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DEBATE 3º BLOCO: LULA QUESTIONA FLÁVIO SOBRE VORCARO, WILLER TOMAZ E ILHA DE RICHARLISON

Política

Presidente questionou quatro vezes o senador sobre a disputa por uma propriedade em Angra dos Reis e cobrou explicações sobre suas relações com o advogado Willer Tomaz. Flávio negou irregularidades, atacou Lula e foi vaiado ao defender a origem de seu patrimônio.

O último bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), concentrou alguns dos confrontos mais duros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em uma rodada de tema livre, Lula questionou o adversário sobre a disputa judicial envolvendo uma propriedade em Angra dos Reis (RJ), a relação com o advogado Willer Tomaz, as suspeitas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a abertura de informações financeiras.

Flávio negou irregularidades e tentou deslocar o confronto para as acusações contra Lula e seus familiares. O presidente, por sua vez, insistiu em perguntas sobre o patrimônio do senador e cobrou explicações sobre a relação dele com pessoas citadas em investigações.

O bloco também teve ataques pessoais, referências a processos judiciais e uma discussão sobre a segurança pública. Na reta final, os dois candidatos buscaram apresentar suas mensagens ao eleitorado antes das considerações finais.

Lula questiona Flávio sobre a ilha de Richarlison

Lula abriu sua participação questionando Flávio sobre a disputa envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, relacionada ao jogador Richarlison e ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador.

O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e acusa Flávio e Tomaz de terem tomado a propriedade depois que ele se recusou a vendê-la. Willer, por sua vez, sustenta que adquiriu legalmente os direitos sobre a área e afirma que os documentos apresentados por Richarlison não comprovam a propriedade que o atleta reivindica. Flávio nega envolvimento irregular. A disputa é objeto de controvérsia judicial.

Durante o debate, Lula perguntou se Flávio havia indicado um coronel para atuar no caso e insistiu na questão repetidas vezes.

O senador respondeu que a Justiça já havia examinado o assunto e afirmou que Willer Tomaz era seu amigo. Não apresentou, durante a troca relatada, uma explicação direta para a pergunta específica sobre a suposta indicação.

Lula voltou ao tema e questionou a relação entre os dois. Flávio tentou mudar o foco, passando a acusar o presidente de querer acabar com a polícia.

O presidente insistiu no questionamento, enquanto o senador negou responsabilidade pelo episódio. A troca de acusações transformou a disputa pela ilha em um dos principais temas do bloco.

É importante distinguir as acusações políticas dos fatos comprovados: a existência de uma disputa judicial não significa, por si só, que tenha ocorrido roubo ou grilagem. As partes apresentam versões divergentes sobre a origem e a legitimidade dos direitos sobre o imóvel.

Lula menciona Vorcaro e cobra abertura de informações financeiras

O confronto avançou para a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Lula acusou o senador de ter recebido dinheiro do empresário e mencionou suspeitas envolvendo a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

O caso é objeto de investigação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, para apurar possíveis irregularidades no financiamento da produção, incluindo suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A investigação não equivale a uma condenação.

Flávio negou as acusações e sustentou que não cometeu irregularidades. O financiamento do filme passou a ser um dos principais pontos de questionamento sobre sua relação com o banqueiro.

Lula também voltou a cobrar transparência sobre as informações financeiras do adversário e mencionou a resistência atribuída a Flávio em divulgar seus dados. A discussão sobre a abertura dos sigilos de ambos os candidatos já havia chegado à Justiça Eleitoral, que autorizou a divulgação voluntária das informações, ressaltando que isso não substitui as investigações oficiais.

O presidente ainda citou o ex-procurador Deltan Dallagnol, criticando sua atuação. Flávio, por sua vez, defendeu o ex-integrante da Lava Jato e tentou devolver as acusações ao petista.

Compra de casa de R$ 10 milhões vira novo confronto

Outro momento de tensão ocorreu quando Lula desafiou Flávio a permitir a abertura de informações financeiras e a se submeter a uma apuração sobre a origem de seu patrimônio.

O senador respondeu que havia comprado sua casa por ser advogado e ter condições financeiras para isso. A plateia reagiu à resposta com vaias, segundo o relato do debate.

