
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) começa a ser avaliado de forma mais crítica pela população paulista e disse que, até recentemente, nem mesmo o atual governador acreditava que disputaria a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. As declarações foram feitas na manhã desta segunda-feira (21), durante entrevista ao canal MyNews.
Segundo Haddad, a percepção dos eleitores sobre a administração estadual está mudando diante da análise de indicadores públicos e da comparação com a trajetória histórica de São Paulo.
“O que eu noto é que está começando a cair a ficha das pessoas sobre a qualidade desse governo. As pessoas estão ficando preocupadas com o que estão observando em relação aos indicadores.”
Na avaliação do ministro, os paulistas possuem forte identificação com o estado e passam a reagir quando percebem sinais de retrocesso em áreas consideradas estratégicas.
“São muito ciosos e orgulhosos de São Paulo. Sabem que ajudaram a construir um estado admirado por todo o país. Quando começam a perceber que as coisas não estão andando bem — e algumas estão andando para trás — acende um sinal de alerta.”
“Ninguém imaginava”
Haddad afirmou que a administração de Tarcísio não vinha sendo submetida a um escrutínio mais intenso porque prevalecia a expectativa de que o governador buscaria uma candidatura à Presidência da República, e não um novo mandato no governo paulista.
“O governo Tarcísio não era avaliado por uma razão concreta: ninguém imaginava que o Tarcísio fosse concorrer à reeleição. Nem ele próprio. Achava que ia para a Presidência.”
O ministro ainda comparou a postura de Tarcísio à do ex-governador João Doria (sem partido), ao afirmar que ambos priorizaram projetos políticos nacionais.
“Tanto ele quanto o Doria padeceram do mesmo problema: não se dedicaram tanto ao estado porque tinham pretensões para além das suas possibilidades.”
Indicadores
Durante a entrevista, Haddad afirmou que a população tende a observar com mais atenção dados relacionados à gestão pública e mencionou áreas que, segundo ele, têm despertado preocupação.
Entre os indicadores citados estão o esclarecimento de homicídios, os casos de feminicídio, o crescimento da população em situação de rua, as finanças públicas e a educação.
Ao concluir sua avaliação sobre o cenário paulista, o ministro disse acreditar que uma análise detalhada desses dados levará os eleitores a uma percepção semelhante à que teve ao voltar a estudar a realidade do estado.
“Se o povo de São Paulo tiver tempo de se debruçar sobre alguns indicadores, todo mundo vai sentir o que eu senti quando voltei e comecei a estudar a situação de São Paulo: uma frustração de ver que São Paulo não caminhou.”
Haddad relata recados “ameaçadores” do dono do Banco Master
Fernando Haddad afirmou que recusou sucessivos pedidos de reunião feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O empresário tentou estabelecer contato por diferentes interlocutores e relatou que as solicitações passaram a ser acompanhadas de mensagens que classificou como “ameaçadoras”.
Segundo o petista, Vorcaro buscou aproximação por canais indiretos, sem recorrer ao contato institucional.
“Ele tentou por vários caminhos, menos o oficial. Empresários próximos, deputados, senadores próximos. Tentou uma aproximação comigo.”
Haddad afirmou que decidiu não receber o banqueiro porque já havia analisado informações sobre o Banco Master e recebido relatos de agentes do mercado financeiro.
“Eu já tinha feito uma análise do balanço do Master e tinha recebido informações do mercado financeiro sobre as atividades do Vorcaro. E eu não receberia, porque não tinha o que falar com ele efetivamente.”
Recados com tom de ameaça
Durante a entrevista, Haddad disse que os pedidos de audiência passaram a ser acompanhados de mensagens que, segundo ele, sugeriam possíveis consequências caso Vorcaro enfrentasse problemas.
“Os pedidos de audiência começaram a conter um recado implícito, assim, ameaçador. Como se: ‘ele precisa saber o que vai acontecer comigo, com a República’, coisas desse tipo.”
Questionado se interpretou as mensagens como uma ameaça pessoal, Haddad respondeu negativamente, mas afirmou que o conteúdo fazia referência a um possível impacto institucional.
“Não. Ele ameaçava assim: ‘se acontecer alguma coisa comigo, o caos vai se instalar, a República vai cair’. Uma coisa assim.”
Defesa de investigação criteriosa
Ao comentar o caso, Haddad afirmou defender que todas as circunstâncias envolvendo o Banco Master sejam investigadas de forma rigorosa, mas sem prejulgamentos.
“Eu queria que tudo fosse passado a limpo, porque eu odeio essas coisas no Brasil. Nada é passado a limpo aqui. E passar a limpo não é fazer loucura com a vida das pessoas — é ser criterioso, mas efetivamente separar o joio do trigo.”