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ROUBO NA FAZENDA SP: Homens de confiança de Tarcísio presos por “Lavar dinheiro em Sauna”

Brasil

Gravação obtida pelo Ministério Público expõe conversa de alto escalão da Receita paulista sobre dinheiro vivo, compra de sauna e temor de ser alvo da Justiça. Áudio coloca sob os holofotes dois ex-integrantes do alto escalão da Fazenda paulista ligados diretamente à gestão Tarcísio de Freitas; investigação aponta suspeitas de propina milionária, circulação de dinheiro vivo e possível lavagem de valores Ex-integrantes da cúpula da Fazenda, que ocuparam postos estratégicos no governo Tarcísio, agora são alvos de uma investigação que inclui uma gravação sobre dinheiro em espécie, compra de sauna para “lavar” valores e medo de ser algemado.

Andre Weiss (esquerda) e o advogado João Buttini presos pela Polícia. Os dois eram homens de confiança do governador Tarcísio de Freitas.

A prisão de André Weiss, ex-número 3 da Secretaria da Fazenda de São Paulo, ganhou um ingrediente especialmente explosivo: uma gravação na qual ele aparece discutindo uma possível forma de movimentar dinheiro em espécie e chega a mencionar a ideia de comprar uma sauna para “lavar” dinheiro.

A gravação expõe, nas palavras registradas na conversa, uma discussão sobre dinheiro vivo da Secretaria da Fazenda do governo Tarcísio de Freitas, uma estrutura que poderia servir para “lavar” valores.

André Weiss, ex-número 3, era um dos homens de confiança do governador Tarcísio de Freitas. O Radar Brasileiro noticiou o esquema que envolve desvio de dinheiro público da Secretária da Fazenda do Governo Tarcísio.

O Radar Brasileiro também noticiou o esquema envolvendo grandes empresários de SP e a corrupção na pasta da Fazenda do Estado.

O áudio, gravado em julho de 2023 e posteriormente analisado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), integra a investigação que mira um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo servidores da administração tributária paulista e integrantes do setor privado.

A conversa chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas pelo fato de envolver um integrante da cúpula da Fazenda paulista. Em determinado momento, Weiss fala sobre juntar dinheiro para comprar uma sauna:

“Você sabe que eu pensei em pegar dinheiro e comprar uma sauna em São Paulo… pra fazer reunião… vamos juntar uma grana e vamos pegar uma porra de uma sauna, né? E para lavar também é bom.”

Na sequência, ele faz referência à facilidade de circulação de dinheiro vivo nesses estabelecimentos:

“Quantas pessoas entram em sauna e pagam em dinheiro? Quase todas, cara.”

E completa:

“Pô, quem que vai passar um cartão em sauna? Ninguém.”

O conteúdo é particularmente grave porque a conversa aparece no contexto de uma investigação que justamente apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Não há, porém, indicação de que a sauna mencionada tenha sido efetivamente comprada ou utilizada para lavagem de dinheiro. A fala é tratada pelos investigadores como elemento da apuração.

O temor de ser algemado

Outro trecho da gravação aumenta ainda mais o peso das declarações.

Ao comentar a possibilidade de adquirir uma Mercedes de aproximadamente R$ 250 mil, Weiss demonstra preocupação com a repercussão que uma compra desse tipo poderia provocar.

“Se eu comprar uma Mercedes… eu não vou comprar uma Mercedes seminova… 250 pau uma Mercedes, né… se você aparece na Delegacia, cara… isso aí vai sair no jornal.”

O ex-dirigente da Fazenda então fala sobre o risco de acabar preso:

“Você é algemado… chega um promotor pra me prender na hora lá.”

A fala chama atenção porque revela, segundo a interpretação dos investigadores, uma preocupação explícita com a possibilidade de que seu patrimônio e seu padrão de vida despertassem a atenção das autoridades.

