O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) articulou uma reunião com antigos secretários e dirigentes que participaram de governos históricos do PSDB em São Paulo e deu um passo importante para aproximar o grupo tucano da candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes.
“O que eu quis dizer ontem é que PT e PSDB têm divergências programáticas, mas têm um solo comum, muito fértil, muito sólido, que é a soberania nacional, da redemocratização do país, dos direitos humanos, do combate à intolerância, do combate ao racismo, da proteção às mulheres”, afirmou Fernando Haddad.
O encontro resultou em um manifesto assinado por 24 ex-integrantes das administrações de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, com declaração pública de apoio a Haddad. Entre os nomes estão Aloysio Nunes e Gabriel Chalita.

O documento recupera marcas das administrações tucanas no Estado, como o Poupatempo, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e o Bom Prato, e defende a retomada de uma política baseada na construção de consensos e no respeito às instituições.
O manifesto também faz críticas ao atual governo paulista. Os ex-secretários questionam a privatização da Sabesp e afirmam que uma decisão dessa dimensão deveria ter sido acompanhada de maior debate, transparência e planejamento estratégico.
O grupo também critica a reação do governador Tarcísio de Freitas ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros, sustentando que São Paulo deveria ter priorizado a defesa dos interesses econômicos do Estado.
“Nós temos um solo comum. Então, quando a gente vê a extrema-direita, só com base em mentiras, entregar um serviço tão ruim para a sociedade como está acontecendo no Brasil, a gente se une, porque tem uma coisa que é superior às nossas divergências, que são os nossos princípios e os nossos valores”, afirmou.
Movimento coloca PSDB diante de nova decisão

A manifestação ocorre depois de o PSDB abrir mão de lançar candidatura própria ao governo paulista em 2026. O partido chegou a discutir a candidatura do ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, mas a iniciativa não avançou.
Com isso, esta é a primeira eleição para o governo de São Paulo, desde a fundação do PSDB, em 1988, em que a legenda não apresenta candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.
“Rejeitamos transformar a privatização em um fim em si mesmo. Uma decisão dessa dimensão exigia mais debate, mais transparência e uma visão estratégica”, diz o documento.
O manifesto dos ex-secretários aumenta, portanto, a pressão interna para que a legenda defina oficialmente seu posicionamento na disputa. A expectativa, segundo relatos publicados neste fim de semana, é de que o PSDB avance para uma decisão de apoio a Fernando Haddad.
A adesão, porém, não deve ser confundida com uma decisão formal do partido. O manifesto foi assinado por ex-integrantes de governos tucanos e representa uma declaração política desse grupo. A definição oficial da legenda depende das instâncias partidárias competentes.
“Vimos prevalecer um alinhamento político que colocou afinidades ideológicas acima da proteção da economia, dos empregos e da capacidade de investimento do estado”, afirmam.
O movimento também expõe uma divisão dentro do PSDB paulista. Enquanto setores históricos ligados às antigas administrações tucanas se aproximam de Haddad, a direção partidária já havia anunciado apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição.
Alckmin atua para aproximar antigos tucanos de Haddad
A articulação de Alckmin tem peso simbólico porque o atual vice-presidente foi um dos principais nomes da história do PSDB paulista e governou o Estado por quatro mandatos. O encontro reuniu integrantes de diferentes administrações tucanas e produziu uma manifestação coletiva em favor de Haddad.
Fernando Haddad afirmou que a população precisa saber o que está por trás das privatizações no Estado.
“Eu já disse que todas as privatizações vão passar por um pente-fino. Transporte sob trilhos, nós vamos passar um pente-fino. Sabesp, vamos passar um pente-fino. E Free Flow são os três contratos mais problemáticos do estado. Todos estão com problemas. E indenizações pagas em bilhões de reais para as concessionárias. Enquanto, às vezes, você não tem uma escola arrumada”, afirmou.
O próprio Alckmin publicou registro da reunião afirmando que reuniu ex-secretários e dirigentes que participaram das gestões Covas, Alckmin e Serra em apoio à candidatura petista.
Haddad recebeu o manifesto e classificou o apoio dos antigos secretários tucanos como de grande importância simbólica. O candidato também destacou a presença de nomes que participaram de diferentes momentos da história administrativa de São Paulo.
O movimento ocorre justamente no início da propaganda eleitoral gratuita. Desde 28 de agosto, Haddad e Tarcísio passaram a apresentar suas candidaturas no rádio e na televisão, intensificando a disputa pelo governo paulista.
Próximo passo é o PSDB
Com a ausência de candidatura própria e o manifesto assinado por antigos integrantes de seus governos, o PSDB chega a uma encruzilhada eleitoral em São Paulo.
A expectativa agora é que a direção partidária bata o martelo sobre o apoio a Haddad. Se isso ocorrer, o movimento iniciado por Alckmin e pelos 24 ex-secretários deixará de ser apenas uma manifestação de antigos quadros tucanos e poderá se transformar em um posicionamento formal de parte relevante da estrutura partidária.
Por enquanto, o que está confirmado é o manifesto dos 24 ex-integrantes de governos tucanos e a ausência de candidatura própria do PSDB ao governo paulista. A formalização de eventual apoio a Haddad ainda depende da decisão partidária.