada ao advogado estão entre os elementos que a Polícia Federal precisa esclarecer. Investigação busca determinar se houve lavagem de dinheiro e qual foi a participação de cada envolvido.

O Radar Brasileiro dá um passo a frente e mostra agora informações EXCLUSIVAS repassadas a nossa reportagem que já estão no inquérito da Polícia Federal.

O Radar Brasileiro teve acesso a seis frentes prioritárias já reveladas na investigação:

  1. Rastreamento do dinheiro: identificou a origem dos depósitos, o percurso das transferências e os beneficiários finais dos recursos relacionados às apostas.
  2. Operações internacionais: verificou que houve transferências das contas investigadas para empresas ou contas no exterior, com datas, valores e titulares.
  3. Controle societário: já estabeleceu quem efetivamente controlava a Cathedral Holdings, a Alcazar Holdings, a Rede Loto e as demais empresas relacionadas.
  4. Acesso bancário: esclareceu os poderes atribuídos a Flávio na conta vinculada à Alcazar Holdings e se houve movimentações realizadas por ele. Mensagens já foram periciadas.
  5. Benefícios pessoais: PF segue apurando a origem dos pagamentos de viagens internacionais e a eventual existência de contrapartidas a Flávio Bolsonaro.
  6. Relações políticas e empresariais: já existem vínculos documentados entre pessoas investigadas, financiadores eleitorais e decisões públicas relacionadas ao setor de apostas.

A documentação inclui registros bancários, contratos de câmbio, declarações fiscais, documentos societários portugueses, registros de beneficiários efetivos, relatórios de prevenção à lavagem de dinheiro e prestação de contas eleitorais. Esse inquérito já tem mais de 3 mil páginas.

A investigação da Polícia Federal sobre as relações financeiras entre o advogado Willer Tomaz e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) abriu uma frente de apuração que envolve plataformas de apostas, empresas registradas no exterior, movimentações bancárias de grande volume e despesas particulares custeadas por companhias ligadas ao advogado.

As informações da PF mostram que o caso vai além da relação pessoal entre os dois. Em 18 de outubro de 2026, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de investigação contra Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a Willer.

O caso ficou sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

R$ 1,4 BILHÃO EM TRANSAÇÕES E R$ 5 BILHÕES EM APOSTAS

Uma das principais frentes envolve a Blaze, plataforma operada no Brasil pela Foggo Entertainment.

A Polícia Federal investiga aproximadamente R$ 1,4 bilhão em transações financeiras envolvendo Willer Tomaz e a plataforma. Os investigadores apuram a hipótese de que apostas e transferências entre contas ligadas ao advogado possam ter sido utilizadas para ocultar a origem ou o destino de recursos.

A suspeita inclui a possibilidade de que Willer exercesse participação societária não declarada na empresa. Ele nega ter participação societária ou comercial na Blaze.

No dia 20 de outubro Willer depositou mais de R$ 258 milhões na Foggo em 2025 e movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas durante o ano. Os saques superaram R$ 200 milhões, embora grande parte das operações tenha ocorrido dentro da própria plataforma, com valores ganhos, perdidos ou reapostados.

A diferença entre os depósitos e o volume total apostado exige uma análise técnica. O valor apostado não equivale necessariamente a dinheiro novo recebido nem a lucro obtido. Entretanto, a PF precisa determinar se a sequência de operações correspondeu a apostas efetivas ou se alguma parcela foi utilizada para dar aparência de legitimidade a recursos de outra origem.

A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também apontou falhas nos mecanismos de monitoramento da Blaze e questionou a fiscalização de operações de alto valor.

OFFSHORES NA ILHA DA MADEIRA E A CONEXÃO COM FLÁVIO

Outro ponto decisivo é a estrutura empresarial registrada em Portugal.

Em 20 de outubro a PF identificou a Cathedral Holdings S.A., registrada na Ilha da Madeira, como controladora da Rede Loto, empresa ligada a Willer Tomaz e familiares. A companhia aparece também em registros relacionados ao pagamento de viagens internacionais de Flávio Bolsonaro.

Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que Flávio tinha acesso operacional como usuário master a uma conta bancária do Santander vinculada à Alcazar Holdings, outra empresa registrada na Ilha da Madeira e ligada a Willer. Em maio de 2025, uma funcionária solicitou a desvinculação do nome do senador da conta.

Flávio nega ter tido acesso ou poderes sobre contas das empresas do advogado. A extensão desse acesso, sua finalidade e a existência de eventuais operações realizadas pelo senador precisam ser esclarecidas a partir dos documentos bancários e dos registros de autorização.

VIAGENS INTERNACIONAIS PAGAS POR EMPRESA LIGADA A WILLER

A Polícia Federal também precisa esclarecer as despesas de viagens internacionais de Flávio Bolsonaro em 2025.

Voos privados entre Portugal e França foram pagos por intermédio de uma empresa ligada a Willer. Os registros incluem deslocamentos entre Lisboa e Nice, em abril, e viagens envolvendo Cascais, Nice e Paris, em maio.

A defesa de Willer afirmou que as viagens foram passeios particulares entre amigos e familiares, custeados por ele, sem contrapartida. Flávio declarou que sua relação com o advogado é exclusivamente de amizade.

REDE LOTO E RIOPAG: A INVESTIGAÇÃO SOBRE O MERCADO DE APOSTAS

A apuração também alcança a Rede Loto, que obteve uma licença da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) em 2023 após pagar R$ 5 milhões pelo credenciamento.

Segundo a PF, a empresa chegou a lançar três casas de apostas e informou ter incorporado outra marca, mas abandonou as operações pouco depois dos lançamentos, sem realizar publicidade relevante. A empresa sustenta que sua atividade comercial foi limitada.

Outro eixo envolve a RioPag, empresa de processamento de pagamentos de apostas cujo controle de fato é atribuído a Willer por investigadores e reportagens. A empresa nega que ele seja seu proprietário e afirma que sua atuação é jurídica.

A RioPag é acusada pela Loterj de reter R$ 9,4 milhões em verbas públicas, além de ser alvo de cobrança de multa. Em setembro de 2026, a autarquia rescindiu o contrato, mas a medida foi suspensa por liminar judicial.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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