A convenção nacional do PL, realizada neste sábado (25), oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e consolidou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um dos principais fiadores políticos do projeto eleitoral.
O evento, porém, foi marcado pela apresentação de propostas vagas e repetitivas sobre os aliados investigados e também pela tentativa de manter viva a influência política do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e atualmente em prisão domiciliar.
Ao longo da convenção, Bolsonaro voltou a aparecer como protagonista da campanha, mesmo estando submetido a medidas judiciais que restringem sua comunicação pública e sua participação em atividades político-eleitorais. A estratégia reacendeu críticas de adversários e também levantou questionamentos sobre o cumprimento das determinações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os principais fatos do evento
Questionando das urnas e risadas
Em seu discurso, Flávio voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas sem apresentar provas, repetindo uma narrativa já rejeitada pela Justiça Eleitoral. Ao seu lado, Tarcísio endossou a candidatura e reafirmou a aliança política com a família Bolsonaro, mesmo diante da condenação do ex-presidente por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e do debate sobre o cumprimento das medidas impostas em sua prisão domiciliar.
Flávio Bolsonaro oficializado candidato
O PL confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, tendo Tarcísio de Freitas como principal aliado político na largada da campanha.
“Como todos aqui sabem eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz, mas eu garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que esperamos, nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam em nosso país.”
Bolsonaro continua no centro da campanha
Embora cumpra prisão domiciliar, Jair Bolsonaro voltou a ser utilizado como principal cabo eleitoral do filho. O ex-presidente foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
“Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”, começa o discurso.
Restrições impostas pela Justiça
Entre as medidas determinadas pelo STF estão a proibição de utilizar telefone celular, acessar redes sociais, gravar vídeos ou se manifestar politicamente por intermédio de terceiros, além de restrições às visitas com finalidade político-eleitoral.
Na gravação, o ex-presidente afirma:
“Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos.”
As visitas de Flávio Bolsonaro, inclusive, foram suspensas por 90 dias após a divulgação de uma carta do pai nas redes sociais.
“Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.”
Telefonema de Alexandre Frota gera nova polêmica
Nesta semana, uma ligação feita ao vivo pelo ex-deputado Alexandre Frota durante uma entrevista a TMC reacendeu o debate sobre eventual descumprimento das medidas cautelares. A defesa de Jair Bolsonaro negou que ele tenha atendido o telefonema, mas o episódio ampliou a discussão sobre o cumprimento das restrições impostas pela Justiça. Para aliados, Bolsonaro foi quem atendeu o telefonema.
Vídeo com inteligência artificial vira alvo de críticas
Outro momento que repercutiu foi a divulgação de um vídeo produzido com inteligência artificial simulando Jair Bolsonaro enviando uma mensagem aos apoiadores. A peça foi alvo de críticas nas redes sociais, inclusive entre parte de apoiadores, que classificaram a estratégia como artificial e constrangedora.
Discurso repete ataques às urnas
Durante o evento, voltaram a ser feitas declarações colocando em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. As urnas eletrônicas, contudo, são auditáveis e sua segurança tem sido reiteradamente reconhecida pela Justiça Eleitoral, sem que tenham sido apresentadas provas de fraude nas eleições nacionais. Declarações desse tipo voltam a alimentar um discurso já rejeitado por decisões da Justiça Eleitoral e do STF.
Tarcísio homenageia Javier Milei
Antes da convenção, Tarcísio de Freitas recebeu o presidente argentino Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes e lhe concedeu a Ordem do Ipiranga, maior honraria do Estado de São Paulo, destinada a personalidades que tenham prestado serviços relevantes ao estado. A homenagem provocou críticas de setores políticos, que questionam quais contribuições concretas Milei teria oferecido aos paulistas para justificar a distinção.
Convenção marcada por simbolismos
A tentativa de manter Jair Bolsonaro como principal referência eleitoral, mesmo em prisão domiciliar e sob restrições judiciais, acabou dividindo espaço com a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro e com a presença de aliados nacionais e internacionais. O evento reforçou a estratégia do PL de nacionalizar a imagem do ex-presidente durante a campanha de 2026, apesar das limitações impostas pelas decisões do STF.