
Em um evento marcado por demonstrações de unidade política e discursos voltados à reconstrução de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) oficializou sua candidatura ao Governo do Estado neste sábado, em um ato que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

A composição da chapa havia sido costurada após negociações conduzidas por Lula e lideranças dos partidos aliados.
“Essa chapa não é brincadeira. São companheiros que dignificam qualquer política, com apoio de Lula e Alckmin. Onde já se viu a gente temer uma eleição como essa? Olha o lado de lá, compara as duas fotos, e veja se não vamos resgatar São Paulo para os paulistas” — disse Haddad.
O lançamento da candidatura marca o início oficial da campanha da coligação governista em São Paulo e busca apresentar ao eleitorado uma ampla aliança de centro-esquerda para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição.
“No tempo do PSDB, a gente disputava para ver quem fazia mais para a população. O que é possível disputar com ele (Tarcísio), se tudo está indo para trás? Dar uma medalha para o Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para o argentino comer? A qualidade da urna eletrônica? Esses caras querem voltar para a Idade da Pedra, querendo discutir se mulher tem direito a votar ou não”.
Em seu discurso, Haddad afirmou que a chapa representa um projeto voltado ao desenvolvimento econômico, à redução das desigualdades e à retomada de investimentos em áreas como saúde, educação, segurança pública, transporte e infraestrutura.
“Tudo aquilo que lesou ou estiver lesando o povo de São Paulo será revisto. Vamos passar São Paulo a limpo, com transparência e responsabilidade”, declarou Haddad durante o lançamento da candidatura.
Sem citar casos específicos, o petista afirmou que sua gestão irá reforçar os mecanismos de controle, ampliar a fiscalização sobre contratos públicos e garantir que recursos do Estado sejam aplicados em benefício da população. Segundo ele, eventuais irregularidades identificadas serão encaminhadas aos órgãos de controle e ao Ministério Público para as providências cabíveis.
Ao lado do candidato, o presidente Lula fez um forte apelo à militância e classificou a eleição paulista como estratégica para o futuro do país. O presidente destacou a experiência administrativa de Haddad e afirmou que o petista reúne as condições para promover um novo ciclo de desenvolvimento no estado.
“O povo paulista terá a oportunidade de escolher um projeto que olha para quem mais precisa, que investe nas pessoas e que acredita na força do serviço público”, afirmou Lula durante o evento.
PRESIDENTE LULA CHAMA O POVO PRA VENCER EM SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso de forte tom político durante o lançamento da campanha de Fernando Haddad, em Campinas, defendendo a união das forças progressistas e convocando a militância para a disputa eleitoral.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Não venham. Eu não sou de fazer bravata, de dizer o que não posso fazer, mas vou dizer a vocês uma coisa que trago do berço, aprendida com uma mãe analfabeta. Andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter não encontra no shopping, não compra no Mercado Livre. Aprende com o pai e a mãe. Portanto, quem vier de fora querendo de meter nas eleições brasileiras, já aviso logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. O Brasil é soberano ” — disse presidente Lula.
Lula afirmou que a eleição será decisiva para o futuro de São Paulo e do Brasil, reforçou a confiança na vitória de Haddad e destacou que o estado precisa voltar a ser protagonista do desenvolvimento nacional.
O presidente também criticou adversários políticos, exaltou os resultados de seu governo e pediu engajamento da militância para ampliar o diálogo com a população durante a campanha.
Frente ampla
A escolha de Márcio França para a vice-governadoria encerrou semanas de negociações entre PT e PSB. Ex-governador de São Paulo, França passa a ser um dos principais articuladores da campanha no interior e na Baixada Santista, regiões onde possui forte influência política.

Já as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet foram apresentadas como candidatas ao Senado, ampliando o perfil da aliança ao reunir lideranças com diferentes trajetórias políticas e eleitorados distintos. A estratégia busca fortalecer a chapa tanto entre o eleitorado progressista quanto entre setores de centro.
Márcio França

Márcio França adotou um tom otimista e de mobilização em seu discurso, afirmando que a campanha será marcada pelo diálogo com a população em todas as regiões do estado. O candidato a vice-governador destacou a parceria com Fernando Haddad e disse que a chapa representa a experiência e a capacidade de reconstruir São Paulo.
“São Paulo que sempre foi sinônimo de correria, depois o Tarcísio tem retrocedido mais a cada dia. Lobo em pele de cordeiro, Tarcísio mente, mente, fingindo que é de verdade, mente tanto que dificulta a visão do povo pra realidade. Privatiza que melhora, melhora pra quem? Trem pegando fogo, falta de água, violência aumentando. O paulistano mata o leão por dia, volta pra casa exausto e é tratado com desdém. São Paulo que sempre foi sinônimo de avanço elegeu um governo corrupto que só nos dá ranço. Se a privatização fosse mesmo a solução pra acalmar o povo assustado, o crime não seguiria sendo mais organizado que o próprio estado”.

