O empresário Edgard Gomes Corona, fundador da Smart Fit e um dos doadores da campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas, carrega um histórico que inclui uma pesada disputa tributária suspeita com a Receita Federal e, mais recentemente, um procedimento do Ministério Público de São Paulo envolvendo a própria Smart Fit e um homem identificado como Valdecir Celestino.
Os episódios são distintos, mas colocam novamente o empresário no radar de órgãos de fiscalização e controle e no radar da polícia.
Corona doou R$ 100 mil para a campanha de Tarcísio. O empresário aparece entre os financiadores da candidatura do governador em 2026. O Radar Brasileiro vem acompanhando as doações feitas para o governador Tarcísio de Freitas, justamente, porque alguns nomes envolvidos já estiveram na mira da Justiça.
Anos antes, porém, a estrutura societária utilizada na expansão da Smart Fit havia sido questionada pela fiscalização tributária federal.
RECEITA APONTOU “CONLUIO” E FRAUDE TRIBUTÁRIA

O caso mais contundente envolvendo Corona está em processo analisado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).
A fiscalização federal contestou uma série de operações societárias realizadas envolvendo empresas ligadas à família Corona e a Smart Fit.
Segundo a acusação fiscal reproduzida no processo, as operações teriam sido estruturadas artificialmente para produzir efeitos tributários favoráveis aos controladores.
A fiscalização utilizou termos como “conluio”, “fraude” e “atos societários desvirtuados” para descrever a estrutura identificada.
Entre as operações questionadas estava a transformação de empresas da família em sociedades anônimas e a emissão de ações preferenciais em favor de Edgard Corona.
Segundo a fiscalização, essas operações teriam permitido que Corona tivesse acesso a rendimentos decorrentes do ágio obtido com a entrada de investidores.
O processo também discutiu reduções de capital realizadas posteriormente.
A acusação fiscal apontou que membros da família Corona receberam aproximadamente R$ 23,67 milhões por meio dessas operações, sendo que cerca de R$ 10,39 milhões teriam sido destinados a Edgard Corona, conforme os documentos reproduzidos no processo.
A Receita sustentou que a estrutura tinha como objetivo evitar a tributação que incidiria sobre os valores distribuídos aos acionistas.
CASO FOI PARAR NO CARF
A discussão não terminou na Receita.
O caso chegou ao CARF, órgão responsável pelo julgamento administrativo de controvérsias tributárias federais.
O colegiado deu provimento parcial aos recursos apresentados no processo. Entre as decisões tomadas esteve a redução da multa qualificada de 150% para 75% e o afastamento de determinadas responsabilidades atribuídas pela fiscalização.
O CARF confirmou autuação tributária em que a fiscalização federal descreveu as operações como fraudulentas e envolvendo conluio, seguida de julgamento administrativo no CARF com modificações na autuação.
E O QUE ISSO TEM A VER COM A “MÁFIA DA FAZENDA” DE SÃO PAULO?
É justamente aqui que a história fica mais delicada.
Em 2026, a Smart Fit Escola de Ginástica e Dança S/A e Valdecir Celestino apareceram em procedimento do Ministério Público de São Paulo classificado como Patrimônio Público.
O procedimento recebeu o número 66.0739.0035085/2025-2.
O registro aparece no Diário Oficial do MPSP de março de 2026, com Smart Fit e Valdecir Celestino como interessados.
O mesmo procedimento voltou a aparecer nas publicações do Ministério Público em abril.
E há um detalhe que chama atenção: nas publicações do MPSP relacionadas ao caso aparecem referências à Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (SEFAZ-SP).
Isso demonstra que existe uma conexão documental entre o procedimento, a Smart Fit e órgãos fazendários.
PROCEDIMENTO FOI ARQUIVADO
O procedimento 66.0739.0035085/2025-2 terminou com a homologação da promoção de arquivamento. Meses depois da bomba estourar na Secretaria da Fazenda de Tarcísio de Freitas, misteriosamente, o processo foi arquivado.
O registro oficial do MPSP de 30 de abril de 2026 informa a homologação do arquivamento.
O procedimento existiu. A Smart Fit estava identificada como interessada. O assunto era Patrimônio Público. E o caso foi arquivado.
O conteúdo público indexado do Diário Oficial, entretanto, não apresenta detalhes suficientes para afirmar qual era exatamente a suspeita original, quais servidores eventualmente foram investigados ou se havia pagamento de propina, corrupção ou fraude fiscal.
HÁ UMA “MÁFIA” DA SECRETARIA DA FAZENDA?
Até agora, não há documentação suficiente para afirmar que Edgard Corona ou a Smart Fit integraram uma “máfia da Secretaria da Fazenda de São Paulo”.
A Smart Fit apareceu em um procedimento do MPSP classificado como Patrimônio Público, em contexto que envolve referências suspeitas à Secretaria da Fazenda, e esse procedimento acabou arquivado, de forma misteriosa.
Isso é fato.
O EMPRESÁRIO VOLTA AO RADAR POLÍTICO
Edgard Corona voltou a ocupar espaço no cenário político paulista.
O fundador da Smart Fit está entre os empresários que financiaram a campanha de Tarcísio de Freitas.
A contribuição foi de R$ 100 mil.
Corona também já havia se aproximado do campo político da direita em anos anteriores. Em 2018, por exemplo, realizou doação eleitoral para a então candidata Carla Zambelli.
Em 2020, o empresário chegou a ser alvo de investigação no inquérito das fake news, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, por sua atuação no grupo empresarial Brasil 200. A imprensa registrou que ele teve contas em redes sociais atingidas por decisões relacionadas ao inquérito.
Valdecir Celestino aparece oficialmente como servidor do TRT-2 e, ao mesmo tempo, como interessado em um procedimento do MPSP envolvendo a Smart Fit, classificado como Patrimônio Público.
Um nome ainda pouco conhecido começa a chamar atenção nos documentos do Ministério Público de São Paulo: Valdecir Celestino. Ele aparece ao lado da Smart Fit em procedimentos distintos do MPSP — inclusive em um caso classificado como Patrimônio Público, que acabou arquivado.
Mas quem é Valdecir Celestino e, principalmente, por que seu nome aparece associado à gigante das academias em procedimentos do Ministério Público?
A documentação pública ainda não revela todas as respostas. E é justamente aí que está o ponto mais intrigante dessa história: qual era exatamente o papel de Celestino no caso e havia alguma conexão com o ambiente da Secretaria da Fazenda de São Paulo?
Por enquanto, não há documento público que permita afirmar que ele fazia parte de qualquer organização criminosa. Mas os registros existem — e deixam uma pergunta no ar: há algo mais por trás dessa conexão que ainda não veio à tona?