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FLÁVIO BOLSONARO ARREGA, VOLTA ATRÁS E NÃO ABRE OS SIGILOS TELEFÔNICO E BANCÁRIO

Política

Depois de desafiar o adversário a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico, Flávio Bolsonaro ampliou as exigências e colocou a análise dos documentos de Lula como condição para apresentar os próprios dados. Nesta quinta-feira (22), as campanhas anunciaram um acordo, mas a divulgação efetiva ainda depende de providências judiciais. Flávio, de novo, se recusou a abrir os próprios sigilos e não quis abrir a conta no exterior com Willer Tomaz. Flávio cobra transparência de Lula, mas, quando chega a sua vez de apresentar os documentos, cria novos obstáculos.

Flávio Bolsonaro muda de posição a cada rodada. Primeiro, resiste a abrir os sigilos. Depois, impõe condições. Lula aceita. O senador volta atrás, apresenta novas exigências e condiciona a divulgação dos próprios documentos à análise prévia dos dados do adversário. Flávio promete, recua e não cumpre o que fala.

A disputa pelos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos à Presidência transformou-se em um dos principais embates da reta final da campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a expor suas informações financeiras.

O senador inicialmente resistiu, depois apresentou uma série de exigências, viu Lula aceitar todas as condições e, por fim, condicionou a apresentação dos próprios dados à análise prévia dos documentos de Lula.

O roteiro colocou Flávio diante de uma cobrança direta: se está disposto a abrir seus sigilos, por que não apresentar os documentos nos mesmos termos exigidos do adversário?

O DESAFIO COMEÇOU NO DEBATE DA BAND

A discussão começou no domingo (18), durante o debate presidencial da Band. Depois de ser acusado por Flávio, Lula declarou que estava disposto a abrir seus sigilos bancário e telefônico e desafiou o senador a fazer o mesmo.

Na terça-feira (20), o presidente formalizou a autorização para a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos. A iniciativa também abrangeu Janja e os cinco filhos do presidente, além de uma empresa ligada a Lula.

A autorização, entretanto, foi condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro e à disponibilização pública das informações. O documento também incluiu exigências relacionadas aos familiares do senador e a empresas associadas a ele.

A campanha de Lula sustentou que o objetivo era permitir que os eleitores comparassem as informações dos dois candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

POR MEDO FLÁVIO AMPLIA AS EXIGÊNCIAS

Na quarta-feira (21), Flávio anunciou que aceitaria abrir seus sigilos, mas acrescentou condições. Entre elas, exigiu informações relacionadas ao Instituto Lula, ao ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e aos gastos do cartão corporativo da Presidência, incluindo os de Janja.

O senador também ampliou a lista de exigências para incluir registros de visitantes dos palácios presidenciais, movimentações financeiras de pessoas ligadas ao presidente e informações sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger.

Em nota, a campanha do PL apresentou novas condições para que o compromisso fosse cumprido.

A resposta de Lula foi aceitar todas as exigências. O presidente anunciou que compareceria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22) para formalizar a iniciativa.

O movimento retirou de Flávio o argumento de que o adversário não estaria disposto a expor informações de pessoas próximas. A partir dali, a cobrança passou a recair sobre o cumprimento do compromisso pelo próprio senador.

A CONDIÇÃO DA ANÁLISE PRÉVIA

A disputa ganhou novo capítulo quando a campanha de Flávio afirmou que examinaria os documentos apresentados por Lula antes de disponibilizar os dados do candidato do PL.

O ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol foi designado para analisar as informações entregues pela equipe petista. Deltan já levanta suspeitas pela conduta por se mostrar parcial a Flávio.

A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante da campanha de Flávio, afirmou que o senador apresentaria os documentos pedidos caso a equipe concluísse que Lula havia cumprido integralmente as condições.

Lula havia autorizado a abertura de seus dados e aceitado as exigências apresentadas pelo adversário. Flávio, por sua vez, passou a exigir uma verificação prévia antes de apresentar os próprios documentos.

A campanha do PL defendeu a análise como uma medida de conferência e transparência. A equipe petista, por outro lado, cobrou reciprocidade e cumprimento do compromisso assumido publicamente.

FLÁVIO NÃO QUIS ABRIR SIGILO DE EMPRESA COM WILLER TOMAZ

Nesta quinta-feira (22), representantes das duas campanhas anunciaram um acordo para a quebra mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos e de pessoas incluídas nas respectivas listas.

O entendimento veio depois de um impasse sobre a inclusão de informações de uma empresa relacionada ao advogado Willer Tomaz, a Alcazar Holdings.

Segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a equipe de Flávio inicialmente tentou deixar a empresa de fora, mas acabou aceitando sua inclusão após a insistência dos representantes petistas.

A defesa de Flávio contesta a existência de participação econômica ou societária do senador na empresa.

O episódio começou com um desafio público e terminou, por enquanto, com um acordo cercado de condições e etapas de verificação.

Lula autorizou a abertura dos próprios dados, ampliou a autorização para incluir familiares e pessoas citadas nas exigências do adversário e aceitou novas condições apresentadas pela campanha do PL. Flávio, por sua vez, condicionou a apresentação dos próprios documentos à análise prévia do material petista.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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