A POLÊMICA AGÊNCIA SP
Todos os dados apresentados pelo governador não batem com os dados oficiais que representam a categoria. O governo de SP se negou a juntar os dados para efeito de comparação. A Secretaria de segurança pública foi procurada e apenas informou que: “o que é publicado na agência SP é oficial”. Quando questionado sobre se os dados são reais, a SSP se limitou a dizer que “é o que tá lá”.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) acusou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de divulgar informações “inverídicas” sobre a política de valorização salarial das forças de segurança. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a entidade contestou a afirmação do chefe do Executivo paulista de que os policiais civis acumularam reajuste de 45,2% entre 2022 e 2025, classificando o dado como “fake news” por incluir aumentos concedidos antes do início da atual gestão.
MAS O QUÊ DISSE TACÍSIO DE FREITAS?
Na reunião com representantes das entidades policiais, realizada no Palácio dos Bandeirantes, o governador afirmou que:
- os policiais civis e militares acumularam reajuste salarial de 45,2% entre 2022 e 2025;
- os policiais penais tiveram aumento acumulado de 54% no mesmo período;
- a atual gestão promoveu ainda mudanças nas regras de promoção, cartas de crédito habitacional, manutenção da alíquota previdenciária e abertura de concursos públicos para reforçar os efetivos.
MAS QUAL É A REALIDADE?
A divergência surgiu após Tarcísio apresentar o percentual durante reunião com entidades representativas das carreiras policiais realizada no fim do ano passado. Para o Sindpesp, o governo atribui à atual administração um reajuste que, na prática, começou a ser pago ainda no mandato do então governador João Doria.
Segundo a entidade, cerca de 20 pontos percentuais do índice de 45,2% correspondem ao reajuste aprovado em 2022, último ano da gestão Doria, antes da posse de Tarcísio, em janeiro de 2023. Na avaliação do sindicato, a inclusão desse percentual cria uma percepção equivocada sobre a política salarial implementada pelo atual governo.
“O governador (Tarcísio Gomes de Freitas), em nota oficial do Governo do Estado, está considerando na conta um percentual que foi concedido por gestor (João Doria) que o antecedeu. Trata-se de desinformação aos policiais e à população. É fake news! Algum policial civil teve, no seu holerite, em São Paulo, um reajuste de 45%, nesta gestão (2023/2026)?”, afirmou a presidente do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valada.
TARCÍSIO MENTIU MAIS UMA VEZ E USA A AGÊNCIA SP PRA PROPAGAR FAKE NEWS
A crítica ocorre em meio ao aumento da pressão das entidades da Polícia Civil por uma política permanente de valorização das carreiras. Representantes da categoria argumentam que os reajustes concedidos nos últimos anos não foram suficientes para recompor as perdas provocadas pela inflação acumulada ao longo da última década, além de não reduzirem a defasagem salarial em relação a outras unidades da federação.
O Sindpesp sustenta que a situação remuneratória dos delegados paulistas continua distante da realidade de estados com arrecadação inferior à de São Paulo. De acordo com levantamento elaborado pela própria entidade, os delegados de Polícia do estado ocupam apenas a 24ª posição no ranking nacional de remuneração, considerando os 26 estados e o Distrito Federal. Para o sindicato, o desempenho contrasta com a capacidade financeira do maior arrecadador de tributos do país e evidencia a necessidade de uma política salarial capaz de tornar a carreira mais competitiva.
A discussão sobre os vencimentos das forças de segurança ganhou força nos últimos meses diante das reivindicações apresentadas por entidades representativas das carreiras policiais. Os sindicatos defendem que o governo passe a considerar apenas os reajustes efetivamente concedidos durante a atual administração, sem incorporar aumentos aprovados por gestões anteriores, para evitar, segundo afirmam, a divulgação de números que não refletem o impacto real observado nos contracheques dos servidores.
O ARGUMENTO DO GOVERNO
A tese do Palácio dos Bandeirantes é que o índice de 45,2% é um acumulado do período de 2022 a 2025, e não apenas dos reajustes concedidos durante a gestão Tarcísio. Ou seja, o Executivo considera na conta aumentos aprovados ainda no último ano do governo João Doria, somando-os aos reajustes posteriores.
O ARGUMENTO DO SINDPESP
É justamente esse critério que o sindicato contesta. Para a entidade, cerca de 20 pontos percentuais do índice anunciado correspondem ao reajuste concedido em 2022 por João Doria, antes da posse de Tarcísio. Assim, o percentual divulgado pelo governador daria a entender que todo o ganho salarial ocorreu em sua administração, o que, segundo o Sindpesp, não corresponde ao que efetivamente apareceu nos contracheques dos policiais desde 2023.