O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rompeu o silêncio sobre a crise provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master e pelas revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Lula adotou um tom firme, mas evitou citar nominalmente ministros da Corte. O presidente defendeu que todos os envolvidos sejam investigados e afirmou que não pode haver proteção para autoridades ou agentes públicos.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado”, afirmou.
A declaração ocorre após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O documento, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, ampliou a crise dentro do Supremo e provocou pressão por explicações sobre as relações entre autoridades e o empresário.
Lula também criticou a divulgação fragmentada de informações e alertou para o risco de a crise institucional ser alimentada por vazamentos.
“Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, declarou.
“Doa a quem doer”
O trecho mais contundente do pronunciamento veio quando Lula defendeu que as investigações alcancem todos os suspeitos, independentemente de posição política ou cargo.
“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, disse.
A fala representa uma tentativa do presidente de estabelecer distância política da crise que atingiu o STF justamente em um momento de forte tensão institucional e de disputa eleitoral.
Lula também cobrou diretamente uma resposta das instituições responsáveis pela condução do caso. Sem citar nomes no trecho, afirmou esperar que a Presidência do Supremo e a Procuradoria-Geral da República atuem para garantir a credibilidade das investigações.
“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, afirmou.
O presidente concluiu defendendo transparência e uma mudança na relação entre poder público e interesses particulares.
“Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira.”
Pressão sobre o Supremo
O pronunciamento acontece em meio ao agravamento da crise no STF. A divulgação das mensagens entre Vorcaro e Moraes colocou a Corte sob forte pressão e abriu uma disputa institucional em torno da investigação.
O caso está sob relatoria de André Mendonça, que determinou a produção e posteriormente autorizou a divulgação de informações relacionadas aos diálogos recuperados pela Polícia Federal.
Ao defender que ninguém seja blindado, Lula evita transformar o episódio em uma defesa específica de qualquer integrante do Judiciário. Ao mesmo tempo, coloca sobre STF e PGR a responsabilidade de apresentar respostas capazes de recuperar a confiança da população.
A declaração ocorre ainda em um ambiente eleitoral cada vez mais tensionado. Pesquisas divulgadas nesta quinta-feira mostram Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas com redução da distância entre os dois principais nomes da disputa presidencial.
VEJA O PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA