A tentativa de criar uma versão favorável ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após a divulgação de áudios e mensagens trocados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo — e ainda mais grave. Um documento apresentado nas redes sociais como se fosse um relatório da Polícia Federal afirmava que não havia indícios de crime nas conversas entre o parlamentar e o empresário. O problema: o documento é falso.

A própria Polícia Federal negou ter produzido o material. A corporação informou que não produziu nem a imagem nem o conteúdo do documento que circulou nas redes. A análise também encontrou sinais de que o arquivo teria sido produzido com ferramentas de inteligência artificial da OpenAI.
O falso relatório surgiu justamente depois de reportagens revelarem conversas entre Nikolas e Vorcaro.
Ex-comentaristas da TV Jovem Pan publicaram o documento falso na internet.
Em um áudio enviado em março de 2025, o deputado procurou o então dono do Banco Master para pedir ajuda na liberação de um “ativo minerário” relacionado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado que havia sido seu assessor. Na mensagem, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com ele.
A divulgação do áudio colocou em xeque a narrativa pública de distanciamento entre o deputado e o banqueiro. Em outro áudio, Nikolas também se desculpa com Vorcaro por uma crítica que havia feito a um evento patrocinado pelo Banco Master.
O próprio parlamentar confirmou a autenticidade dessa mensagem à CNN Brasil.
Foi nesse contexto que começou a circular o suposto documento da PF. O material imitava a aparência de um relatório oficial e apresentava uma suposta análise das mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O texto concluía que não havia elementos suficientes para apontar crime ou justificar uma investigação específica contra Nikolas.
Mas a suposta conclusão oficial não existia.
NIKOLASUSA A REDE SOCIAL PRA SE DEFENDER E PIORA A SITUAÇÃO:
Segundo o Aos Fatos, além de a PF negar a autoria, o documento apresentava uma marca d’água associada à OpenAI. A análise realizada com ferramenta de verificação da empresa identificou sinais compatíveis com conteúdo gerado por modelos de inteligência artificial.
O episódio é particularmente grave porque o documento não circulou apenas como uma montagem anônima. Nikolas Ferreira publicou o material em seus stories do Instagram, reproduzindo uma postagem originalmente feita por outro perfil. A assessoria do deputado afirmou que ele não sabia que o documento era falso e que apenas republicou o conteúdo.
A estratégia acabou produzindo justamente o efeito contrário ao pretendido: em vez de encerrar a crise provocada pelos áudios, abriu uma segunda frente de questionamentos — desta vez sobre a origem e a utilização de um documento falso apresentado como se fosse produzido pela Polícia Federal.
Áudios contradizem discurso de distanciamento
As revelações sobre a relação entre Nikolas e Vorcaro foram divulgadas pelo ICL Notícias e confirmada pelo Radar Brasileiro.
Em março de 2025, Nikolas procurou Vorcaro para intermediar uma questão envolvendo um ativo de mineração. O deputado encaminhou ao banqueiro o contato de Thiago Faria e, no dia seguinte, informou que o advogado estaria em Brasília disponível para conversar.
Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”. As mensagens, contudo, não permitem afirmar se o encontro efetivamente ocorreu ou se o pedido foi atendido.
Também vieram a público mensagens nas quais Vorcaro afirmou ter custeado voos utilizados por Nikolas. O deputado nega ter recebido dinheiro do ex-banqueiro e afirma que o áudio divulgado é “irrelevante”.
O problema para o parlamentar é que a existência dos contatos deixou de ser uma discussão sobre interpretação política. Nikolas reconheceu a autenticidade das mensagens, embora negue qualquer irregularidade.