A aquisição de um imóvel de alto valor já foi objeto de questionamentos públicos. Reportagens recentes também apontaram que a Polícia Federal examina um financiamento concedido pelo Banco de Brasília (BRB) para a compra de uma mansão em Brasília, no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master. Flávio afirma que a operação foi legal, que o financiamento foi quitado e que possuía capacidade financeira para assumir a dívida. <Cite refs={[“turn857560search0″,”turn296106search11”]}/>

O debate ficou ainda mais acalorado quando Flávio chamou Lulinha, filho do presidente, de “pil antra” — expressão utilizada no confronto, segundo o relato. O senador também citou Roberta Luchsinger e acusou Lula de ter utilizado um avião relacionado a Vorcaro.

As afirmações foram feitas durante a troca de acusações, mas precisam ser verificadas individualmente antes de serem apresentadas como fatos. Flávio e Lula também são alvos de questionamentos políticos relacionados a pessoas próximas, e as acusações de um candidato contra o outro não constituem, por si só, prova de irregularidade.

Direito de resposta: Flávio diz nunca ter sido investigado

Ao utilizar o direito de resposta, Flávio afirmou que nunca havia sido investigado, tentando rebater as acusações feitas por Lula.

A declaração exige uma distinção importante: ao longo de sua trajetória política, o senador já foi alvo de investigações, embora diferentes procedimentos tenham tido desfechos distintos.

Entre os principais casos estão:

  • Rachadinhas na Alerj: o Ministério Público do Rio de Janeiro investigou suspeitas de que funcionários do gabinete de Flávio devolviam parte de seus salários. A denúncia foi rejeitada depois que provas utilizadas na apuração foram anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. O caso não resultou em condenação de Flávio.
  • Financiamento do filme Dark Horse: Flávio é investigado no STF por suspeitas de irregularidades no financiamento da produção sobre Jair Bolsonaro, com possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A apuração está em andamento e não representa condenação.
  • Relações financeiras e apostas on-line: reportagens recentes apontaram que a Polícia Federal investiga possíveis conexões entre Flávio, Willer Tomaz e empresas ligadas ao setor de apostas. Os envolvidos negam irregularidades e contestam as suspeitas.
  • Compra de imóvel em Brasília: a operação de financiamento de uma mansão foi incluída entre as linhas de apuração relacionadas ao BRB e ao Banco Master. Flávio afirma que a compra foi legal e que a dívida foi quitada.
  • Caso das rachadinhas e franquia de chocolates: além da apuração sobre o gabinete, os investigadores examinaram movimentações financeiras e negociações imobiliárias. As acusações ligadas ao caso foram arquivadas após a anulação das provas que as sustentavam.

Portanto, dizer que Flávio nunca foi investigado não corresponde ao histórico documentado. Ao mesmo tempo, é necessário esclarecer que investigação não é sinônimo de culpa: cada caso tem sua situação processual, e alguns foram encerrados ou tiveram provas anuladas.

Considerações finais: Lula fala em soberania e Flávio insiste no custo de vida

Nas considerações finais, Lula agradeceu aos brasileiros, mencionou as manifestações nas ruas e afirmou que o país precisa decidir seu futuro político. O presidente contrapôs a defesa da soberania nacional ao que classificou como os riscos de entregar o poder a um representante do bolsonarismo, fazendo referência às acusações relacionadas a milícias.

Flávio, por sua vez, afirmou que o Brasil está andando para trás e voltou a insistir no custo de vida e na dificuldade de os brasileiros manterem o poder de compra.

O encerramento manteve o tom de confronto que marcou o último bloco. Lula concentrou seus ataques nas relações políticas, no patrimônio e nas investigações envolvendo o adversário. Flávio negou irregularidades, criticou o governo federal e tentou deslocar a discussão para a economia e para as acusações contra a família do presidente.

O debate terminou sem que as acusações mais graves apresentadas pelos candidatos fossem resolvidas durante o programa. A apuração dos fatos cabe às autoridades competentes, enquanto os eleitores terão de avaliar as propostas, as explicações e o histórico público de cada candidato.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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