“O coronel Coutinho prestou depoimento com a presença do advogado na corregedoria. Como ele não está mais a frente do comando da polícia, tudo está sendo apurado e investigado no âmbito da justiça militar. Obviamente que ele negou. O caso requer sigilo absoluto, mas as provas contra os policiais citados na operação são robustas e indicam a participação deles com integrantes do PCC. Maicon, pra você ter uma ideia, essa nova fase da operação deu várias outras frentes de investigação para o GAECO. O Dr. Lincoln está com uma equipe altamente capacitada para identificar os elos criminosos. Foram mais de um ano de investigação com uma produção absurda de provas. Tem desde lavagem de dinheiro do PCC, como cobrança de propina, Rede de postos de combustíveis, desvio de valores por meio de laranja, envolvimento de pessoas com o mercado financeiro. Certamente, a gente já espera a procura dos advogados dos envolvidos em uma possível delação. Certamente novas diligências e novidades vão acontecer em breve”, disse uma fonte do alto escalão da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo.
A condução do coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, durante investigação que apura um suposto esquema de favorecimento à facção criminosa PCC, colocou sob suspeita a atitude do Governador Tarcísio de Freitas e da pasta de Segurança Pública. O Radar Brasileiro teve acesso a informação de que, após a condução para prestar depoimento do Coronel Coutinho, as publicações oficiais do Governo de São Paulo que registravam a nomeação e os elogios ao coronel foram retiradas do ar.
Segundo documentos e evidências obtidos pela reportagem, a remoção do conteúdo teria ocorrido por determinação do Palácio dos Bandeirantes.
A nomeação foi oficializada em 17 de abril de 2025, por meio de publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Coutinho substituiu o coronel Cássio Araújo de Freitas no comando da corporação após ser escolhido pelo governador.
Páginas oficiais do governo desapareceram
Após a divulgação da investigação e da condução do coronel pela corregedoria, páginas do Governo do Estado que divulgavam sua posse e os elogios feitos pelas autoridades deixaram de ficar disponíveis ao público.
Entre elas está a página publicada pela Agência SP durante a cerimônia de transmissão de comando.
O endereço permanece registrado, porém o conteúdo não está mais acessível:
https://www.agenciasp.sp.gov.br/emgk
A retirada das páginas ocorreu depois de o caso ganhar repercussão nacional.
Até a publicação desta reportagem, o Governo de São Paulo não havia apresentado explicação pública para a indisponibilidade desse conteúdo.
Na cerimônia de posse, realizada no Quartel do Comando Geral da PM, Tarcísio fez elogios públicos ao novo comandante.
Na ocasião, diversos veículos de comunicação noticiaram a escolha do novo comandante, destacando sua trajetória na Rota, sua proximidade com o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, e sua atuação dentro da corporação. Somente a publicação do Diário Oficial consta ativa. Agora, as menções e elogios que antes estavam publicadas em reportagens pela Agência SP foram retiradas do ar.
Entre as reportagens publicadas na época estão:
- Jornal Cruzeiro
https://www.jornalcruzeiro.com.br/sorocaba/noticias/2025/04/746376-policia-militar-de-sao-paulo-tem-novo-comandante-geral.html - IstoÉ Dinheiro
https://istoedinheiro.com.br/professor-de-derrite-e-ex-chefe-da-rota-quem-e-o-novo-comandante-da-pm-de-sp - Poder360
https://www.poder360.com.br/poder-brasil/saiba-quem-e-o-novo-comandante-da-policia-militar-de-sao-paulo - Estadão/UOL
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/04/17/professor-de-derrite-e-ex-chefe-da-rota-quem-e-o-novo-comandante-da-pm-de-sp.amp.htm
As reportagens destacavam que Coutinho era considerado um dos principais nomes da Polícia Militar paulista e possuía relação de confiança com Derrite.
Derrite chamou Coutinho de “homem de confiança”
Durante a cerimônia de transmissão de comando, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, fez elogios públicos ao novo comandante.
Na ocasião, afirmou que Coutinho era um de seus principais auxiliares e o definiu como um profissional de extrema confiança.
Escolha passou diretamente pelo Tarcísio
Diferentemente de cargos internos da Polícia Militar, a nomeação do comandante-geral depende de ato do governador do Estado.
Foi Tarcísio de Freitas quem oficializou a escolha de José Augusto Coutinho para liderar uma corporação de cerca de 80 mil policiais militares.
Na cerimônia, o governador afirmou ter confiança de que o coronel realizaria “um brilhante trabalho” e daria continuidade ao legado da corporação.
Investigação
A condução de Coutinho para prestar esclarecimentos ocorreu durante investigação conduzida pelo Ministério Público e pelas autoridades competentes, que apuram um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas e favorecimento a integrantes do PCC.
O coronel é investigado e, até eventual condenação definitiva, tem direito à presunção de inocência, conforme estabelece a Constituição Federal.
As autoridades responsáveis pelas investigações sustentam que existem indícios “muito fortes” que justificaram as medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Governo ainda não explicou retirada das publicações
Além da repercussão envolvendo a investigação, outro aspecto chama atenção: a retirada das publicações institucionais que exaltavam a escolha do comandante.
O desaparecimento dessas páginas impede que o cidadão tenha acesso ao registro oficial da cerimônia realizada pelo próprio Governo do Estado.
O espaço permanece aberto para manifestação do Governo de São Paulo sobre:
- o motivo da retirada das publicações;
- quem determinou a remoção do conteúdo;
- se as páginas serão restauradas para preservação do registro histórico.
Enquanto não houver esclarecimento oficial, permanece apenas o registro feito por veículos de imprensa e pelas gravações da cerimônia, que continuam disponíveis ao público.