A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltará a operar emergencialmente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por um período de 90 dias. A intervenção foi anunciada pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) nesta quinta-feira (23), após uma sucessão de falhas graves e episódios de caos no transporte público da Grande São Paulo — registrados apenas 72 horas depois que a concessionária privada Trivia Trens assumiu a gestão definitiva do sistema.
A medida visa reestabelecer a segurança e a regularidade das viagens, além de abrir tempo para que o governo paulista e os órgãos fiscalizadores apurem as causas do colapso elétrico que paralisou a rede de trilhos da Zona Leste.
Explosão, fogo e pânico na Linha 12-Safira
O estopim para a decisão ocorreu por volta das 05h40 da manhã, entre as estações Brás e Tatuapé. Um colapso elétrico em uma composição da Linha 12-Safira provocou uma forte explosão e um incêndio subsequente. Imagens gravadas por passageiros mostram o pânico no interior do trem no momento do estouro. Um dos vagões ficou completamente carbonizado por dentro e por fora.
A falha gerou o desligamento automático de subestações de energia, paralisando em cadeia as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do serviço Expresso Aeroporto.
De acordo com o diretor de operações da Trivia Trens, Paulo Ferreira, a pane foi desencadeada por um problema de alta tensão:
“Curto-circuito gerou incêndio e desligou subestações de energia, paralisando linhas.”
Apesar da gravidade e da destruição do vagão, não houve feridos. No entanto, milhares de trabalhadores ficaram presos dentro dos trens no início do horário de pico. Com a falta de energia e de orientações claras, passageiros abriram as portas de emergência e caminharam a pé pelos trilhos.
Diante do cenário crítico, a Polícia Militar precisou intervir na região da Avenida Celso Garcia para resgatar usuários. Soldados auxiliaram idosos, pessoas com mobilidade reduzida e trabalhadores a pularem muros e descerem barrancos com a ajuda de caminhões estacionados na via.
Regulador classifica situação como “inaceitável”
Em coletiva, o diretor-presidente da Artesp, André Isper, adotou tom duro contra a concessionária e confirmou que o plano de contingência prevê a atuação imediata da estatal para reforçar a operação da Trivia.
“O que nós vimos nos últimos dois dias, especialmente hoje, foi inaceitável, inaceitável. E nós aqui na agência, como fiscalizadores e reguladores do contrato, estamos agindo de modo imediato. A ideia é que está sendo discutida até o fim da tarde, estará decidida. É a volta da CPTM para a operação em conjunto com a Trívia, que o que nós vimos realmente é muito ruim, muito.”
Em nota oficial, o órgão fiscalizador ressaltou que a CPTM possui a expertise necessária para estancar a crise enquanto o contrato de concessão passa por auditoria:
“A companhia possui corpo técnico, estrutura operacional e equipes plenamente preparadas para atuar, contribuindo para a continuidade do serviço e para a redução dos impactos aos passageiros.”
Para mitigar a falta de transporte ao longo da manhã, a concessionária solicitou o acionamento do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), disponibilizando 21 ônibus para cobrir o trecho entre as estações Bresser-Mooca e USP Leste. Durante os reparos, a Trivia Trens declarou em nota:
“As equipes técnicas atuam no local para identificar a causa da ocorrência e realizar os reparos necessários, com o objetivo de restabelecer a circulação dos trens no menor tempo possível.”
A operação nas três linhas só foi completamente regularizada no meio da tarde, por volta das 15h30.