O segundo bloco do debate presidencial da TV Globo, dedicado às políticas sociais, foi marcado por momentos de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula cobrou explicações sobre o histórico do adversário no Congresso, exigiu que ele olhasse nos olhos durante o confronto e questionou suas propostas para áreas como saúde, economia e proteção social.
Flávio, por sua vez, admitiu ter cometido um erro ao votar contra a ampliação da licença-maternidade, tentou justificar sua posição pelo fato de ser mais jovem à época e pediu desculpas por ter xingado Lula. O senador, no entanto, voltou a atacar o presidente logo depois, demonstrando nervosismo durante a troca de acusações.
Lula cobra explicações sobre voto contra licença-maternidade
Um dos momentos mais marcantes do bloco ocorreu quando Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade.
O senador reconheceu que errou e afirmou que, naquela época, era mais jovem e hoje votaria de maneira diferente.
Lula, porém, não aceitou a justificativa e lembrou que Flávio teve a oportunidade de votar a favor da medida, mas não o fez.
O presidente destacou a importância da ampliação dos direitos das mulheres e afirmou que o adversário tenta se aproximar de um eleitorado que historicamente foi ignorado pelo bolsonarismo.
Durante o confronto, Lula exigiu que Flávio olhasse nos olhos ao responder às perguntas. O gesto elevou a tensão entre os dois candidatos e marcou o tom do debate sobre políticas sociais.
Flávio pede desculpas por xingamento, mas volta a atacar Lula
Outro momento de tensão ocorreu quando Lula cobrou um pedido de desculpas de Flávio por ter utilizado a expressão “nove dedos” para se referir ao presidente.
O senador acabou pedindo desculpas pelo xingamento. Entretanto, logo depois, voltou a atacar Lula e tentou inverter o confronto, exigindo que o presidente também pedisse desculpas.
A mudança de postura foi acompanhada por sinais de nervosismo. Flávio apertou as mãos e demonstrou desconforto durante a discussão.
O episódio evidenciou a dificuldade do senador em sustentar uma postura conciliadora depois de reconhecer o erro.
Juros, Banco Central e salário mínimo
Na discussão econômica, Lula questionou as propostas de Flávio para o Banco Central e criticou a tentativa do senador de apresentar medidas semelhantes às já adotadas pelo atual governo.
Flávio afirmou que, se Jair Bolsonaro estivesse no governo, os juros estariam em torno de 7%.
Lula rebateu dizendo que o adversário estava copiando propostas de seu governo e lembrou medidas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, além das políticas de valorização do salário mínimo.
O presidente também afirmou que o governo trabalha para ampliar o crédito e melhorar as condições de vida da população mais humilde.
Lula destacou que o crescimento do salário mínimo e a ampliação do acesso ao crédito são resultados de políticas públicas que beneficiam os trabalhadores.
O petista ainda criticou a postura de Flávio, que, segundo ele, promete ampliar benefícios enquanto mantém um discurso de cortes de gastos e redução de investimentos.
SUS: Lula questiona compromisso de Flávio com a saúde pública
A saúde pública também foi tema de confronto no segundo bloco.
Lula perguntou a Flávio Bolsonaro o que pretende fazer para melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS).
O senador respondeu criticando a situação do atendimento e afirmou que está faltando dipirona no sistema público de saúde.
Flávio fez críticas ao governo Lula, mas não apresentou, durante o confronto, dados ou provas que sustentassem todas as afirmações feitas sobre a situação do SUS.
Lula rebateu dizendo que o adversário pretende colocar no comando da saúde alguém que não demonstra compromisso com o investimento no sistema público.
O presidente também destacou a importância de fortalecer o SUS, ampliar o acesso aos medicamentos e garantir atendimento à população que depende exclusivamente da rede pública.
Lula mantém confronto e cobra coerência de Flávio
O segundo bloco terminou com Lula explorando as contradições entre o discurso de Flávio Bolsonaro e seu histórico político.
Ao admitir que errou no voto sobre a licença-maternidade, o senador reconheceu uma posição que agora tenta apresentar de maneira diferente ao eleitorado.
Lula também aproveitou o pedido de desculpas pelo xingamento para reforçar o contraste entre os dois candidatos.
No debate sobre políticas sociais, o presidente procurou associar sua gestão à valorização do salário mínimo, à ampliação do crédito e ao fortalecimento do SUS.
Flávio, por sua vez, voltou a recorrer a críticas ao governo federal, mas teve dificuldades para apresentar respostas detalhadas sobre suas propostas.
O confronto mostrou que, além das divergências econômicas, a disputa entre Lula e Flávio também passa pelo histórico de cada candidato em relação aos direitos sociais e às políticas públicas.