Mais uma mentira de Flávio Bolsonaro. O candidato a presidência da república decidiu importar de El Salvador não apenas o discurso de endurecimento penal, mas também uma visão distorcida sobre a realidade brasileira.
Em declaração neste domingo (30), após se reunir com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Nayib Bukele, o candidato do PL afirmou que “tem pouco preso no Brasil” e atribuiu isso à suposta “frouxidão” da legislação.
Mentiu Falso Tendencioso Enganoso Exagerado “Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Por isso, vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios pra que ladrão de celular que comece com pena de no mínimo 8 anos de cadeia fique preso, não apenas seja preso”, disse ele.
Os números oficiais, porém, desmontam a afirmação.
Verdadeiro O Brasil tinha 727.301 pessoas presas em celas físicas no fim de 2025, segundo o levantamento mais recente da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça.
Verdadeiro Quando entram na conta também as pessoas em prisão domiciliar, com ou sem monitoramento eletrônico, o total chega a 960.976 pessoas privadas de liberdade.
Ou seja: Flávio Bolsonaro olha para um sistema que já encarcera centenas de milhares de brasileiros e conclui que falta prisão. Mentiu
Não falta.
O que sobra é uma proposta política baseada em uma premissa que não se sustenta nos dados.
VEJA O MOMENTO EM QUE FLÁVIO BOLSONARO MENTE PRA IMPRENSA:
A “MENTIRA” QUE CABE NA ESTATÍSTICA
A frase de Flávio é particularmente grave porque não se trata de uma discussão abstrata sobre segurança pública. É uma afirmação objetiva sobre a quantidade de pessoas presas no país.
E ela não encontra respaldo nos números.
Verdadeiro Só em celas físicas, são mais de 727 mil pessoas. Considerando todas as modalidades contabilizadas pela Senappen, são quase 1 milhão de pessoas privadas de liberdade.
Ainda assim, o candidato afirma que o Brasil Falso “tem pouco preso” e que deveria prender mais.
A proposta de Flávio, portanto, não parte de um diagnóstico de escassez de encarceramento. Parte de uma escolha política: quer aumentar ainda mais uma máquina prisional que já funciona em uma escala gigantesca.
MEIO MILHÃO DE NOVAS VAGAS
E Flávio não ficou apenas na retórica.
O candidato defende a criação de Enganoso 500 mil novas vagas em presídios, além da construção de cinco presídios federais inspirados no modelo salvadorenho do Cecot.
A proposta faz parte de um programa de segurança pública baseado no endurecimento penal, restrição de benefícios e ampliação do aparato repressivo.
A conta é brutal: o candidato quer criar capacidade para colocar Mentiu mais meio milhão de pessoas dentro de um sistema que já mantém 727 mil em celas físicas.
É uma expansão gigantesca do encarceramento.
E Flávio tenta vender isso como se o Brasil estivesse diante de um problema de falta de presos.
O BRASIL JÁ PRENDE — E MUITO
A realidade é exatamente o contrário do que a declaração de Flávio sugere.
O país possui uma das maiores populações prisionais do mundo. A própria imprensa, com base em levantamentos oficiais e dados do sistema penitenciário, registra uma população privada de liberdade próxima de 1 milhão de pessoas.
Portanto, dizer que “tem pouco preso” não é apenas uma simplificação.
É apresentar ao eleitor uma fotografia completamente diferente daquela registrada pelos números oficiais.
Flávio quer convencer o brasileiro de que o problema está na quantidade de pessoas atrás das grades, quando os dados mostram um sistema prisional de proporções gigantescas.
E, pior: pretende resolver o problema colocando ainda mais gente dentro dele.
A RECEITA DE FLÁVIO: MAIS CELA, MAIS PENA E MAIS ENDURECIMENTO
O discurso do candidato não se limita à construção de presídios.
Não é bem assim Exagerado Flávio defende endurecimento das penas, restrições à progressão de regime, redução da maioridade penal, castração química para condenados por crimes sexuais e cumprimento integral das penas para homicidas.
A lógica é clara: Exagerado mais punição, mais encarceramento e menos benefícios penais.
O problema é que segurança pública não se resume à quantidade de pessoas colocadas atrás das grades.
O próprio sistema penitenciário brasileiro enfrenta problemas estruturais. Levantamento recente mostrou que apenas uma parcela dos presos exerce atividade laboral e que as condições das unidades continuam marcadas por deficiências de infraestrutura, higiene e assistência.
Nesse cenário, aumentar brutalmente o número de vagas sem apresentar uma política igualmente robusta de investigação, inteligência, prevenção, ressocialização e combate financeiro às organizações criminosas é, no mínimo, uma aposta incompleta.