
Agora, é oficial. Pela primeira vez desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, a convenção estadual que oficializa a candidatura ao governo de São Paulo será realizada fora da capital.
A convenção está marcada para 25 de julho, dentro do calendário eleitoral definido pela Justiça Eleitoral, e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral de Haddad. Também participarão dirigentes nacionais do PT, parlamentares e lideranças dos partidos aliados que integram a coligação construída para a disputa estadual.

O partido escolheu Campinas para lançar oficialmente a campanha de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes, em um movimento que busca ampliar a presença da legenda no interior paulista — região onde o PT tradicionalmente enfrenta maior resistência eleitoral e onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, concentra parte importante de sua força política.
Mudança de estratégia
Inicialmente, a direção petista havia decidido realizar a convenção em Ribeirão Preto, importante polo político do interior. Entretanto, após avaliações internas, a cidade foi substituída por Campinas.
Segundo dirigentes do partido, a mudança ocorreu principalmente por questões logísticas. Campinas está mais próxima da capital, possui melhor estrutura para grandes eventos, maior oferta de hospedagem e facilita o deslocamento da militância de diferentes regiões do estado. A avaliação interna era de que Ribeirão poderia elevar significativamente os custos de transporte e organização.
Apesar da troca de cidade, a direção decidiu manter o simbolismo de realizar o lançamento fora da capital.
Campinas reúne algumas características consideradas estratégicas:
- possui o terceiro maior eleitorado do estado;
- é conhecida como “capital do interior”;
- exerce influência econômica sobre dezenas de municípios da região;
- fica em posição considerada central para atrair militantes do interior, da Grande São Paulo e do litoral.
O recado político
A escolha de Campinas tem um significado político claro. Desde 2022, dirigentes petistas reconhecem que a principal dificuldade eleitoral de Fernando Haddad está justamente no interior paulista.

Na eleição passada, Haddad venceu na capital e em parte da Região Metropolitana, mas sofreu derrotas em diversas regiões do interior.
Agora, o objetivo declarado do partido é demonstrar que a campanha não será concentrada apenas na capital.
O coordenador do programa de governo de Haddad, deputado estadual Emídio de Souza (PT), resumiu a estratégia ao afirmar que a convenção no interior “espelha a vontade de se aproximar desse eleitorado”.
A campanha antes mesmo do lançamento
A convenção é apenas uma etapa de uma estratégia que começou meses antes.
Nas últimas semanas, Haddad intensificou viagens pelo interior ao lado de aliados.
Entre os compromissos públicos realizados estão:
- visitas a cooperativas;
- encontros com produtores rurais;
- participação em universidades;
- eventos sindicais;
- agendas em cidades como Santa Bárbara d’Oeste, Rio Claro e Piracicaba.
A avaliação do PT é que a presença física nas cidades do interior é indispensável para reduzir a rejeição ao partido fora da Grande São Paulo.
A composição da chapa
A convenção oficializará uma ampla aliança de centro-esquerda construída pelo PT.
A chapa anunciada reúne:
- Fernando Haddad (PT) — candidato a governador;
- Márcio França (PSB) — candidato a vice-governador;
- Simone Tebet (PSB) — candidata ao Senado;
- Marina Silva (Rede) — candidata ao Senado.
Também apoiam a coligação partidos como PSOL, PDT, PCdoB e Rede Sustentabilidade, embora cada legenda realize sua própria convenção para homologação das candidaturas.
O desafio eleitoral
O lançamento da campanha ocorre em um momento em que as pesquisas colocam Tarcísio de Freitas na liderança da disputa. É justamente esse cenário que motivou a mudança de estratégia.
A avaliação interna é que repetir uma campanha excessivamente concentrada na capital poderia dificultar qualquer possibilidade de crescimento eleitoral.
O papel de Lula
O presidente Lula será a principal figura do lançamento da candidatura.
Nos bastidores do PT, a expectativa é utilizar a popularidade do presidente como principal instrumento para impulsionar Haddad no maior colégio eleitoral do país.
A presença de Lula também busca transmitir unidade da coligação e reforçar que a eleição paulista será tratada como prioridade nacional pelo partido.
Por que Campinas?
Além da logística, a cidade oferece vantagens políticas.
Campinas possui cerca de 870 mil eleitores, sendo o terceiro maior colégio eleitoral do estado, atrás apenas da capital e de Guarulhos.
Sua influência econômica e regional faz com que o município seja considerado uma vitrine para campanhas estaduais.
Ao escolher Campinas, o PT tenta produzir uma imagem simbólica: a de uma candidatura que pretende disputar votos em regiões onde historicamente apresenta desempenho inferior.
Calendário eleitoral
A convenção ocorre dentro do período oficial estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias, que vai de 20 de julho a 5 de agosto. Após a homologação, os partidos registram oficialmente as candidaturas e, em seguida, inicia-se a campanha eleitoral.
O que o PT pretende mostrar

Internamente, a direção petista considera que o lançamento em Campinas deve marcar o início de uma campanha focada em três objetivos principais:
- ampliar a presença no interior paulista;
- reduzir a vantagem de Tarcísio de Freitas fora da Região Metropolitana;
- transformar a eleição estadual em uma disputa mais nacionalizada, com forte participação de Lula durante a campanha.
Embora a estratégia represente uma ruptura com a tradição do partido em São Paulo, dirigentes reconhecem que o maior desafio permanece o mesmo das eleições anteriores: conquistar o eleitorado do interior, região considerada decisiva para definir o resultado da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.