O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou as declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) contra as pré-candidaturas das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado. Segundo o petista, o ataque do adversário extrapolou o debate político e representou uma “agressão gratuita” às duas lideranças.
“Acho que todo mundo que ouviu ficou um pouco perplexo”, afirmou Haddad durante entrevista coletiva antes de participar do programa No Osso, promovido pelo grupo Derrubando Muros.
A reação ocorre após Tarcísio declarar, na última quarta-feira (8), que Marina e Tebet teriam recebido um “cartão vermelho” dos eleitores de seus estados de origem — Acre e Mato Grosso do Sul — e que não conseguiriam se eleger caso voltassem a disputar cargos por essas unidades da federação. As duas integram a chapa encabeçada por Haddad na corrida eleitoral em São Paulo.
“Com todo o respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram este estado para servir”, afirmou Tarcísio em vídeo publicado nas redes sociais.
A declaração gerou questionamentos porque o próprio governador também não nasceu em São Paulo. Natural do Rio de Janeiro, Tarcísio construiu sua trajetória política nacional antes de disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Marina Silva, nascida no Acre, exerce atualmente mandato de deputada federal por São Paulo desde 2023. Já Simone Tebet representou Mato Grosso do Sul no Senado entre 2015 e 2022 e, neste ano, transferiu seu domicílio eleitoral para a capital paulista, onde disputará pela primeira vez um cargo eletivo.
Ao comentar as falas do governador, Haddad afirmou que o episódio surpreendeu até mesmo quem acompanha o embate político.
“Acho que todo mundo que ouviu ficou um pouco perplexo, né, com uma agressão gratuita a duas mulheres, ex-senadoras, que têm serviços prestados”, declarou. “Não precisa concordar com a pauta ambiental, a pauta da educação, que são as duas grandes bandeiras da Marina e da Simone. Mas é preciso respeitar e fazer o debate de ideias.”
As duas ex-ministras também responderam às críticas. Marina Silva afirmou que o discurso do governador revela um tratamento desigual em relação às mulheres na política.
“É claramente uma pessoa que tem dois pesos e duas medidas. Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim e a Simone, não. E eu acho que tem também uma atitude de preconceito contra as mulheres, de se acharem os donos do mundo”, disse.
Haddad minimiza rejeição e diz que cenário está mudando
Durante a coletiva, Haddad também comentou os índices de rejeição apontados pelas pesquisas eleitorais. Questionado sobre o levantamento mais recente do Datafolha, que registra 47% de rejeição ao seu nome, o petista afirmou que os números refletem um momento da disputa e sustentou que o quadro está em transformação.
“Está sendo revertido. Se você pegar o filme, vai ver que está sendo revertido. É assim que funciona mesmo”, afirmou.
Na avaliação do ex-ministro, a eleição paulista tende a reproduzir a polarização do cenário nacional, influenciada pela disputa entre os campos políticos e pelo impacto das redes sociais no debate público.
“A campanha é um pouco nacionalizada. Então, não tem como também você se dissociar. É um grupo mais de centro-esquerda, progressista, e uma extrema direita muito atuante nas redes sociais. Não podemos negar o poder das redes sociais de disseminar um tipo de informação que gera esse antagonismo.”