O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a acusar sem fundamentos, o governo Lula e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de terem provocado uma fuga em massa de empresas brasileiras para o Paraguai.
Registros oficiais do governo paraguaio – informações da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai e checagens realizadas por veículos especializados -, mostram que a migração de indústrias para o país vizinho é um fenômeno “antigo e normal”, que atravessou diferentes governos brasileiros e se intensificou anos antes de Fernando Haddad assumir o Ministério da Fazenda.
Apesar desse histórico, Tarcísio de Freitas voltou mentir sobre o assunto e atribuiu o movimento ao atual ministro da Fazenda. A declaração do candidato do republicanos, porém, vai na contra-mão da cronologia dos fatos e das informações reais já disponíveis para consulta pública.
VAMOS ENTENDER COMO TARCÍSIO MENTIU
O estoque de empresas brasileiras instaladas no Paraguai sob o “Regime de Maquila” começou a ser formado em 2007 e continuou crescendo durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e do atual governo federal. Os períodos de maior expansão, inclusive, ocorreram antes de Haddad assumir a condução da política econômica e quando o próprio Tarcísio integrava a gestão Bolsonaro como ministro da Infraestrutura. Tarcísio sempre soube dessa informação, mas prefere usar a desinformação para atrair os eleitores.
Os dados mostram que a transferência de operações industriais para o Paraguai está relacionada principalmente às vantagens estruturais oferecidas pelo país vizinho — como menor carga tributária, custos trabalhistas reduzidos e incentivos previstos pelo “Regime de Maquila” —, fatores que há anos influenciam decisões empresariais e não podem ser explicados por medidas adotadas apenas a partir de 2023.
Checagens independentes também rejeitam a interpretação apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas. Agências de checagens como “AFP” e o “Aos Fatos” concluíram que é falsa a alegação de que as 232 empresas brasileiras instaladas atualmente no Paraguai tenham migrado durante a gestão de Fernando Haddad. O número corresponde ao estoque acumulado de empresas que passaram a produzir sob o “Regime de Maquila” ao longo de aproximadamente 19 anos, e não às companhias transferidas desde 2023.
O QUÊ DIZEM OS ESPECIALISTAS?
Especialistas apontam que a decisão de instalar unidades produtivas no Paraguai está relacionada principalmente a fatores estruturais de competitividade. O país oferece um pacote de regime tributário diferenciado, menor custo trabalhista, incentivos para exportação e um ambiente regulatório voltado à atração de investimentos industriais.
Em muitos casos, empresas brasileiras mantêm suas operações no Brasil e apenas transferem parte da produção para aproveitar os benefícios da Lei de Maquila, estratégia adotada muito antes do atual governo. Os próprios números evidenciam essa característica. Embora novas empresas continuem aderindo ao regime paraguaio, os registros oficiais não indicam um êxodo concentrado durante a gestão Haddad.
O que os dados revelam é um processo contínuo de internacionalização industrial, impulsionado por vantagens competitivas oferecidas pelo Paraguai e observado em sucessivos governos brasileiros, independentemente do partido que ocupava o Palácio do Planalto. Diante desse cenário, a afirmação de Tarcísio de Freitas simplifica um fenômeno econômico complexo e desconsidera a série histórica disponível.
Tarcísio briga diretamente com os dados oficiais e tenta manipular a informação correta, repassando a desinformação para a sociedade. As bases oficiais mostram que a migração de empresas para o Paraguai não começou em 2023, tampouco pode ser atribuída exclusivamente à política econômica conduzida por Fernando Haddad. Trata-se de um movimento consolidado ao longo de quase duas décadas, impulsionado por fatores estruturais que antecedem o atual governo federal.