O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defendeu uma apuração ampla e sem distinção no caso envolvendo o Banco Master.
Durante agenda de campanha no interior paulista, o ex-ministro da Fazenda afirmou que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, independentemente de posição política, relações pessoais ou cargo ocupado.
Haddad classificou o episódio como “muito grave” e afirmou que o caso precisa ser completamente esclarecido. Para ele, eventuais responsáveis devem ser punidos de acordo com a legislação.
“Tem vários inquéritos abertos sobre Dark Horse, sobre o Supremo, sobre quem for. As coisas precisam ser apuradas, a verdade precisa ser conhecida, os responsáveis punidos para que isso nunca volte a acontecer”, afirmou Haddad.
O candidato reforçou ainda que, diante da gravidade das denúncias, não pode haver tratamento diferente para aliados e adversários.
“Não há amigos e inimigos nesse caso”, declarou.
“Tudo precisa ser passado a limpo”
A declaração ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e à divulgação de mensagens que colocaram sob suspeita as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos Três Poderes.
Segundo Haddad, o princípio deve ser simples: investigar os fatos, identificar responsabilidades e aplicar a lei.
“Tudo deve ser passado a limpo porque é muito grave o que aconteceu, envolva quem envolver”, afirmou o petista.
A posição também foi apresentada por Haddad ao ser questionado sobre as mensagens envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal. O candidato disse que, caso sejam constatadas irregularidades, a legislação deve ser aplicada e os procedimentos devem avançar até as últimas consequências.
Haddad cita origem do caso no Banco Central
Haddad também chamou atenção para a trajetória do caso dentro do sistema financeiro. Segundo ele, as primeiras questões relacionadas ao Master surgiram no Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado para comandar a instituição pelo então presidente Jair Bolsonaro.
“A partir dali aquilo se alastrou envolvendo autoridades da República e eventualmente governos estaduais”, afirmou Haddad.
O ex-ministro já havia classificado anteriormente o caso Master como potencialmente uma das maiores fraudes bancárias da história do país. Em janeiro, afirmou que as investigações apontavam para uma fraude bilionária envolvendo carteiras de crédito e outras operações financeiras.
Sem blindagem para ninguém
Ao comentar especificamente as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), Haddad também defendeu que os fatos sejam investigados dentro da lei.
O candidato afirmou que, independentemente de quem esteja envolvido, as autoridades devem buscar esclarecer as circunstâncias e eventuais responsabilidades.
A mensagem central de Haddad foi a de que a investigação não pode ser seletiva: se houver indícios de irregularidades, cabe às instituições apurar, independentemente de o investigado ser político, empresário, integrante do Judiciário ou representante de qualquer outro setor.
A declaração ocorre em um momento de forte tensão política em torno do caso Master, que passou a envolver, além das suspeitas de fraude financeira, questionamentos sobre relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas.
Para Haddad, o desfecho deve seguir um princípio básico: verdade, investigação e responsabilização — sem amigos ou inimigos diante da lei.