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União Brasil se afasta de Flávio Bolsonaro e caminha para neutralidade na disputa presidencial

Brasil

A federação formada por União Brasil e Progressistas caminha para não integrar a coalizão nacional em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

O rachada direita ganhou mais um capítulo com começo e fim. Flávio Bolsonaro está conseguindo afastar os principais aliados. Está ficando isolado na corrida presidencial. A tendência, segundo dirigentes das duas legendas, é que a União Progressista adote uma posição de neutralidade no pleito, permitindo que seus diretórios estaduais definam, de forma autônoma, os palanques considerados mais estratégicos em cada estado.

A mudança de rumo é resultado de um acúmulo de desgastes políticos entre o senador e as principais lideranças da federação, além de uma crescente pressão interna de parlamentares que enxergam riscos eleitorais em um alinhamento nacional ao projeto do PL.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pronuciamento
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Nos bastidores, dirigentes afirmam que a relação entre Flávio Bolsonaro e a cúpula da União Progressista perdeu força ao longo dos últimos meses. O primeiro episódio ocorreu após o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, tornar-se alvo de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Integrantes da legenda esperavam que Flávio saísse publicamente em defesa do aliado, gesto que jamais ocorreu e que foi interpretado como um sinal de distanciamento político.

O episódio alterou completamente o ambiente entre as duas siglas. Até então, interlocutores discutiam a possibilidade de Ciro Nogueira integrar uma eventual chapa presidencial encabeçada pelo senador do PL, ocupando a vaga de vice-presidente. A hipótese, porém, perdeu espaço diante do esfriamento das relações.

O desconforto também alcançou o União Brasil nesta semana. A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, ampliou a insatisfação dentro da legenda. Pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e aliado político de Flávio Bolsonaro, Canella foi preso após agentes encontrarem um fuzil no porta-malas do veículo em que estava.

À Polícia Federal, o ex-prefeito afirmou que a arma era utilizada por um policial militar integrante de sua equipe de segurança. Os investigadores, contudo, sustentam que ele não apresentou elementos capazes de comprovar essa versão.

Dirigentes do União Brasil também aguardavam uma manifestação pública do senador em defesa do aliado, mas o silêncio de Flávio voltou a provocar incômodo entre integrantes da executiva nacional. Embora os dois episódios tenham aprofundado o desgaste, a avaliação predominante dentro da federação é de que a neutralidade atende, sobretudo, aos interesses eleitorais das bases regionais.

Parlamentares, especialmente dos estados do Nordeste, argumentam que um apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro poderia comprometer campanhas locais em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém elevados índices de aprovação e influência eleitoral.

Diante desse cenário, a estratégia em discussão prevê que a federação não oficialize apoio a nenhum candidato ao Palácio do Planalto, preservando a autonomia dos diretórios estaduais para construir alianças de acordo com a realidade política de cada estado.

Apoio regional em São Paulo

A ausência de um alinhamento nacional, entretanto, não impede acordos locais. Em São Paulo, o Progressistas deve caminhar ao lado de Flávio Bolsonaro.

Lideranças da legenda avaliam que a aproximação com o senador poderá fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado Federal.

Nos bastidores, dirigentes afirmam que o cenário favorece uma divisão de forças entre os aliados do campo conservador. Enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tende a concentrar apoio na candidatura do presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL), Flávio Bolsonaro teria papel decisivo para impulsionar a campanha de Derrite junto ao eleitorado bolsonarista.

Em 2026, os eleitores escolherão dois senadores em cada unidade da Federação

Ao todo, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, correspondentes a dois terços da composição da Casa, para mandatos de oito anos.
Levantamento do Datafolha divulgado nesta semana mostra uma disputa ainda pulverizada em São Paulo. Simone Tebet (MDB) aparece com 18% das intenções de voto, seguida por Marina Silva (PSB), com 16%, resultado que configura empate técnico.

Marina também divide a com Ricardo Salles (Novo), que registra 13%. Na sequência aparecem André do Prado (PL), com 11%, e Guilherme Derrite (PP), com 10%, mantendo a corrida pelas duas vagas completamente aberta.

Sobre o autor Maicon Mendes Redação · Radar Brasileiro

Jornalista com trajetória construída nos principais grupos de comunicação do país, como Grupo Globo, SBT, Record, Band, Jovem Pan News, RedeTV! e Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, atuou como apresentador de telejornais, repórter investigativo e enviado especial na cobertura dos principais acontecimentos do país, acompanhando de perto temas de interesse público nas áreas de política, economia, cidades e atualidade. Sempre se destacou com fatos exclusivos envolvendo os bastidores da notícia.

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