O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (31), em entrevista à Rádio Nova Brasil Vale, que o afastamento do ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, levanta questionamentos sobre a condução da segurança pública no estado.
“O Tarcísio, ao demiti-lo, ao invés de explicar para a população de São Paulo por que estava demitindo, disse que estava afastando, mas que ele tinha grandes serviços prestados ao Estado, mas que ele queria trocar o comando por uma mulher”, afirmou.
Segundo o petista, o oficial, indicado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para comandar a corporação, é alvo de uma investigação do Ministério Público que apura a atuação de policiais militares em um esquema de segurança privada ilegal ligado à empresa de ônibus Transwolff, investigada por supostos vínculos com a facção criminosa PCC. O Radar Brasileiro noticiou com exclusividade a condução do Coronel Coutinho até a corregedoria da PM para prestar depoimento. E, também a ordem do governador Tarcísio de Freitas para apagar todas as menções sobre o Coronel Coutinho nos arquivos públicos do governo para consulta pública.

Ao comentar o caso, Haddad classificou a situação como um “problema gravíssimo” e afirmou que a investigação envolvendo um comandante da PM representa um fato sem precedentes em sua experiência política.
“Eu nunca ouvi alguém de São Paulo falar que a corporação, sobretudo a cúpula da corporação, que é uma corporação honrada do ponto de vista moral, estivesse envolvida com o crime organizado. Pode acontecer numa corporação de um membro da corporação trair os compromissos assumidos com a sua corporação, trair o seu juramento. Isso acontece numa igreja, pode acontecer num exército, pode acontecer num partido, pode acontecer em qualquer lugar, mas eu estou falando do comandante geral da Polícia Militar. Coronel Coutinho hoje é uma pessoa investigada pelo Ministério Público por envolvimento com o PCC”, declarou.
José Augusto Coutinho deixou o comando da Polícia Militar em abril deste ano. Seu nome apareceu nas investigações que apuram a suposta participação de policiais militares em um esquema de prestação clandestina de serviços de segurança para dirigentes da Transwolff, empresa que é investigada por possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Então nós estamos mentindo para a população de São Paulo, nós estamos com um problema gravíssimo de segurança pública”, disse.
Haddad também criticou a forma como o governo paulista anunciou a substituição do comandante. Segundo ele, a gestão de Tarcísio evitou esclarecer os motivos do afastamento.
“O Tarcísio, ao demiti-lo, ao invés de explicar para a população de São Paulo por que estava demitindo, disse que estava afastando, mas que ele tinha grandes serviços prestados ao Estado, mas que ele queria trocar o comando por uma mulher”, afirmou.
Até o momento, o governo de São Paulo sustenta que a mudança no comando da Polícia Militar fez parte de uma reorganização administrativa da corporação e nega qualquer relação entre a substituição e as investigações em andamento.