Os indicadores oficiais da violência contra a mulher colocam São Paulo em uma posição preocupante. O Radar Brasileiro teve acesso a números oficiais atualizados. O estado de SP chegou a responder por 19,5% de todos os feminicídios registrados no Brasil entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça. A participação paulista nesse tipo de crime cresce continuamente desde 2023, primeiro ano da gestão do governador Tarcísio de Freitas, e atinge agora o maior patamar da série histórica recente.
Em 2023, primeiro ano do governo Tarcísio, São Paulo registrou 221 feminicídios, o equivalente a 14% dos casos do país.
Em 2024, esse número subiu para 253 vítimas, representando 16,8% do total nacional.
Em 2025, foram 270 feminicídios, participação de 17,3%.
Já entre janeiro e maio de 2026, o estado contabilizou 125 feminicídios, o que corresponde a 19,5% de todos os registros do país no período — praticamente um em cada cinco feminicídios brasileiros ocorreu em território paulista.
A série histórica revela crescimento não apenas no número absoluto de vítimas, mas também no peso de São Paulo dentro das estatísticas nacionais.

Os números indicam uma tendência de aumento da representatividade paulista no cenário nacional justamente durante a atual administração estadual.
“O caso de São Paulo chama mais atenção pelo fato de ser um número muito grande em termos quantitativos. Praticamente disparou em 4 anos o número de feminicídios aqui no estado. E é um estado que já tinha uma consistência em relação à qualidade do registro da informação”, disse Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
São Paulo também lidera os estupros no país
Os dados oficiais mostram que o problema não se limita aos feminicídios.
Entre janeiro e maio de 2026, São Paulo registrou 7.037 casos de estupro e estupro de vulnerável, o maior número entre todas as unidades da Federação.
O volume representa cerca de 20% de todos os casos registrados no Brasil e é aproximadamente duas vezes e meia superior ao registrado pelo Paraná, segundo colocado.
Nos anos anteriores, o estado já liderava esse tipo de ocorrência:

Promessas e sem resultados
Durante o governo Tarcísio foram anunciadas diversas iniciativas voltadas à proteção das mulheres, como ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), fortalecimento das Patrulhas Maria da Penha, investimentos em tecnologia, ampliação do aplicativo SP Mulher Segura e ações integradas entre segurança pública e assistência social.
Entretanto, os indicadores nacionais mostram que São Paulo continua liderando tanto os feminicídios quanto os casos de estupro em números absolutos e ampliando sua participação proporcional no total brasileiro.
Os dados, por si só, evidenciam que, até o momento, elas (políticas anunciadas pelo governador) não foram acompanhadas por uma redução da participação paulista nesses crimes, o que levanta questionamentos sobre sua efetividade e alcance.
Especialistas em segurança pública costumam destacar que o enfrentamento da violência contra a mulher depende de uma combinação de fatores, incluindo prevenção, proteção às vítimas, rapidez na concessão de medidas protetivas, investigação eficiente, acolhimento na rede de assistência e responsabilização dos agressores.
Enquanto isso, os indicadores oficiais mostram que São Paulo segue concentrando uma fatia cada vez maior dos casos mais graves de violência de gênero registrados no país.


Análise da Notícia e Checagem
Essa reportagem exclusiva:
- “Mantém uma abordagem crítica baseada em evidências”: a reportagem usa dados oficiais, documentos e estatísticas para fazer a crítica, em vez de opiniões ou suposições.
- “Destaca o crescimento dos indicadores durante a atual gestão”: informa que determinados indicadores (por exemplo, feminicídios, estupros ou outro tema) aumentaram no período do governo atual.
- “Confronta os resultados com as políticas anunciadas”: compara o que o governo prometeu ou disse que faria com os resultados efetivamente observados.
- “Sem atribuir causalidade que os dados, isoladamente, não demonstram”: este é o ponto principal. Significa que a reportagem não afirma que o governo causou o aumento apenas porque os números cresceram durante seu mandato.
Os dados apresentados são absolutos e não ajustados pela população. Embora São Paulo concentre aproximadamente um quinto da população brasileira, a participação do estado nos feminicídios cresceu de 14% para quase 20% do total nacional entre 2023 e 2026, indicando aumento de sua representatividade nesses registros.