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RODA VIVA: Haddad é sabatinado por jornalistas, apresenta propostas e desmente Tarcísio

Brasil

Candidato ao governo de São Paulo foi questionado sobre violência, crime organizado, atuação da polícia, economia e serviços públicos e aproveitou entrevista para apresentar contrapontos ao governo estadual.

Fernando Haddad (PT) colocou a segurança pública no centro de sua participação no Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (31), em uma das principais aparições do candidato desde o início da campanha ao governo de São Paulo.

Ao longo da sabatina, Haddad foi pressionado pelos jornalistas sobre os principais problemas do Estado e aproveitou as perguntas para apresentar críticas à administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defender as linhas gerais de seu programa de governo.

A segurança apareceu logo no início da entrevista: Haddad procurou afastar a ideia de que o tema pertence exclusivamente ao campo político da direita e apresentou a área como uma obrigação central do Estado.

Eu penso que nosso desenho constitucional está errado. É por isso que o presidente Lula mandou uma Pec da Segurança para que a presidência da república assumisse uma parte da responsabilidade disso. E com uma resistência dos governadores de extrema-direita, que vê isso como uma perda de autonomia. Eu vejo o contrário. Vejo como uma grande oportunidade, disse Haddad.

Para Haddad, o combate à criminalidade precisa envolver inteligência, investigação, integração entre as forças policiais e utilização de tecnologia. O candidato também voltou a defender mecanismos de controle da atividade policial e destacou a importância das câmeras corporais utilizadas pelos agentes.

“Acho que a câmera vai ajudar bastante. Eu acho que uma controladoria, uma corregedoria eficaz, vai resolver bastante. Eu acho que nós temos que aprimorar os mecanismos internos. Eu acho que cê tem que passar confiança pra corporação de que cê quer mudar pra melhor o serviço. Eu fico indignado com essa falta de iniciativa em conversar com a tropa efetivamente. Inclusive, você deve saber que houve uma desorganização da cadeia de comando em São Paulo muito grave. Nós aposentamos, eu digo o governo atual, por uma série de critérios meio de compadrio, acabou aposentando gente muito séria da polícia militar em plena atividade e com conhecimento pra fazer uma mudança de cultura né, e foram aposentados por conta dessa nomeação de compadrio que o secretário do Tarcísio fez na polícia militar, que causou um grande embaraço pra todo mundo né. Eu acho que tem coronéis que chegaram a falar pra mim que vai demorar tempo pra você resgatar essa visão corporativa com uma cadeia de comando bem estruturada”.

O candidato também foi questionado sobre o funcionamento da Polícia Militar, o combate ao crime organizado e as políticas de prevenção. O discurso apresentado no programa buscou combinar endurecimento no enfrentamento às organizações criminosas com medidas de inteligência, integração entre as forças de segurança e atuação do poder público nas regiões mais vulneráveis.

Roberta Luchsinger

Durante a entrevista, Fernando Haddad foi questionado sobre Roberta Luchsinger, citada em uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência. O candidato afirmou não conhecer a lobista e disse que nunca havia sequer ouvido seu nome antes do episódio ganhar repercussão.

Luchsinger é apontada nas investigações como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e aparece em mensagens analisadas pela PF em meio a suspeitas de atuação junto a órgãos do governo federal em favor de interesses privados.

Haddad negou ter qualquer relação com a investigada e afirmou que jamais recebeu pedidos de reunião ou participou de encontros sociais com ela. A declaração ocorreu durante a sabatina do Roda Viva, em meio às perguntas sobre possíveis conexões políticas envolvendo integrantes do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso também envolve alegações atribuídas à própria Luchsinger sobre uma suposta oferta de cargo no governo federal. Lula já negou conhecê-la e afirmou anteriormente que nunca havia visto a investigada.

“Eu nunca ouvi o nome dessa pessoa na Esplanada”, disse Haddad em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Diplomacia e respeito ao Lula

O Lula é uma pessoa que consegue falar com quem ele quiser, a hora que ele quiser, incluindo o Trump. Não é uma pessoa que tem dificuldade em ligar pra China, pra Rússia, pra França, pra falar com chefe de estado, com chefe de governo, e atuar de maneira conjunta e conter o ímpeto, porque não é só o exército a arma, é a diplomacia. A diplomacia ainda tem seu papel.

Privatizações em São Paulo

As privatizações promovidas ou defendidas pelo governo paulista também fizeram parte da sabatina.

“… eu sempre fui contra a privatização da Sabesp, porque o Tarcísio prometeu baixar a conta d’água, que subiu, melhorar o serviço, que caiu, e o lucro da companhia só faz crescer. A quarta morte agora em obra dessa besta essa semana, e parece que não é com ele, não se importa com as pessoas. Mas tudo bem. Nós vamos ter que fazer obra, porque não é todo o estado que é da Sabesp, e não é tudo que é obrigação da Sabesp. Contrato da Sabesp prevê uma série de obrigações, mas tem coisa que não tá no contrato da Sabesp que vai ter que ser feita. Então essa é a primeira coisa”.

Haddad e o recado para o povo de São Paulo

A participação no Roda Viva acontece em um momento particularmente importante da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Com a propaganda eleitoral já em andamento, Haddad precisa ampliar sua exposição e reduzir a distância em relação a Tarcísio.

“Agora, ele desinformado não vai exercer essa soberania da maneira mais adequada. Se eu for capaz de informar tudo que eu sei sobre São Paulo, todos os problemas que eu constatei em 120 dias de trabalho, com uma equipe de 100 pessoas radiografando cada secretaria do estado, se eu informar a população, ainda elas assim ela preferir da continuidade, eu cumpri o papel da oposição. Mas eu conheço o povo de São Paulo e eu tenho certeza que, informado, no dia quatro de outubro, esse povo vai pensar, porque ninguém joga uma história como a de São Paulo fora. Esse estado não é pouca coisa”.

Haddad explica a curva fora da realidade sobre Flávio Bolsonaro

Fernando Haddad lembrou da relação do senador Flávio Bolsonaro com o presidente do Banco Master.

“Não consegue explicar as visitas que fez ao Vorcaro do Banco Master e nós estamos botando esse cara como candidato a presidente da República e comparando com uma pessoa que não mexe um dedo para favorecer quem quer que seja e manda investigar todo mundo. Então, não vamos colocar no mesmo patamar coisas tão diferentes”.

Governo Federal x Bets

“Tem que ser discutido na eleição, mas, depois da eleição, eu sou favorável a esse tipo de consulta, de fazer, eventualmente, um diálogo com a sociedade, envolver o Congresso, fazer seminário de especialista, as pessoas da saúde dizerem o que está acontecendo,  os bancos abrirem os dados sobre o que está acontecendo com as finanças das pessoas que estão ficando comprometidas com isso”, disse Haddad.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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