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Checagem Radar Verdadeiro

DARK HORSE: Karina Gama e a proximidade com a família de Tarcísio de Freitas

Política

Informações obtidas pelo Radar Brasileiro apontam que a relação de Karina Gama com a esposa de Tarcísio estaria sendo mantida longe dos holofotes para evitar desgaste político durante a campanha; enquanto isso, ONG é cobrada por prestação de contas de recursos públicos. A entrada da PF amplia o alcance das apurações e coloca sob suspeita uma rede que envolve empresas, organizações sociais, contratos públicos e emendas parlamentares.

O Radar Brasileiro obteve informações de que a proximidade pessoal entre Karina Ferreira Gama, produtora do filme Dark Horse, e Cristiane Freitas, esposa do governador Tarcísio de Freitas, estaria sendo mantida fora do debate público para evitar que a relação provoque desgaste à imagem do governador durante a campanha eleitoral.

A informação ganha peso diante do momento político e das investigações envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada por Karina e que recebeu recursos públicos por meio de emendas e convênios.

A relação de Karina com o entorno de Tarcísio, portanto, não se limita a contatos institucionais. A empresária teria construído uma relação pessoal de proximidade com Cristiane Freitas, ampliando sua circulação junto ao núcleo político e familiar do governador.

O ponto que agora precisa ser esclarecido é por que essa proximidade estaria sendo deliberadamente mantida fora dos holofotes justamente quando Karina e suas organizações passaram a ser alvo de questionamentos sobre a utilização de dinheiro público.

KARINA GAMA USANDO O NOME DE DEUS PARA OS NEGÓCIOS COM FLÁVIO BOLSONARO

É importante ressaltar que uma relação pessoal ou amizade, por si só, não comprova qualquer irregularidade ou favorecimento. O que torna a informação relevante é o contexto: Karina manteve relações próximas com diferentes políticos do campo conservador enquanto suas organizações passaram a acessar recursos públicos, contratos e emendas.

Contradições começam a aparecer

A ONG comandada por Karina vem entrando em contradição após ser cobrada pela Prefeitura de São Paulo a prestar contas de convênios firmados entre 2022 e 2025 a partir de recursos de emendas parlamentares.

As diligências sobre o Instituto Conhecer Brasil começaram depois que supostas irregularidades nos contratos foram reveladas pelo Metrópoles. A reportagem apontou problemas relacionados à utilização dos recursos e levantou questionamentos sobre empresas contratadas pela entidade.

A cronologia é especialmente importante: primeiro vieram as revelações da imprensa; depois, as cobranças e diligências da administração municipal.

Ou seja, a fiscalização não surgiu do nada. Ela ganhou força depois que os contratos foram colocados sob escrutínio público.

A relação com Tarcísio

Karina também construiu relações com o grupo político de Tarcísio de Freitas.

Levantamentos jornalísticos já apontaram a participação da empresária no chamado GT Cristão, grupo ligado à campanha de Tarcísio em 2022 e voltado à aproximação do então candidato com lideranças religiosas.

A empresária passou a circular em ambientes ligados ao governador e a outras lideranças do campo bolsonarista.

Agora, diante das informações obtidas pelo Radar Brasileiro, a relação pessoal com Cristiane Freitas ganha novo peso político.

Não porque a amizade seja, isoladamente, irregular, mas porque ela ajuda a dimensionar o grau de proximidade de Karina com o núcleo político de Tarcísio justamente quando sua organização está sob escrutínio por movimentações envolvendo recursos públicos.

Chefe de gabinete de Tarcísio contratou Karina Gama

 

A advogada Juliana Velho, atual chefe de gabinete da Secretaria de Educação de São Paulo, foi responsável, em 2018, pela contratação do Instituto Conhecer Brasil (ICB) pela Prefeitura de São Paulo. A informação foi publicada pelo repórter Vinícius Segalla, do portal DCM, e confirmada pelo Radar Brasileiro.

O instituto viria a contratar posteriormente Karina Gama, que aparece no centro das investigações envolvendo a chamada Dark Horse. O contrato para um evento de literatura gospel custou R$ 2,5 milhões aos cofres públicos e teve as contas rejeitadas por órgãos de controle após o fracasso de público.

Karina também mantinha proximidade com Ricardo Nunes

A rede de relações políticas de Karina não se restringe ao Palácio dos Bandeirantes.

A empresária também manteve proximidade com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Ela esteve em reuniões com o prefeito e circulou por ambientes políticos e institucionais ligados à administração municipal.

Quando a Polícia Civil deflagrou uma operação envolvendo contratos do Instituto Conhecer Brasil, Nunes chegou a sair publicamente em defesa de Karina, classificando-a como uma pessoa “decente” e “trabalhadora”.

A defesa chamou atenção porque a investigação envolvia justamente contratos firmados entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo.

Um dos principais acordos investigados envolve um contrato de R$ 108 milhões para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista.

De emendas a dezenas de milhões

O crescimento do Instituto Conhecer Brasil também chama atenção.

Investigações apontaram que a receita declarada pela organização saltou de aproximadamente R$ 306 mil em 2022 para cerca de R$ 54 milhões em 2025.

No período, o instituto passou a movimentar valores expressivos provenientes de parcerias, convênios e recursos públicos.

O salto financeiro ajuda a explicar a dimensão das dúvidas que agora precisam ser respondidas.

A questão deixou de ser apenas quanto dinheiro foi recebido. É preciso saber quem intermediou os recursos, quais empresas foram contratadas, quais serviços foram efetivamente prestados e se todos os contratos obedeceram às regras de transparência e prestação de contas.

Caso chega a uma nova frente de investigação

O caso ganhou ainda mais importância depois que o ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo na investigação relacionada à produtora do Dark Horse.

A entrada da PF amplia o alcance das apurações e coloca sob suspeita uma rede que envolve empresas, organizações sociais, contratos públicos e emendas parlamentares.

É nesse cenário que as contradições de Karina passam a ganhar uma dimensão maior.

O que antes poderia ser tratado como uma discussão burocrática sobre prestação de contas agora está inserido em uma investigação que alcança recursos públicos e relações políticas.

E, diante das informações obtidas pelo Radar Brasileiro, surge mais uma pergunta: por que a proximidade de Karina Gama com a esposa de Tarcísio de Freitas estaria sendo mantida longe do conhecimento do público justamente durante a campanha eleitoral?

A resposta interessa não apenas à investigação, mas também ao eleitor.

As suspeitas sobre contratos e recursos também dependem da conclusão das investigações e das autoridades competentes.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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