O homem que ocupava uma das posições mais importantes da estrutura tributária paulista aparece, portanto, em uma conversa na qual dinheiro em espécie, uma possível estratégia para “lavar” valores e o medo de ser algemado são colocados na mesma mesa.

Mochilas de dinheiro e milhões em propina

O áudio se torna ainda mais relevante diante do depoimento de Paulo Sérgio Siqueira Prado, ex-delegado regional tributário que firmou acordo de com o Ministério Público.

Segundo os investigadores, Prado relatou ter recebido cerca de R$ 13,6 milhões entre 2021 e agosto de 2025 do advogado João André Buttini de Moraes.

O dinheiro, de acordo com o depoimento, estaria relacionado à atuação do grupo em processos envolvendo ressarcimento de ICMS retido por substituição tributária e aproveitamento de créditos tributários.

Prado também afirmou ter repassado aproximadamente R$ 4,5 milhões a André Weiss.

As entregas, segundo o colaborador, eram feitas em dinheiro vivo e transportadas em mochilas, principalmente durante encontros em restaurantes de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

É justamente esse cenário que dá outra dimensão às declarações registradas no áudio. De um lado, a investigação relata circulação milionária de dinheiro vivo.

De outro, surge uma gravação na qual um ex-integrante da cúpula da Fazenda discute uma possível estrutura que, nas próprias palavras atribuídas a ele, seria boa “para lavar” dinheiro.

A suspeita de um esquema dentro da máquina pública

A investigação do MPSP aponta para a existência de dois núcleos dentro do suposto esquema: um privado, responsável pela captação de clientes e negociação dos pagamentos, e outro formado por agentes públicos que teriam influência sobre processos tributários.

Segundo o Ministério Público, os pagamentos de propina estariam relacionados a créditos fiscais e poderiam representar percentuais de 1% a 10% dos valores envolvidos.

João André Buttini é apontado pelos investigadores como um dos nomes centrais do núcleo privado.

Já Weiss ocupava uma posição estratégica dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Até maio deste ano, ele era o terceiro nome na hierarquia da pasta, subordinado ao subsecretário da Receita Estadual e ao secretário da Fazenda.

A operação também atingiu Vitor Manuel dos Santos Alves Jr., outro ex-integrante da cúpula da Fazenda. Ele foi alvo de mandados de busca, mas não foi preso.

Vitor já havia comandado a Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat) e, depois de deixar o serviço público, passou a atuar no setor de recuperação de créditos tributários.

Uma operação que expõe a face mais grave da gestão Tarcísio

Ao todo, o Ministério Público cumpriu mandados de busca em 47 endereços residenciais, profissionais e empresariais em São Paulo, na Grande São Paulo, no interior paulista e em Mato Grosso do Sul.

Seis investigados foram afastados cautelarmente de suas funções públicas.

Os 27 investigados também foram proibidos de manter contato entre si e deverão entregar os passaportes, ficando impedidos de deixar o país.

A Justiça ainda determinou restrições contra ex-agentes fiscais para impedir sua atuação perante a Secretaria da Fazenda em procedimentos relacionados ao ressarcimento de ICMS-ST e ao aproveitamento de créditos acumulados.

O caso agora coloca sob investigação uma questão especialmente sensível: se servidores encarregados de fiscalizar e administrar a arrecadação do Estado teriam utilizado a própria estrutura pública para favorecer interesses privados em troca de dinheiro.

E o áudio atribuído a Weiss adiciona uma camada ainda mais incômoda à investigação. Não se trata apenas de uma suspeita de corrupção envolvendo dinheiro público e processos tributários.

As investigações ainda precisam esclarecer o alcance dessas falas, se houve efetiva lavagem de dinheiro e qual teria sido o papel de cada um dos envolvidos.

Mas uma coisa já está colocada sobre a mesa pelo próprio conteúdo da gravação: a cúpula da máquina tributária paulista está sob suspeita — e agora há um áudio que tornou o caso ainda mais difícil de ignorar.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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