“Nesses quatro anos, cresceu o emprego, cresceu a renda, cresceu a educação, cresceu a saúde, cresceu a proteção ao meio ambiente e cresceu a democracia. E hoje estamos juntos de novo com o Hadad e com o Márcio França. Parabéns Hadad por ter trazido pra chapa o Márcio França. Márcio é do litoral, grande prefeito da nossa célula Matter, São Vicente, homem do interior. Fizemos juntos as etecs fatecs, ele foi o inspirador, o Mário, dos municípios de interesse turístico, fortalecendo a economia do nosso interior, trazendo as indústrias, gerando emprego e renda”.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também fez um discurso em defesa da candidatura de Fernando Haddad e direcionou críticas à condução dos serviços públicos em São Paulo. Ao abordar o sistema metroferroviário, Alckmin questionou o modelo adotado nas concessões e defendeu maior concorrência para garantir eficiência e qualidade no atendimento à população.
“Como é que pode uma das melhores empresas do mundo, com 28 milhões de usuários, ter um único concorrente?”, afirmou, em referência ao sistema de transporte sobre trilhos do estado.
Em seguida, o vice-presidente criticou as privatizações do Metrô e dos trens metropolitanos, associando os problemas registrados no sistema à política adotada pelo governo estadual. Alckmin também demonstrou preocupação com a segurança pública e afirmou que São Paulo enfrenta índices elevados de feminicídio, defendendo uma mudança na estratégia de combate à violência.
“Não será com prepotência, mas com inteligência e tecnologia que nós vamos poder avançar mais”, declarou, ao defender investimentos em inteligência policial, integração das forças de segurança e inovação tecnológica.
Ao encerrar sua participação, Alckmin destacou a trajetória de Fernando Haddad na área da educação e afirmou que a experiência do candidato será decisiva para recuperar a qualidade do ensino público paulista.
“O Haddad é da educação. Nós vamos ter um professor para recuperar a educação”, disse, sob aplausos do público presente.
Simone Tebet

“Vamos votar em Lula pra presidente e vamos votar em Haddad pra governador do estado. Enquanto ele (Tarcísio) fala de que os serviços públicos são mais eficientes, faz privatizações mal feitas que põe em risco a população de São Paulo. Olha essa Sabesp hoje entregando água barrenta, quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo, colocando em risco a vida das pessoas com incêndio no vagão, que nunca havia acontecido no passado”.
Tebet destacou a defesa da redução da jornada de trabalho e elogiou uma manifestação vista no público. A candidata ao Senado afirmou que uma das mensagens que mais o marcou foi a de uma apoiadora que segurava um cartaz com a frase:
“A minha vida não cabe num domingo. Pelo fim da escala seis por um, sem redução de salário, é já.” Essa frase, presidente, é de uma sabedoria. A vida de ninguém cabe num dia só. É preciso ter lazer, é preciso ter descanso, é preciso ter qualidade de vida, e é por isso que nós lutamos, e é por isso que eu estou com Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, é por isso que eu estou com Fernando Haddad governador do estado. Vou pro meu encerramento não sem antes dizer do meu orgulho de ter convivido com o Haddad nesses últimos três anos”.
Marina Silva

A ministra Marina Silva destacou que a aliança formada em torno da candidatura de Fernando Haddad está sustentada por princípios que classificou como “inquebrantáveis”, como a defesa dos direitos humanos, o combate às desigualdades, o respeito à diversidade, a preservação da democracia e da soberania nacional. Em seu discurso, ela afirmou que a união entre diferentes forças políticas tem como objetivo abrir “um novo ciclo de prosperidade” para o Brasil.
“Uma aliança que é inquebrantável nos princípios e valores da defesa dos direitos humanos, do combate a desigualdade, do respeito a diversidade, da defesa da democracia e da nossa soberania. Márcio França, você é um homem que conhece São Paulo e que, ombro a ombro com a Haddad, haverão de garantir a nossa vitória para que São Paulo faça jus ao estado que pode ser, como sempre foi, a mola propulsora do desenvolvimento do Brasil. Nosso vice presidente, o senhor é o homem que, em vez de olhar para o que separa, no momento decisivo e estratégico, olhou para o que nos une, porque, em determinados momentos, a gente não pode ficar olhando de cima pra baixo. A gente tem que olhar de baixo pra cima pra ver o que está acima de nós. Acima de nós, está o povo brasileiro. Por isso, presidente Lula, o senhor, olhando para o que está acima de nós, juntou diferentes ao Senado dessa convenção de hoje, onde a gente vai, com Alckmin, com Haddad, com Márcio França, com Simone, estabelecer nesse país um novo ciclo de prosperidade”.
Campanha começa a todo vapor
O ato também marcou o início da agenda eleitoral da chapa, que deverá percorrer todas as regiões do estado nas próximas semanas. A coordenação da campanha pretende intensificar visitas ao interior paulista, à Região Metropolitana e ao litoral, priorizando encontros com prefeitos, lideranças locais, empresários, trabalhadores e movimentos sociais.
Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que a presença de Lula continuará sendo um dos principais ativos eleitorais da candidatura, especialmente em regiões onde o presidente mantém elevados índices de aprovação.
A expectativa da coordenação é consolidar a aliança formada por PT, PSB, Rede e demais partidos aliados como principal força de oposição ao atual governo estadual e construir uma campanha centrada na comparação entre os projetos para São Paulo.
ÍNTEGRA DO LANÇAMENTO DA CHAPA FRENTE AMPLA