O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram nesta sexta-feira (23) no debate da TV Globo, último encontro entre os candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
O debate também representa a última oportunidade para os candidatos confrontarem suas propostas, defenderem suas trajetórias e responderem às críticas do adversário antes da votação.
- No primeiro bloco serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional, de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
O primeiro bloco do debate presidencial da TV Globo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por confrontos sobre infraestrutura, exportações, investimentos públicos, salário mínimo e desenvolvimento regional. Diante das perguntas de Lula, Flávio teve dificuldades para sustentar suas respostas, desviou de questionamentos diretos e demonstrou nervosismo em diferentes momentos.
O senador também se mostrou incomodado com a dinâmica do debate, especialmente por precisar permanecer atrás do púlpito, sem a possibilidade de se aproximar de Lula. A postura contrastou com a tentativa de apresentar uma imagem de segurança e domínio dos temas.
Em alguns momentos, Flávio se perdeu na própria argumentação e teve dificuldade para formular respostas relacionadas aos assuntos discutidos. Lula, por sua vez, aproveitou os confrontos para cobrar explicações sobre o desempenho do governo de Jair Bolsonaro e apresentar os investimentos realizados durante sua gestão.
Infraestrutura e exportações abrem o debate
O primeiro tema sorteado foi infraestrutura e exportação. Flávio Bolsonaro iniciou sua participação criticando a quantidade de obras paralisadas no país e citando números relacionados ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O senador afirmou que o Brasil voltou a ser um “cemitério de obras” e questionou Lula sobre como pretende concluir os empreendimentos.
O presidente respondeu destacando os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, segundo Lula, reúne R$ 1,7 trilhão em investimentos. O petista citou obras em rodovias, hidrovias, portos e outros setores estratégicos para ampliar a capacidade de produção e exportação brasileira.
Lula também afirmou que seu governo herdou milhares de obras paralisadas e que os investimentos realizados em sua gestão são superiores aos do governo Bolsonaro.
Ao tentar responder, Flávio voltou a utilizar o discurso que marcou a gestão do pai. O senador prometeu pedágio zero para motociclistas e afirmou que pretende levar internet para todo o Brasil, inclusive para aldeias indígenas.
A resposta, no entanto, não apresentou um detalhamento de como as propostas seriam financiadas ou executadas. Flávio também teve dificuldades para desenvolver o raciocínio sobre o tema, enquanto Lula ironizou a tentativa do adversário de decorar respostas.
O presidente ainda citou obras em andamento pelo país e a retomada de investimentos em projetos como a transposição do Rio São Francisco.
Salário mínimo e tarifa zero: Lula confronta Flávio
Na discussão sobre a economia da região Sudeste, Lula questionou Flávio sobre o valor que teria o salário mínimo caso o governo de Jair Bolsonaro continuasse no poder.
O senador tentou desviar do questionamento e afirmou que o salário do trabalhador já havia acabado antes mesmo do fim do mês.
Lula rebateu lembrando a política de valorização do salário mínimo e afirmou que, se dependesse da gestão de Bolsonaro, o trabalhador continuaria recebendo um valor muito inferior ao atual.
O presidente também confrontou Flávio sobre a proposta de tarifa zero no transporte público. Lula questionou se o senador era favorável ou contrário à medida, depois de lembrar que o adversário havia ridicularizado a proposta.
Flávio afirmou ser favorável à tarifa zero, mas voltou a criticar a política econômica do governo. O senador disse que não adianta aumentar o salário mínimo se o trabalhador não consegue encher o carrinho de compras.
Na tentativa de responsabilizar Lula pela redução do tamanho das embalagens de produtos, Flávio atribuiu ao governo federal uma prática conhecida como shrinkflation, quando empresas diminuem a quantidade de um produto sem reduzir proporcionalmente seu preço.
A afirmação, porém, não demonstra que a redução das embalagens seja uma decisão do governo federal. Trata-se de uma prática comercial adotada por fabricantes, que pode ocorrer em diferentes cenários econômicos. O debate sobre o poder de compra exige considerar também a inflação, os preços e a evolução da renda.
Flávio não responde sobre investimentos e tenta mudar de assunto
Lula voltou a confrontar o senador ao questionar quais investimentos relevantes haviam sido realizados durante os quatro anos do governo Bolsonaro.
