A ascensão de Augusto Cury na corrida presidencial virou um dos fenômenos mais suspeitos da eleição de 2026. Em questão de dias, o candidato do Avante saiu de um patamar praticamente irrelevante nas pesquisas para aparecer com 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus e 7,8% na AtlasIntel.
A relação de Cury e Marçal levanta suspeita aqui, durante uma Live:
Mais impressionante ainda foi o comportamento nas redes sociais: Cury ganhou aproximadamente 2,5 milhões de seguidores no Instagram em apenas uma semana, chegando a mais de 10 milhões.
A pergunta que começa a circular é inevitável: o que, exatamente, está por trás dessa explosão?
Não há, até o momento, prova de que Cury tenha comprado seguidores ou manipulado artificialmente as redes. O próprio candidato nega irregularidades.
Mas a velocidade do crescimento chamou a atenção de adversários e das próprias campanhas presidenciais, que levantaram suspeitas sobre a possibilidade de um movimento artificial ou fortemente impulsionado por dinheiro.
E há um dado que torna a história ainda mais curiosa.
Até poucas semanas atrás, Augusto Cury simplesmente não fazia parte do debate político nacional na proporção que passou a ocupar agora.
De repente, seu nome começou a aparecer em cortes, vídeos, publicações e comentários positivos nas redes. Em seguida, veio o salto nas pesquisas.
Coincidência? Estratégia profissional de comunicação? Uma operação de impulsionamento extremamente eficiente? Ou alguma combinação desses fatores?
São perguntas que precisam ser respondidas.
O Radar Brasileiro listou alguns Influencers que estão fazendo propaganda para Cury nas redes sociais.
- Yuri Meirelles — publicou vídeo elogiando fortemente Cury e questionando se ele seria “o cara que a gente estava precisando”. O vídeo passou de 12 milhões de visualizações e 1 milhão de curtidas.
- Raphael Soares — publicou vídeo dizendo que uma frase de Cury foi suficiente para conquistar seu voto: “A frase que fez o Augusto Cury ganhar o meu voto foi…”. O vídeo também ultrapassou 1 milhão de curtidas.
- Isaías Saad — chegou a manifestar apoio a Cury, mas posteriormente criticou o desempenho dele no Jornal Nacional e retirou o apoio. Portanto, não dá para colocá-lo hoje na lista de apoiadores.
- Diego Neves — integrante da estrutura de marketing de Marçal, identificado como responsável pelo chamado “Cortes do Marçal”, usou as redes para falar de Cury.
- Thiago Nigro (Primo Rico) — teve aproximação pública com Cury e participou de conteúdos ligados ao universo de empreendedorismo que ambos exploravam.
- Nando Moura — produtor de conteúdo político que repercutiu positivamente Marçal e Cury em determinados momentos da campanha.
- Monark — teve manifestações favoráveis a Cury e forte interação com o candidato nas redes.
- Jornalistas e personalidades digitais do campo conservador também ajudaram a ampliar a exposição de Marçal, embora isso não signifique necessariamente que tenham feito propaganda eleitoral formal.
- Jhonatas Silva — ele fala diretamente sobre Cury e chama atenção para a movimentação de criadores de conteúdo, páginas de fofoca e milhares de compartilhamentos em torno do candidato.
- Michael Pereira — perfil que publicou conteúdo destacando o crescimento extraordinário de Cury e seus milhões de seguidores. É um exemplo de perfil menor entrando na repercussão do fenômeno.
A sombra de Pablo Marçal sobre a ascensão de Augusto Cury
A explosão repentina de Augusto Cury nas redes sociais também começa a levantar questionamentos sobre uma possível articulação nos bastidores. Pablo Marçal, que possui uma das maiores máquinas digitais da política brasileira, aparece no entorno desse movimento, especialmente após influenciadores ligados ao seu círculo passarem a repercutir conteúdos favoráveis ao candidato.
Os dois participaram de uma LIVE antes do debate da Band. Há dois meses os dois fizeram um programa no canal do Marçal, no Youtube.
Não há, até o momento, prova de que Marçal esteja financiando ou comandando a campanha digital de Cury. Mas a coincidência chama atenção: em poucos dias, Cury saiu praticamente do anonimato político para milhões de seguidores e um salto expressivo nas pesquisas. O próprio vice de Cury afirmou ter recebido contatos de influenciadores, alguns deles dizendo ser próximos de Marçal.