O presidente desafiou Flávio a citar medidas concretas de incentivo à economia e à compra de máquinas, equipamentos e bens de produção.
Em vez de responder diretamente, Flávio interpretou a fala de Lula como uma crítica aos jovens e tentou transformar o questionamento em um ataque pessoal.
O senador afirmou que o Brasil está quebrado e que, caso seja eleito, terá de consertar o país. Também prometeu garantir incentivos acima da inflação, mas não explicou de maneira concreta como a proposta seria implementada.
A dificuldade de Flávio em responder ao questionamento sobre investimentos foi um dos momentos em que o senador mais se perdeu na argumentação. O candidato voltou a criticar os gastos do governo Lula, mas não apresentou dados suficientes para sustentar suas afirmações.
Flávio defende Milei e se irrita com pergunta sobre salário
Ao abordar a política econômica, Lula questionou Flávio sobre a possibilidade de aumento real do salário mínimo e sobre os cortes de gastos que seriam necessários para financiar as promessas do senador.
Flávio demonstrou irritação e voltou a afirmar que o Brasil está quebrado. O candidato também defendeu o modelo econômico de Javier Milei, presidente da Argentina, e tentou associar a situação econômica brasileira à gestão de Lula.
O senador prometeu aumentar o salário mínimo acima da inflação, mas não apresentou uma explicação consistente sobre como conciliaria a promessa com a política de cortes de gastos que defende.
Flávio também tentou explorar a situação do Rio Grande do Sul, afirmando que Lula teria virado as costas para a população gaúcha.
A estratégia foi utilizada para desviar o debate das perguntas sobre sua própria política econômica e transferir o confronto para a atuação do governo federal.
Saneamento e meio ambiente: Lula cobra explicações sobre Bolsonaro
Na discussão sobre saneamento, Flávio Bolsonaro concentrou sua resposta em problemas de bairros e localidades específicas, sem apresentar um plano nacional detalhado para o setor.
Lula aproveitou o momento para lembrar a atuação do governo Bolsonaro em relação ao meio ambiente e aos povos tradicionais.
O presidente afirmou que Flávio representa a continuidade da política de seu pai, que, segundo Lula, abriu espaço para o avanço do desmatamento e não respeitou os direitos de indígenas e quilombolas.
Lula também questionou o conhecimento do senador sobre a Amazônia e a realidade das comunidades que vivem na região.
Flávio, novamente, não conseguiu transformar suas críticas em uma resposta concreta sobre como pretende ampliar o saneamento básico e garantir a proteção ambiental.
Nordeste: Lula desafia Flávio a citar realizações de Bolsonaro
Na discussão sobre o Nordeste, Lula questionou Flávio sobre quais políticas pretende implementar para desenvolver a região.
O presidente também criticou a postura histórica de Jair Bolsonaro em relação aos nordestinos e perguntou ao senador o que seu pai havia feito pela população da região durante os quatro anos de governo.
Flávio respondeu afirmando ser “o carioca mais nordestino” e voltou a mudar o assunto, direcionando sua fala para o combate ao crime organizado.
Lula insistiu no questionamento e desafiou o senador a citar uma realização concreta do governo Bolsonaro no Nordeste.
Flávio, entretanto, não apresentou uma resposta objetiva ao desafio e encerrou sua participação afirmando que será presidente do Brasil.
Primeiro bloco expõe dificuldades de Flávio
O primeiro bloco do debate da Globo terminou com Lula explorando as contradições entre as promessas de Flávio Bolsonaro e o legado do governo de seu pai.
O senador tentou repetir o discurso bolsonarista, criticou os investimentos do atual governo e apresentou promessas como pedágio zero para motociclistas, expansão da internet e aumento real do salário mínimo.
Mas, diante dos questionamentos de Lula, Flávio teve dificuldades para explicar como pretende executar suas propostas. Em diferentes momentos, desviou das perguntas, mudou de assunto e demonstrou irritação.
Lula, por sua vez, procurou manter o confronto em torno de investimentos, obras e políticas públicas, cobrando do adversário explicações sobre o que foi realizado durante o governo Bolsonaro.
O resultado foi um primeiro bloco em que Flávio, apesar de tentar atacar o governo Lula, demonstrou dificuldade para sustentar seus argumentos e apresentar respostas concretas sobre os temas sorteados.