A pergunta, portanto, está colocada: trata-se apenas de uma onda ou existe uma operação digital organizada por trás da ascensão meteórica de Cury? Se houver articulação, será preciso descobrir quem coordena, quem financia e qual é o papel de Marçal nesse movimento.
A campanha diz que houve impulsionamento
Cury afirma que seu crescimento é resultado da exposição conquistada nos debates e do alcance orgânico de seus conteúdos. A campanha também admite investimentos em publicidade digital.
Conteúdos relacionados ao candidato receberam mais de R$ 29,5 mil em impulsionamento em uma semana.
Cury, por sua vez, afirmou ter gasto cerca de R$ 20 mil com impulsionamento de conteúdo online.
O problema é que os números das redes cresceram em uma velocidade muito superior à percepção pública que existia sobre sua candidatura.
E isso alimenta a desconfiança.
Cury na Sabatina da Globo foi um desastre
O fenômeno fica ainda mais estranho quando colocado lado a lado com a performance de Cury na sabatina da TV Globo.
A entrevista realizada no Jornal Nacional, no sábado (29), não foi exatamente uma demonstração de domínio sobre os principais temas de governo.
Ao contrário: a participação foi marcada por respostas genéricas, propostas controversas e momentos de evidente dificuldade diante das perguntas.
A questão dos drones foi um dos episódios mais emblemáticos.
Cury propôs a utilização de drones para auxiliar no combate ao feminicídio, acionados por mulheres em situação de emergência. Quando questionado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre como o sistema funcionaria na prática, o candidato chegou a pedir que ela “esquecesse a questão drone”, alegando que se tratava de um detalhe pequeno.
Só que não era um detalhe qualquer.
Era justamente uma das propostas apresentadas pelo próprio candidato para a segurança pública.
A proposta virou meme nas redes sociais e foi amplamente questionada.
Também chamou atenção a dificuldade de Cury em transformar seu discurso de escritor e psiquiatra em um programa consistente de governo. Economia, educação, administração pública, segurança e funcionamento do Estado exigem conhecimento técnico, números, prioridades e capacidade de execução.
Os analistas políticos da Globonews o detonaram. E foi justamente nesses terrenos que a sabatina expôs as limitações de um candidato estreante na política.
A própria cobertura da entrevista apontou que as sabatinas dos presidenciáveis na Globo foram marcadas por nervosismo e generalidades, e classificou a participação de Cury entre as que apresentaram respostas vagas e propostas incomuns.
Então como explicar a explosão?
É essa contradição que merece investigação.
Quem está pagando para colocar Cury no topo?
Essa é a pergunta que precisa ser feita sem medo — e sem transformar suspeita em acusação.
Quem financiou a distribuição desses conteúdos? Quanto foi gasto? Quais empresas foram contratadas? Quais influenciadores participaram? Quantas contas impulsionaram os vídeos? De onde vieram os milhões de novos seguidores? Qual foi a origem geográfica desse crescimento? E por que o Google registrou picos de buscas pelo candidato até mesmo em países como Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Bolívia, Índia e Vietnã?
Esses dados foram registrados na última semana e tornam o fenômeno ainda mais peculiar.
Se tudo foi resultado de uma campanha digital legítima e transparente, ótimo.
Então basta mostrar os números.
Transparência é a melhor resposta para a dúvida.
O que não parece razoável é simplesmente aceitar como natural que alguém praticamente desconhecido na disputa presidencial acorde, em questão de dias, com milhões de seguidores novos e uma subida de nove pontos percentuais em uma pesquisa nacional.
Se Augusto Cury realmente conquistou milhões de brasileiros organicamente, sua campanha tem todo o interesse em mostrar como isso aconteceu. Se o crescimento foi impulsionado por publicidade, que mostre quanto gastou. Se houve atuação de influenciadores, que sejam identificados. E se não houve nada além de uma onda espontânea, os dados das plataformas podem ajudar a comprovar.
Porque, no fim das contas, a pergunta continua de pé:
como alguém que há duas semanas quase não aparecia no radar da eleição passou a ser tratado, de repente, como uma das principais alternativas à Presidência da República?